O Jornal do Commercio, com seus 121 anos de história ininterrupta no Amazonas, foi um dos veículos da imprensa homenageados pela ANJ (Associação Nacional de Jornais) nesta quinta-feira (4), em São Paulo, durante a cerimônia que celebrou a contribuição histórica de 13 jornais centenários associados à entidade. Fundado em 2 de janeiro de 1904, o JC marcou presença como único representante da Amazônia e de todo o Norte do país, em um momento histórico para o veículo e para a região.
O evento, realizado no auditório da ESPM-TECH, reforçou o papel dos jornais centenários como instituições que atravessaram repúblicas, ditaduras, crises políticas, revoluções tecnológicas e transformações profundas no consumo de mídia, mantendo vivo o compromisso com a verdade factual e o interesse público.

121 anos de Amazônia
Representando o Jornal do Commercio, o CEO Sócrates Bomfim recebeu a homenagem destacando o peso simbólico de ser o único jornal centenário ativo no Norte presente na solenidade. “O Jornal do Commercio se manteve esses 121 anos em pé e trabalhando. É uma honra e uma responsabilidade muito grande receber essa homenagem sendo o único representante da Amazônia e da Região Norte.”
Sócrates Bomfim, que é a segunda geração a conduzir o grupo desde a administração iniciada por seu pai, o empresário e jornalista Guilherme Aluízio, lembrou o legado familiar e o compromisso com a continuidade. “Muito orgulhoso pela história que viemos construindo e preparando para que a terceira geração assuma. Minhas filhas já estão se preparando para dar continuidade a esse legado de informação, história e registro da evolução do nosso Estado e do nosso povo.”
Sobre o futuro, ele reforçou que o JC segue em permanente evolução. “O JC trabalha todos os dias desde sua fundação. Já estamos produzindo a próxima edição do aniversário de Manaus, produto que vem simbolizando a nossa maarca, e projetando marcos importantes para 2025, como a retomada dos podcasts e o fortalecimento ainda maior do portal. Entre o impresso, o digital e as edições especiais, o povo doAmazonas pode esperar sempre mais do JC.”
“É momento de celebrar quem resistiu”, diz João Roberto Marinho
Entre os homenageados, estava também O Globo, que completou 100 anos em 2025. Representando o jornal carioca, o presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, destacou a relevância histórica dessas instituições e a importância de reconhecer quem sobreviveu a tantos ciclos turbulentos. “Hoje vim representar O Globo, também centenário, e dizer que é momento de celebrar esses jornais que chegaram até aqui. Passaram por momentos difíceis economicamente, politicamente, viveram épocasviolentas e de ditadura, e ainda estão aqui, trabalhando por um país melhor”.
Para Marinho, a presença dos jornais na vida pública do Brasil segue incontornável, independentemente do formato. “Não tenho dúvida de que os jornais permanecem relevantes e essenciais. Sempre existirão pessoas que preferem o papel, mas a relevância dos jornais vai muito além disso. Seja no impresso, na internet ou nas redes
sociais, o cuidado é o mesmo e a relevância é cada vez maior. Quem produz notícia real sustenta a informação no país. E esses jornais centenários estarão aqui ainda por muito tempo”, avaliou.
ANJ: reconhecimento permanente aos centenários
Para o presidente-executivo da ANJ, Marcelo Rech, a homenagem marca o início de uma tradição anual da entidade para celebrar veículos que atingem esse marco histórico. “Surgiu a ideia de homenagearmos todos os anos as empresas de jornal que se tornarem centenárias. Começamos com esses companheiros que já trilharam esse caminho e contribuiram para a nossa história e pela democracia. É muito satisfatório receber o Jornal do Commercio, único na região Norte a ultrapassar os 100 anos.
Parabenizo o grupo pela força com que caminhou até aqui, somando serviços essenciais ao povo brasileiro e ao seu Estado.”
Rech destacou ainda que os centenários são pilares de memória, fiscalização e estabilidade democrática, especialmente em tempos de desinformação. “Para um jornal chegar a 100 anos precisa ter o reconhecimento de fato que aquele patrimônio, aquele
ativo, lastreado em confiança e credibilidade, não apenas foi reconhecido pela comunidade, mas que é uma alavanca fundamental para o futuro”, comentou. “Não se faz uma história de credibilidade, de confiança da noite para o dia, em dois meses, três meses, um ano ou dez anos. São décadas contadas e em algumas ocasiões até séculos”, afirmou.
O presidente do Conselho de Liberdade de Imprensa da ANJ, Francisco Mesquita Neto, lembrou os desafios futuros. “Com enorme facilidade e baixo custo, grupos mal-intencionados têm utilizado a IA para distorcer fatos, criar ilusões quase reais e
gerar incerteza” “Por serem confiáveis e resilientes, os treze diários que homenageamos ultrapassaram cem anos de atividades, superando guerras, ditaduras, crises e grandes mudanças, mantendo seus propósitos e ajudando os brasileiros a tomarem decisões de forma crítica e livre”, ressaltou. Para Mesquita, celebrar os jornais centenários é celebrar a credibilidade, decisiva para o aprimoramento da democracia e
do desenvolvimento sustentado. “Um jornal é um ser vivo, e chegar aos 100 anos significa ter cumprido a missão de informar, formar opinião e difundir cultura. Temos muito a celebrar”, disse, ao enfatizar que o jornalismo é o grande antídoto à desinformação e pilar da democracia.
Legado reafirmado
Com 121 anos, e a poucas semanas de completar 122 anos de circulação ininterrupta, em 2 de janeiro, o Jornal do Commercio retorna da cerimônia reafirmando seu papel único no país: conectar a Amazônia ao Brasil, preservar a memória da região e garantir que as vozes e histórias do Norte continuem registradas por um jornalismo profissional,independente e comprometido com o interesse público.







