O setor laboratorial apresentou um crescimento médio de 15% no faturamento de 2007, em comparação a 2006, segundo dados da SBAC-AM (Sociedade Brasileira de Análises Clínicas no Amazonas). Apesar disso, empresários do setor que movimenta R$ 3 milhões por ano na cidade não se mostram otimistas. O motivo é a manutenção dos preços tabelados pelos convênios.
O presidente da SBAC-AM, João Avelino, ao contrário dos empresários, não ressaltou pontos negativos do mercado, embora reconheça o risco dos laboratórios locais perderem espaço para concorrentes de fora que planejam entrar na concorrência. “Muitos estão se equipando com máquinas modernas, as quais não tínhamos acesso há algum tempo”, disse.
As informações da sociedade indicando a modernização mostram que todos estão automatizados, e com reagentes (substâncias para a realização dos exames) de alta qualidade. “Isso é fundamental se quisermos responder ao know-how trazido por empresários de fora. Do contrário poderemos fechar, uma vez que os preços deles são geralmente abaixo do preço de mercado”, explicou.
O presidente é também proprietário do laboratório CPDE (Centro de Pesquisa e Diagnóstico Especializado). “Procuramos trazer todas as tecnologias de ponta, e realizar uma gama variada de exames. A dificuldade é a procura aquém do necessário para cobrir os custos”, observou Avelino.
Resultados positivos
Apesar de reconhecer a dificuldade pela qual passa o setor, o proprietário do Laboratório São José, Nonato Conde, mencionou dados positivos, mas exclusivamente dos seus próprios negócios. O faturamento entre janeiro e novembro de 2007, por exemplo, foi 40% maior que os onze primeiros meses de 2006.
Mesmo com a perda de um convênio responsável por R$ 20 mil ao ano, com um total de 5.000 exames mensais, outros contratos foram assinados e recuperaram a média de 20 mil exames distribuídos todo mês.
Para 2008, Conde anunciou investimentos de R$ 140 mil em máquinas, equipamentos e ampliação. “Esse aporte tem o objetivo de melhorar a qualidade e a rapidez dos exames. Além disso, nosso espaço físico não está mais comportando nossa demanda”, afirmou.
Preços estão congelados
Nonato Conde explicou que os problemas do setor residem na manutenção da tabela de preços dos convênios, congelada há 12 anos. “Se fôssemos uma classe unida, poderíamos ter forças junto a Unimed, ao SUS [Sistema Único de Saúde] e demais convênios”, disse.
Queixa frequente
O desempenho do Laboratório São José, contudo, não representa uma expansão expressiva no setor como um todo. No Cedaclin (Centro de Diagnóstico e Análises Clínicas), por exemplo, a alta no faturamento é de apenas 8%. “Os insumos e os encargos sociais, por exemplo, aumentam todo ano. Em contrapartida, os convênios há mais de dez anos não alteram suas tabelas, e isso nos prejudica”, afirmou o proprietário, Marcio Ribeiro Monteiro.
“Estamos perdendo a característica de reinvestimento, por causa desse fator”, disse, observando que é possível inclusive que haja queda no que diz respeito à qualidade. “Essa situação tem gerado desemprego, tanto que há três anos tínhamos 16 funcionários. Hoje somos apenas 9”, completou.
Não há perspectivas , pelo menos a curto prazo, de investimentos no Cedaclin. O executivo comentou ter medo de assumir compromissos e não conseguir cumpri-los. “Esperamos que haja ao menos um pequeno reajuste nos convênios. Não está nada fácil”, desabafou Monteiro.
Cenário local
Em Manaus, segundo o presidente da SBAC-AM, existem 42 laboratórios privados de análises clínicas, que realizam cerca de 2 milhões de exames por mês. Entre janeiro e novembro do ano passado, houve um incremento de 35% no volume de exames requisitados em relação a igual intervalo do ano anterior. Em média, cada laboratório tem 20 funcionários.
Entre os exames mais requisitados estão o hemograma, parasitológico de fezes, dosagem de glicose e colesterol. “Hoje as pessoas têm requisitado bastante







