Na primeira parte do artigo tratamos do verdadeiro “apagão” pelo qual o Brasil passa: a falta de mão-de-obra qualificada, profissional e preparada. Descrevemos a deficiência de dois fatores como uma das causas: educação familiar e formação escolar.
Dando continuidade ao nosso último texto, gostaríamos de enumerar outras causas, que têm como consequência a escassez de profissionais qualificados no mercado.
Capacitação técnica
Muitos profissionais delegam à formação escolar formal (cursos técnicos e universidade) a responsabilidade pela sua capacitação técnica. E “capacitação técnica” é o conhecimento de um determinado assunto ou atividade, desenvolvido e aplicado por um profissional, de forma eficiente, eficaz e efetiva. Por exemplo: quando dizemos que alguém é um mau profissional, estamos falando em termos abrangentes. Ele pode até possuir competência técnica, mas ter uma série de atitudes (comportamento) que não coadunam com o que a sociedade e o mundo corporativo espera dele. Porém, competência técnica é a base. Sem o conhecimento aprofundado naquilo que o profissional se propõe, não adianta ter um comportamento e atitudes irrepreensíveis, pois não conseguirá os resultados para os quais é contratado e remunerado.
A aquisição de competência técnica é de responsabilidade do próprio profissional. E não pode ser delegado à universidade ou escola técnica. É claro que a formação secular (institucionalizada) é importante fonte de aquisição de conhecimento. No entanto, a busca e aplicação deste conhecimento é responsabilidade do próprio indivíduo.
E para isso deve investir em:
aEducação continuada: Ninguém mais pode parar de estudar. E o estudo deve ser abrangente, englobando cursos formais, técnicos, especializações, cursos de idiomas, etc.
aLeitura: Todo o conhecimento encontra-se na leitura de livros. Atualmente, com tamanho acesso à informação, através da internet com seus portais, blogs e comunidades virtuais, temos a falsa sensação de que estamos adquirindo conhecimento. Essas fontes virtuais, além de revistas e periódicos diversos, quando muito, nos mantêm informados das notícias de “vida curta”, dos fatos que acontecem em nosso mundo. O conhecimento, entretanto, se encontra nos bons livros.
aExperiência de trabalho: Não há como adquirir competência técnica sem “treino”, ou seja, sem trabalhar, trabalhar, trabalhar. É incrível como os currículos da maior parte de jovens profissionais demonstram a pouca permanência em suas funções nas empresas, atuando por cerca de seis, oito, 12 meses num emprego. São profissionais que não conseguiram tenacidade o suficiente para permanecer num emprego, aprender, praticar, reaprender, melhorar.
A competência técnica é o “ingresso” para entrar no jogo. E é responsabilidade do profissional obtê-la.
Comunicação
É bastante difícil encontrar o currículo de um jovem na faixa de vinte e cinco anos, de classe média em diante, que não tenha um bom domínio do idioma inglês. Isso é ótimo e sem dúvida significa um avanço na preparação dos jovens profissionais brasileiros. Mas infelizmente, é verdade que uma grande parte dos profissionais (às vezes estes mesmos jovens com tão boa proficiência em outro idioma) não sabem o “português”, que é nossa língua oficial. Percebemos que em muitos processos de seleção que realizamos, se não tivermos alguma complacência com o mal português, não teremos ao final, sequer um único candidato.
Todos os dias, recebemos e lemos mais de uma centena de e-mails e é triste como a nossa língua é aviltada em sua escrita.
Para ser considerado qualificado, o profissional deve praticar uma boa comunicação verbal e escrita. E fazer isso não é exatamente um diferencial. É obrigação e requisito básico indispensável.
Esta coluna é publicada às sextas-feiras e é elaborada sob a coordenação do administrador, consultor empresarial e diretor da MB Consultoria Marx Alexandre Corrêa Gabriel. [email protected]







