“Um cidadão do bem”; “um grande amigo”; “um protetor da nossa Amazônia”. Palavras não faltaram para descrever as virtudes que acompanharam a trajetória do jornalista e presidente do Jornal do Commercio, Guilherme Aluízio de Oliveira Silva, velado na tarde de ontem (04), no Centro Cultural Palácio Rio Negro. Em clima de tristeza e saudade, amigos e personalidades amazonenses deram o último adeus àquele que marcou o mundo dos veículos de comunicação do estado, e entrou para a galeria dos grandes jornalistas amazonense.
Conhecido pela sua simplicidade, cavalheirismo e respeito aos seus colaboradores, o jornalista marcou a vida de todas as pessoas e profissionais da imprensa que conviveu. Defensor aguerrido do crescimento e desenvolvimento da Amazônia, seu profissionalismo e ensinos foram marcas que inspiraram muitos a lutarem por um Brasil melhor.
“Perdemos um cidadão do bem!!! Um grande amigo!!! Um protetor da nossa Amazo^nia !!! Um comunicador comprometido com os fatos e não com a versão dos mesmos!! Perdemos um ícone da mídia nacional!!! Em nome dos 52 mil homens do Comando Militar do Sul os nossos sinceros pêsames à Família enlutada !!!”, escreveu o general de exército, Geraldo Antonio Miotto, Comandante Militar do Sul.
Dos mais novos aos mais velhos, do impresso aos portais de notícia,
mensagens de saudades não lhe faltaram. E os sentimentos expressos nos conteúdos de cada recado eram sempre acompanhados de admiração e saudades. O Jornalista Raimundo de Holanda Farias fez questão de printar em seu portal de notícias, a última mensagem enviada pelo companheiro de profissão no Grupo de Amigos do whatsapp: “Companheiros, momentaneamente internado em hospital de SP para tratamento. Abçs, Guilherme ALuizio", dizia a mensagem. Logo em seguida homenageou o amigo com o seguinte texto: “Porque é tão difícil dizer adeus, amigo?. Primeiro foi essa inesperada mensagem no Grupo de Amigos. Nada tão curto quanto ele imaginava. Durou 90 dias e parece não ter havido um minuto no qual ele não pensou em voltar pra casa. Mas seu destino era outro. Perto de 10 horas da manhã desta segunda-feira, Guilherme Aloísio foi embora. Sem dizer adeus. O consolo é que ele deixou de sofrer – e este é um estranho alívio para os que o amavam. O visiteis no início de sua internação, quando ele ainda sorria e tinha esperança de voltar para casa, para o jornal centenário que mantinha como jóia da família. Um sonho que agora ficou para o filho Sócrates não deixar morrer", escreveu o jornalista em seu Portal de Notícia.
Da pequena cidade de Beruri para a presidência do Jornal do Commercio, Dr Guilherme como era conhecido pelos seus colaboradores, carregou nos ombros a responsabilidade de manter vivo a história de um jornal impresso com 115 anos de história. Com ética, retidão e fiel aos seus princípios, sempre procurou dirigir a empresa com toda transparência aos princípios do verdadeiro jornalismo. Tido como pérola da família e filho mais novo, o Jornal do Commercio é um legado que o seu filho e vice-presidente, Sócrates Bomfim Neto, pretende manter vivo junto com os princípios de seu pai.
“O Jornal era o filho mais novo dele. Ele sempre gostou de jornalismo e imprensa escrita. Começou no impresso aos 17 anos. Sempre procurou o jornalismo. E quando teve condições, ele comprou o Jornal do Commercio em 84 de lá nunca mais parou. Para ele se desse lucro ótimo, mas se não desse, nunca e jamais poderia de deixar de fazer o jornalismo sério. Por isso escolheu a parte de política e economia sem enveredar para o sensacionalismo. Da mesma forma que ele conduzia o jornal não vou mudar nem um ponto e nem uma vírgula, vai continuar na mesma linha editorial da mesma forma que ele conduziu em todos esses anos. Ele sempre será o eterno presidente”, disse.
