Apesar de pequena, Zona Centro-Oeste de Manaus possui sua beleza

Em: 28 de outubro de 2021

Mesmo sendo considerada a menor zona da cidade, a Zona Centro-Oeste possui seus encantos. Para quem mora nessa zona, não há outra igual e sempre há alegria para dar e vender. 

A zona Centro-Oeste é a menor das seis zonas da cidade de Manaus quando se fala em tamanho, possuindo apenas 1.800 hectares. Ela é composta por apenas cinco bairros: Alvorada, Da Paz, Dom Pedro, Planalto e Redenção.

Seu bairro com maior extensão territorial é o Alvorada, que lidera a disputa com 553 hectares, seguido pelo bairro do Planalto, Redenção, Dom Pedro e Bairro da Paz. 

Já quando se fala em número de habitantes, a Zona Centro-Oeste também está na última posição em relação às outras zonas da cidade. Possui cerca de 150 mil habitantes. 

Seu bairro mais populoso é o Alvorada, que possui cerca de 65 mil habitantes, seguido da Redenção, Dom Pedro, Planalto e Bairro da Paz, com um pouco mais de 15 mil habitantes. 

É impossível não falar de carnaval sem falar da Zona Centro-Oeste, que segundo os moradores da região, é lá que a magia acontece. 

Para Naia Fernandes, de 52 anos, o bairro Alvorada é repleto de histórias e alegrias, principalmente em época de carnaval. Segundo ela, por conta da escola de Samba Unidos do Alvorada, que é uma das principais atrações do bairro, a família acaba se envolvendo na brincadeira durante todo o ano. 

“Pra mim, o carnaval é a melhor festa. Aqui no Alvorada nós esperamos por isso o ano inteiro e sempre com muita alegria. Agora estamos começando os ensaios e a família toda sempre vai acompanhar.” Relata. 

Durante a época de carnaval, a Avenida do Samba fica recheada de alegria e diversão, deixando o carnaval da cidade ainda mais colorido. Para os apaixonados pela folia, o Sambódromo e a Avenida são os pontos da cidade com maior número de brincantes durante o mês de fevereiro. 

A Zona Centro-Oeste também é conhecida por abrigar alguns dos maiores hospitais de referencia da cidade como a Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT) e a Fundação Centro de Oncologia do Estado do Amazonas (FCECON), além de dois CAICs e um SPA. 

Podemos encontrar também na zona Centro-Oeste a Delegacia Geral do Estado do Amazonas, a base da Ronda Ostensiva Candido Mariano (ROCAM), a sede da Polícia Federal, Distritos Integrados e Polícia (DIP’s), Companhias Interativas de Polícia (CICOM’S) e até Delegacias Especializadas. 

Para os moradores antigos, a zona Centro-Oeste é repleta de encanto e magia. Lindalva Fernandes, de 80 anos, mora na zona há pelo menos 40 anos, ela se mudou com o esposo na década de 80 para morar mais próximo dos pais, que na época também moravam no local. Hoje ela conta com orgulho que os 7 filhos nasceram e foram criados na zona centro-oeste. 

“Eu sempre gostei de morar aqui e nunca pensei em sair. Depois que me mudei para cá, abri meu comércio e criei todos os meus filhos. Somos os moradores mais antigos dessa área e todos nos conhecem. Até meus irmãos se mudaram para cá e hoje todos moramos no mesmo bairro.” 

O bairro do Dom Pedro é famoso pela variedade de restaurantes, que atendem boa parte da população manauara, além de praças públicas e opções de lazer. Nele podemos encontrar também diversos condomínios residenciais e conjuntos habitacionais como Dom Pedro I E II, Kíssia I e II, Débora e outros. 

Planalto é um dos bairros que faz fronteira com a zona Oeste de Manaus, é considerado também um dos bairros classe média e classe media alta na cidade. Lá podemos encontrar diversos condomínios fechados e também uma das principais ruas de ligação entre os bairros zona, a Avenida Desembargador João Machado. 

Já o bairro Da Paz, surgiu como uma invasão que foi deslocada de outra zona da cidade, conforme os anos se passaram, a invasão que antes era conhecida por uma grande extensão de área verde nas proximidades do aeroporto, passou a receber serviços do poder público. 

E por último, a Redenção. É um bairro que possui grande área comercial, deixando os moradores ainda mais satisfeitos, sem que haja a necessidade de saírem para outras zonas da cidade. É conhecido também por abrigar uma comunidade indígena saterê mawé desde a década de 90.

DESTAQUE EDUCAÇÃO

Criada há 24 anos por um grupo de amigos, a Escolinha do Unidos do Alvorada vem trazendo alegria e incentivo para as crianças e jovens do bairro. Para os criadores do projeto, a maior gratificação é poder ver o futuro brilhante que cada um tem pela frente.

Para um dos fundadores do projeto, Joacy Castelo, mais conhecido no bairro como ‘Jacaré’, de 60 anos, o incentivo tem trazido alegria para a vida das crianças do Alvorada, que segundo ele, costumavam brincar nas ruas, sem ter um espaço destinado a elas. 

Após a criação da escolinha, as crianças que antes tinham vergonha em dizer que moravam no bairro por conta da criminalidade, hoje conseguem falar com orgulho que fazem parte de um bairro que incentiva a educação e a atividades infantis. 

“Após 22 anos da criação da escolinha vimos que eles estavam tendo dificuldades na escola. Foi então que surgiram as aulas de reforço e o cantinho da leitura. Antes tínhamos 100 crianças matriculadas, hoje esse número se aproxima de 300.” 

Por conta da falta de professores voluntários, as aulas de reforço e cantinho da leitura que deveriam acontecer 3 vezes na semana, estão acontecendo apenas aos sábados e reúnem cerca de 150 crianças.

DESTAQUE SAÚDE

Durante a segunda onda da Covid-19 em Manaus, a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas, precisou suspender totalmente as cirurgias para o tratamento de câncer de mama na cidade. Para que as pacientes não fossem prejudicadas por conta da suspensão, 22 delas conseguiram com a apoio da FCecon a transferência para outros estados e realizaram a cirurgia sem nenhum transtorno. 

Esse ano, a Fcecon comemora a marca de 12,3 mil consultas e cirurgias para o tratamento do câncer de mama. 

Hilka Espírito Santo, de 56 anos, é presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional Amazonas e gerente do serviço de mastologia da FCecon. Para ela, quanto mais cedo for o diagnóstico do câncer de mama, mais chances de cura terá essa mulher e menos invasivo será o tratamento.

“Essas altas significam primeiramente a possibilidade e liberação de novas vagas de atendimento. Em segundo lugar que essas pacientes foram atendidas da forma correta e já conseguem levar suas vidas normalmente. E por último, que essas mulheres não precisam mais do atendimento médico da Fundação. Isso nada mais é do que a coroação de uma vitória.”

Para a ex-paciente oncológica da FCecon, Rosenira Pinheiro, a cura é o resultado da persistência. Ela descobriu o câncer de mama no ano de 2016 e naquele mesmo ano, precisou fazer uma cirurgia para a retirada dos seios. Após 5 anos de tratamento, recebeu a tão sonhada notícia de que estava curada. 

 “Sempre que eu ia para as minhas consultas na FCecon, eu via o sino da cura e dizia para mim mesma que um dia iria toca-lo. No dia 26 de agosto deste ano eu descobri que estava curada, pude tocar e mostrar para todos que estava curada do câncer.” Relata 

Foto/Destaque: Laíssa Carvalho 
Reportagem de Laíssa Carvalho e Rita Ferreira

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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