Ano da e-Páscoa?

Em: 13 de abril de 2022

Varejo eletrônico é mais setor de olho na Páscoa

Provando que as datas comemorativas são aliadas do comércio quando se trata de movimento nas vendas e no consumo, o varejo eletrônico se prepara para mais uma. A Páscoa, celebrada no próximo domingo (17), deve garantir bom faturamento para o setor  e ainda se sobressair em relação ao mesmo período do ano passado. Pelo menos é o que projeta um levantamento da Neotrust, empresa que monitora mais de 85% do e-commerce brasileiro, que pertence ao TGroup.

De acordo com a empresa, o ano de 2022 deve ser marcado pela retomada das vendas de Páscoa, com aumento de 10% no faturamento nas vendas online, que deve atingir R$ 6,6 bilhões.

O estudo aponta que em 2021, apenas as vendas de ovos de Páscoa, chocolates e bombons geraram faturamento de R$ 81,9 milhões, montante 87% maior que os R$ 43,7 milhões faturados em 2020. Essa diferença foi ainda maior no comparativo entre 2020 e 2019, quando o faturamento atingiu R$ 5,4 milhões — o que representa aumento de 697% em 2020.

Proporcionalmente, o número de pedidos e de produtos comprados online durante a Páscoa também aumentou desde o início da pandemia. Em 2021, foram realizados mais de 840 mil pedidos online de ovos de Páscoa, chocolates e bombons, o que equivale a 164% mais do que os 318 mil pedidos de 2020. No comparativo com 2019, quando foram realizados 44 mil pedidos online, o crescimento foi de 614% em 2020.

Em 2021 foram comprados mais de 6 milhões de chocolates, bombons e ovos de Páscoa, o que representa um aumento de 144% em relação aos 2,4 milhões de produtos em 2020. Já no comparativo com 2019, quando foram comprados 208 mil chocolates, bombons e ovos de Páscoa, o crescimento em 2020 foi de 1091%.

Paulina Dias, Head de Inteligência da Neotrust, ressaltou que as compras online de ovos de Páscoa cresceram menos em 2021 do que as de chocolate e bombons. Mesmo assim, essa continua sendo a categoria de produtos mais vendida no período. 

“Ao longo dos anos, observamos uma sazonalidade interessante em relação às compras online de bombons, chocolates e ovos de Páscoa. Enquanto em 2019 o pico de vendas foi apenas na Páscoa, em 2020 houve picos de venda na Páscoa e em maio. Já em 2021, foram constatados três picos: na Páscoa, em novembro (Black Friday) e em dezembro”, aponta Paulina Dias.

“Também é importante ressaltar que os supermercados são os canais online mais buscados para as compras de Páscoa. Contudo, as lojas de departamento vêm ganhando força em todo o país, com destaque na região Sudeste”, destaca a Head de Inteligência da Neotrust.

Fatores atribuídos à tendência

A especialista em marketing digital, Rose Sobrinho, reforçou que a pandemia teve um papel importante para esse comportamento. Com o longo período de confinamento, as pessoas que não tinham esse costume foram obrigadas a adotar essa forma de compra e quem já tinha só aperfeiçoou.

Outro fator que contribuiu foi a profissionalização das empresas que foram obrigadas a criar alternativas de vendas e facilitação dos meios de venda online. 

“Os aplicativos de delivery e ferramentas como whatsapp, que domina o mercado no Brasil e é acessível a todas as classes sociais, tiveram papel importante na educação desse consumidor online. Aliado a isso, vem o fato de que as pessoas precisam de uma motivação para comprar. As datas comemorativas acabam reforçando esse comportamento e com essa “experiência” de compra online validada, o comércio online cresceu e a tendência é que seja cada vez mais utilizada”, analisou. 

Números

Em 2021, o faturamento do e-commerce com ovos de Páscoa ultrapassou R$ 55,6 milhões, contra os R$ 32,2 milhões faturados em 2020. Já o faturamento com chocolates ultrapassou R$ 20,4 milhões, contra os R$ 8,5 milhões faturados em 2020. E o faturamento com bombons ultrapassou R$ 5,9 milhões, contra os R$ 2,9 milhões faturados em 2020.

Pesquisa de intenção de compras de Páscoa realizada pela CDL Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas),  entre 11 e 17 de março de 2022, com 803 pessoas, entre homens e mulheres de 18 a 25 anos revelou que antes das compras os consumidores costumam pesquisar os preços, especialmente nas mídias sociais (55,70%). A  internet e lojas virtuais estão entre a preferência de (8,90%).

Comodidade e o frete grátis também estão entre os fatores que influenciam as compras de presentes para a data com (24,10%) e (16,50%), respectivamente.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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