De forma emocionada e sem palavras, Sócrates exaltou todas as virtudes do seu pai e os valores que foram ensinados por ele ao longo de toda sua vida. Ele destacou, que o orgulho de tê-lo como mentor foi fundamental para ajudá-lo a ser uma pessoa preparada para os desafios da vida, e destacou que o tempo só vai ajudar a aliviar a dor da perda.
“Eu não sei como descrever meu pai. Tem tantas palavras. Nesses últimos dias pensei em vários termos e adjetivos para descrevê-lo. Entre tantas qualidade posso destacar carinhoso, leal, extremamente generoso, gentil, cortês, amigo e dedicado. Foi um exemplo de homem. Devo tudo que sou hoje à pessoa dele e de minha mãe. Moldaram o meu caráter e gosto de acreditar que ele o fez muito bem. Principalmente para ser justo e correto. Tenho muito orgulho de tê-lo como pai”, disse.
Segundo a jornalista e historiadora Etelvina Garcia, Guilherme Aluízio sempre foi muito elegante em todas as suas atitude, e fez um bem muito grandioso a história do jornalismo, quando comprou em 1984 o Jornal do Commercio, que estava prestes a desmoronar. Com muito trabalho e dedicação, sempre acreditou nos seus sonhos, e estruturou a linha de editorial do jornal e o manteve vivo e até os dias de hoje como um dos jornais mais repseitado do estado do Amazonas
“O Guilherme Aluízio é um cidadão exemplar, pelo caráter, pelo trabalho que desenvolveu, pelos amigos que fez, pelo amor a família, pelo amor a cidade e pelo estado. Ele faz muita falta. O exemplo do trabalho certo e correto, sempre fazendo tudo bem feito, sempre pensando além de si e de sua própria família. Ele sempre pensou no bem de nossa cidade, da nossa população e da grandeza do nosso Amazonas e o seu desenvolvimento. Ele sempre lutou pelo que valia a pena, como o desenvolvimento da Zona Franca de Manaus.
Começou a trabalhar muito cedo como jornalista e empresário seguindo o exemplo de seu pai. Sempre viveu para trabalhar e tornar realidade seus sonhos porque sempre foi um sonhador. Hoje o Jornal do Commercio continua firme e forte como todos podemos ver. É um jornal respeitado”, disse com bastante entusiasmo.
Recados
O LUSO Sporting Club destacou a atuação do jornalista como um grande profissional preocupado com os problemas da cidade e lamentou a partida de seu diretor de relações pública e publicidade, papel em que atuava na instituição. E diante da homenagem, enfatizou o legado do Jornal do Commercio deixado pelo empresário, como um importante patrimônio construído com muito trabalho e dedicação.
“Hoje o nosso dia ficou bem mais triste, pois nosso Diretor de Relações Públicas e Publicidade e amigo Dr. Guilherme Aluízio de Oliveira Silva nos deixou. Cumpriu sua missão com galhardia, desafetação e brilhantismo e agora está com nosso Pai Celestial em seu merecido descanso. Perdemos um grande homem, que com dignidade sempre nos defendeu e nos honrou com seu trabalho junto ao LUSO Sporting Club onde sempre se portou de forma atuante. Nosso querido Dr. Guilherme Aluízio nos deixa seu legado construído com trabalho e dedicação, e sua marca em cada um de nós que teve o imenso prazer de conhecê-lo e tê-lo como amigo. À família nossos sinceros sentimentos, pedindo a Deus que lhes concedam a força necessária neste momento difícil. Descanse em paz querido amigo”, dizia a nota.
