Análise aponta mudança na balança

Em: 20 de março de 2008
Em trabalho divulgado recentemente, o Iedi constatou que, medindo o resultado comercial brasileiro de manufaturas segundo a classificação adotada pela ONU …
Em trabalho divulgado recentemente, o Iedi constatou que, medindo o resultado comercial brasileiro de manufaturas segundo a classificação adotada pela ONU ...

Em trabalho divulgado recentemente, o Iedi constatou que, medindo o resultado comercial brasileiro de manufaturas segundo a classificação adotada pela ONU (SITC- Standard International Trade Classification), a passagem de 2006 para 2007 acusou uma mudança de superávit para déficit. Na análise de hoje, utilizamos uma classificação setorial para a indústria de transformação tendo por base uma classificação da OCDE, que difere do critério acima.
A metodologia da OCDE permite classificar a indústria segundo o conteúdo tecnológico dos setores. No que se segue, comparamos o desempenho da produção e do saldo comercial segundo a intensidade tecnológica da indústria.
Em 2007, a indústria de transformação logrou seu melhor resultado desde 2004. Por outro lado, o superávit comercial dos produtos típicos dessa divisão da indústria declinou bastante frente a 2006, de US$ 29.8 bilhões para US$ 18.8 bilhões. A demanda interna e o câmbio apreciado respondem por tais comportamentos dissonantes.
Agrupando as atividades da indústria de transformação por intensidade tecnológica segundo os critérios da OCDE, há aspectos relevantes a se considerar.
Dos quatro segmentos por intensidade tecnológica, a saber, alta, média-alta, média-baixa e baixa, apenas a de média-alta experimentou crescimento da produção física acima do da indústria de transformação como um todo (6,0%) em 2007 frente ao ano anterior. No entanto, foi justamente esse o segmento cuja balança comercial, relativamente, mais se deteriorou.
Após obter as mais altas taxas de expansão da produção física no biênio 2005-2006, o segmento de alta tecnologia continuou crescendo, mas em menor intensidade: 4,2%, resultado também abaixo da indústria de transformação em sua totalidade. Sua balança comercial se deteriorou ainda mais: déficit de US$ 14.8 bilhões em 2007. Apenas a indústria aeronáutica obteve superávit. Produtos farmacêuticos, de informática e escritório, além de instrumentos de precisão, perceberam déficits maiores do que em anos anteriores, puxados pela demanda doméstica.
O maior déficit comercial registrado nessa faixa em 2007 foi em equipamentos de rádio, TV e comunicações, cuja produção em 2007 caiu 1,1%. Entre os produtos dessa atividade estão os componentes eletrônicos, utilizados como bens intermediários em vários segmentos produtivos, e muitos dos quais não são produzidos no país e que muito dificilmente virão a sê-lo a permanecer o nível apreciado do câmbio.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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