O possível rebaixamento do rating soberano do Brasil este ano e especulações sobre a sucessão do ministro da Fazenda, Guido Mantega, concentraram as conversas de executivos de bancos de investimento e economistas em um evento em Nova York para debater perspectivas para o Brasil em 2014. Sem reformas, o país está fadado a crescer entre 2% a 3% ao ano, concluíram os especialistas.
Em ano eleitoral, economistas presentes no evento, realizado no final da tarde de quarta-feira (8), em auditório lotado na sede do Bank of America (BofA), e que representam bancos como Goldman Sachs, Jefferies, além do BofA e a gestora Schroders, não preveem reformas e mudanças na política econômica em 2014. O pior cenário para o país este ano, concluem os especialistas, seria ter sua classificação de risco rebaixada pela S&P (Standard & Poor’s) com a perspectiva da nota mantida em “negativa.” Ou seja, isso indicaria que o país poderia perder em breve a classificação grau de investimento.
Para o gestor responsável por mercados emergentes na Schroders, Jim Barrineau, Wall Street já embutiu nos preços dos ativos brasileiros um eventual rebaixamento da nota pela S&P em um nível e com perspectiva estável. Mas o que ainda não está precificado seria um rebaixamento com perspectiva negativa. Isso poderia provocar novos ajustes de preços de ativos brasileiros, diz ele.
O evento foi organizado como uma mesa redonda, com os economistas e gestores comentando temas e respondendo perguntas da plateia. Uma das questões que surgiu foi se um eventual rebaixamento do rating pela S&P poderia fazer a presidente Dilma Rousseff trocar o ministro da Fazenda. O consultor político de Brasília, Murillo de Aragão, que fez a palestra de abertura, acha pouco provável, pois a troca mostraria que o governo brasileiro estaria dando demasiada importância ao rebaixamento e é isso que Dilma não quer, sobretudo se o evento ocorrer antes das eleições.
Aragão acha mais provável a mudança no Ministério da Fazenda se Dilma for reeleita. Na plateia, investidores e executivos perguntaram sobre eventuais sucessores. O consultor citou o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles e o atual, Alexandre Tombini, como possíveis nomes. Os executivos de bancos de investimento também lembraram o nome do atual presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho.
A chefe de estratégia do banco de investimento Jefferies para América Latina, Siobhan Morden, avalia que Dilma não tem reagido muito aos anseios do mercado financeiro e por isso, se houver qualquer mudança na Fazenda, deve ocorrer depois das eleições. Para ela, a piora nos últimos anos de indicadores importantes do Brasil minou a confiança dos investidores em Mantega e se Dilma fosse mais amigável ao mercado, o ministro já teria sido trocado. “Talvez as coisas ainda precisem ficar piores no Brasil para depois melhorarem. Gostaria de ser mais otimista, mas nada indica que as coisas vão mudar muito após as eleições, sobretudo se Dilma vencer por margem ampla de votos,” disse ela.
Reformas
Para os economistas, sem reformas internas, como vem fazendo o México, e em meio a um cenário externo mais adverso, com menos liquidez, o Brasil deve continuar com baixo crescimento nos próximos anos. O “novo normal” do país é uma expansão anual na casa dos 2% a 3%, diz o gestor da Schroders. Na avaliação do economista do Goldman Sachs, Alberto Ramos, o país não consegue elevar seu PIB (Produto Interno Bruto) potencial sem melhora da educação, aumento do investimento, gastos mais eficientes do governo e aumento do comércio externo.
O evento em Nova York foi organizado pela Trade Association for the Emerging Markets, também conhecida como EMTA, uma associação que reúne investidores e economistas focados em mercados emergentes.







