Os representantes dos países latino-americanos que discursaram na cúpula de segurança alimentar da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimen-tação), que terminou na quinta-feira, concordaram que a culpa da atual crise dos alimentos se deve aos subsídios e à especulação.
Os latino-americanos também se transformaram nos principais defensores do “bom etanol”, expressão utilizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que explicou que os biocombustíveis são como o colesterol: “há o bom etanol e o mau etanol”.
Preço
do petróleo
Entre os múltiplos fatores que desencadearam o aumento dos preços agrícolas, os países da América Latina negaram que a produção dos biocombustíveis seja uma das causas, já que, para muitos, é uma grande oportunidade para combater o aumento do preço do petróleo.
Enfatizaram também que deve haver distinção entre o biocombustível extraído da cana-de-açúcar e da palma africana e que é “inaceitável” o uso de cereais básicos como o milho para sua produção.
Transferir subsídios
Na cúpula, a ONG Oxfam denunciou que Europa e Estados Unidos dedicaram 80 bilhões de euros em 2006 para subsidiar seus camponeses, o que distorce o mercado e diminui as oportunidades para os Estados mais pobres.
Por isso, o embaixador da Bolívia perante a FAO, Julio Pantoja Salamanca, propôs que os países ricos transfiram seus subsídios agrícolas para os mais pobres, com o objetivo de criar um “fundo mundial” para estimular uma “década produtiva com mais e melhores alimentos”.
Para o presidente da República Dominicana, Leonel Fernández, a atual crise dos alimentos pode se transformar “em uma grande oportunidade para o setor produtivo nacional” e substituir assim a importação de produtos agropecuários provenientes do mercado internacional.
Fernández acrescentou que isso pode fracassar se “os subsídios generalizados à produção e exportação de produtos agropecuários por parte dos países desenvolvidos” continua-rem. O vice-presidente de Cuba, José Ramón Ma-chado Ventura, acusou os países desenvolvidos de se negarem a eliminar “os escandalosos subsídios agrícolas, enquanto impõem suas regras ao comércio internacional”.
Além disso, o vice-presidente cubano arremeteu contra as “vorazes transnacionais” de estabelecer preços que “monopolizam as tecnologias, impõem certificações injustas e manipulam os canais de distribuição” .
Na árdua negociação entre os países para aprovar a declaração final, um dos problemas foi a oposição de alguns países desenvolvidos em condenar o protecionismo ao setor agrícola nacional.
Para a presidente da Argentina, Cristina Fer-nández de Kirchner, os culpados da especulação são os “pools de plantio”, empresários que controlam conjuntos de terras.
“Na Argentina, um pequeno poupador pode obter até 30% de lucro quando investe em um ‘pool de plantio’ o que significa um ganho incrível no mundo atual”, afirmou Cristina.







