Apesar de falta de trigo, produtor quer reserva de mercado

Em: 21 de maio de 2009
Os produtores de trigo brasileiros estão dispostos a manter a reserva de mercado, apesar da expectativas de possibilidade de falta do cereal para o país nos próximos meses
Os produtores de trigo brasileiros estão dispostos a manter a reserva de mercado, apesar da expectativas de possibilidade de falta do cereal para o país nos próximos meses

Os produtores de trigo brasileiros estão dispostos a manter a reserva de mercado, apesar da expectativas de possibilidade de falta do cereal para o país nos próximos meses. “Vamos brigar até o último cartucho para que, se houver necessidade de importação de trigo, que seja com a TEC (imposto de importação denominado Tarifa Externa Comum)”, defendeu o presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Culturas de Inverno, Rui Polidoro Pinto, momentos antes da 23ª reunião ordinária da Câmara, no Ministério da Agricultura.
Diante da hipótese de falta de produto até o início da safra doméstica (a colheita deve começar em agosto ou setembro), o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, sinalizou que a Camex (Câmara de Comércio Exterior) poderia reduzir o imposto do cereal comprado de países fora do Mercosul já na próxima reunião, prevista para ocorrer ao final deste mês ou início do próximo. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, descartou a hipótese para o curto prazo, afirmando que, cabe ao ministério propor o assunto. De acordo com ele, se houver necessidade de compra de trigo de países de fora do Mercosul, a TEC só deverá sofrer alteração mais para frente, a partir de julho.
A postergação da medida por parte do ministério tem como objetivo a manutenção dos preços para os produtores nacionais. No ano passado, quando a Argentina já havia reduzido suas exportações do cereal, o governo brasileiro permitiu que 2 milhões de toneladas de grãos trazidas de fora do Mercosul ficassem isentas de tributo. A medida acabou influenciando os preços e diminuindo o incentivo à produção nacional, que é o que o governo quer evitar em 2009.
“Temos alguns problemas já de desestímulo à plantação, como a seca e o preço mínimo adotado para o trigo abaixo das nossas expectativas”, citou Polidoro Pinto. De acordo com ele, o setor reivindicava um incremento de 20% para o preço mínimo do trigo este ano na comparação com 2008, mas o governo concedeu reajuste de 10% para o cereal usado na produção de pães e de 5,40% para os demais tipos de trigo.
O presidente da Câmara Setorial admitiu que o total produzido hoje não será suficiente para atender à demanda doméstica pelo produto. De acordo com o ministério, a demanda brasileira é de, aproximadamente, 11 milhões de toneladas por ano, enquanto a projeção da safra doméstica 2009/2010 está em 6,5 milhões de toneladas. “Para o pleno abastecimento, irá faltar produto brasileiro. De quem o Brasil vai comprar, não sei. Espero que seja da Argentina”, disse Polidoro Pinto. Na avaliação do presidente da Câmara, o anúncio feito pelo país vizinho, de que não entregará cereal ao Brasil em 2010, nada mais é do que “um blefe”. “A Argentina exportará para o Brasil. Eles sempre blefam”, minimizou Polidoro Pinto.
Ele também afastou a possibilidade de alta do preço do pãozinho por conta de uma possível falta de produto. “Vamos plantar, a Argentina vai exportar e o preço pode até baixar”, disse. De acordo com ele, a área plantada de trigo hoje é de 2,3 milhões de hectares no país e o volume de estoque no Paraná e Rio Grande do Sul é de, aproximadamente, 1 milhão de toneladas.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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