Depoimentos
Josué Filho, radialista
“Ele revitalizou o Jornal do Commercio que nesses 115 anos houve uma interrupção e ele modernizou a empresa sem perder a linha editorial de economia de jornal de confiabilidade e credibilidade. O Guilherme elegante e suave. O Guilherme da igreja e da comunhão. Ele sabia conservar amigos. Ele era um gentleman, elegante das cabeça aos pés. Ele sabia navegar sem fazer com que as águas se agitarem. Fica aí a lição. Quem quiser aprender vai dar continuidade a esse belo trabalho no jornal. As próprias estruturas do jornal são profundas. O Jornal do Commercio é um jornal enxuto com uma receita boa uma despesa regular e vive no verde. Nunca precisou bater em ninguém para fazer um jornalismo barato. Sempre veio de uma boa família. O Guilherme deixou uma história sólida. Ele era um espartano que se cuidava muito. Essa era imagem que eu tinha dele. E outra faceta que ele tinha era de um senhor pé de valsa”
Auri Silva, irmã
“Sou suspeita de falar do meu irmão. Mas, desde sempre ele foi uma pessoa íntegra. Se ele não pudesse fazer o bem ao outro o mal ele não fazia. Defeitos ele tinha como qualquer ser humano tem. Quando perdemos nosso pai ele ficou como se ele estivesse substituindo o papai. E sempre dizia a ele que ele não devia mais nada a nós e não precisava se preocupar com nós. O exemplo ela já tinha nos deixado. Ele sempre pensava nas pessoas que dependiam dele”
Ione Silva, irmã
“Era um grande irmão e companheiro. Passei dias com ele e São Paulo e não esperava que ele partisse assim sem se despedir. Só quero ter boas lembranças do meu querido irmão. É muito difícil vê-lo partir”
Ieda Silva, irmã
“Ele era mais que um irmão era um pai. Estou sofrendo muito, mas tenho fé em Deus que ele está em um bom lugar e não vai deixar de amparar a gente. O que nos resta agora é a saudade. E agora eu sou a irmã mais velha”
Comandante Lopes da Cruz, representante do Almirante Colmenero do 9º distrito naval da marinha
“O Dr Guilherme era um entusiasta da atividade naval, um grande parceiro e amigo da Marinha. Ele foi condecorado com uma medalha de honra ao mérito na qual a marinha destaca os nossos colaboradores mais próximo. Foi uma perda muito grande, e em nome do comandante Colmenero, comandante do 9º Distrito Naval e representante da marinha aqui em Manaus e no estado, dizemos que é uma perda imensurável. E toda força naval sente muito porque ele era muito próximo a nós"
Ricardo Braga, empresário
“Ele soube dinamizar o jornalismo amazonense e manter uma linha editorial firme e ética. Com muita dor vimos nos solidarizar a toda família. O trabalho dele foi muito bonito e uma perda muito grande para o Amazonas”
Miguel Jorge Mourão, presidente do jornal Maskate
“Vamos falar do conjunto da obra e não da perda. Ele deixou um legado muito grande. Ele levantou um jornal centenário e empregou muitos bons jornalistas que atuam até hoje. Um grande defensor da Zona Franca de Manaus e dos interesses do nosso estado do Amazonas. Meu eterno líder e presidente do presidente do Sindicato das Empresas Jornalísticas do Estado do Amazonas”
Adriane Oliveira, secretária executiva do Jornal do Commercio
“Aprendizado. A palavra que define ele. Era um chefe que sempre nos dava oportunidade de aprender nos mínimos detalhes e nas pequenas situações. O privilégio e a oportunidade de trabalhar com ele foi um presente concedido por Deus porque hoje sou uma pessoa muito melhor pelo tempo de convivência com ele. Ele dizia que de toda situação difícil que acontecesse conosco precisávamos tirar uma lição dela. Ele vai deixar um legado incrível de solidariedade, humanidade e empatia. Ele se preocupava muito com a conjuntura dos colaboradores do Jornal do Commercio”
Augusto Bernardo – Coordenador do Programa de Educação Fiscal no Amazonas
“O Programa Nacional de Educação Fiscal presta solidariedade à Família Jornal do Commercio e lamenta profundamente o falecimento do Presidente Guilherme Aluízio. Grande conhecedor e defensor da economia amazonense, Guilherme deixa seu nome marcado na história do jornalismo, do comércio, da indústria, do setor produtivo e da cidadania no Brasil”







