Aperto terá efeito esperado, diz BlackRock

Em: 28 de abril de 2011
É possível que o Banco Central aumente a Selic mais uma vez, na próxima reunião, em 0,50 ponto percentual, para 12,50%
É possível que o Banco Central aumente a Selic mais uma vez, na próxima reunião, em 0,50 ponto percentual, para 12,50%

O diretor-gerente de portfólio para América Latina da BlackRock, Will Landers, disse hoje que a demanda doméstica no Brasil continua forte, mas deve desacelerar Segundo ele, é possível que o Banco Central aumente a Selic mais uma vez, na próxima reunião, em 0,50 ponto percentual, para 12,50%, mas ressaltou que com o aperto que foi feito até agora a inflação deverá convergir para perto do centro da meta de 4,5% até o fim de 2012.
“O consumo ainda está no ar no Brasil, mas o governo está fazendo o que deve ser feito”, disse Landers, em mesa-redonda com jornalistas, na sede da empresa, em Manhattan. “O Banco Central está aumentando os juros, mas leva algum tempo para isso ter efeito. Por isso, não acho que o BC esteja atrás da curva. O aperto vai ter o impacto que se espera e o crescimento do crédito deve desacelerar”, afirmou.
O executivo disse ainda que apesar das preocupações com a inflação, o Brasil tem fundamentos sólidos, que se reflete no influxo de capital no País. “A qualidade do dinheiro que entra no Brasil está melhorando. Muito desse fluxo já não é apenas de curto prazo, mas investimento estrangeiro direto, de longo prazo Por isso, o BC está aceitando um real mais forte”, avaliou.
Landers evitou, no entanto, estimar que nível de dólar o governo estaria “aceitando” agora. “Pode ser R$ 1,50, mas quem sabe o que se passa na cabeça do ministro”, afirmou. Landers também disse que não acredita que o governo venha a adotar medidas mais agressivas de controle de capital, como a quarentena. “Não vejo algo assim sendo feito no curto prazo”.
Landers avalia ainda que o governo brasileiro não devia estar tão focado em fazer reparos no curto prazo, mas em fazer os “consertos” no longo prazo. “Acho que o governo deveria estar com foco em tornar o Brasil mais competitivo, em fazer reformas, como a fiscal, em investir em infraestrutura para que seja possível ter uma Copa do Mundo de nível global, mas claro, não somente pensando em Copa do Mundo”, comentou.
A BlackRock tornou-se a maior gestora de ativos do mundo após a compra do Barclays, em 2009, totalizando atualmente US$ 3.5 trilhões de ativos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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