Após eleição, PMDB já endurece discurso contra Dilma

Em: 7 de fevereiro de 2013
Passada a eleição para o comando da Câmara, a bancada do PMDB já subiu o tom das críticas contra a presidente Dilma Rousseff e o PT
Passada a eleição para o comando da Câmara, a bancada do PMDB já subiu o tom das críticas contra a presidente Dilma Rousseff e o PT

Passada a eleição para o comando da Câmara, a bancada do PMDB já subiu o tom das críticas contra a presidente Dilma Rousseff e o PT. Após a vitória apertada de Henrique Eduardo Alves (RN) para a presidência da Casa, deputados da legenda repetiam pelos corredores que esperavam uma vitória mais consistente, superior aos 271 votos obtidos por ele. Foi em meio a queixas e ataques dos colegas de Planalto que o novo líder peemedebista na Casa, o deputado Eduardo Cunha (RJ), realizou nesta terça-feira (5) sua primeira reunião com a bancada e viu o que deveria ser um encontro para afagos virar uma sessão de terapia. As reclamações versaram principalmente sobre o “tratamento diferenciado” recebido em relação a colegas do PT.
“Nosso amigos do PT nos acham os companheiros mais necessários e também os mais indesejados”, afirmou Alceu Moreira (RS). “Viramos homologadores de medidas provisórias. Não vim aqui para emprestar o meu dedo para um painel digital. Vim para expressar minhas ideias”, critica. A falta de uma agenda própria do PMDB também é citada como motivo de irritação dos parlamentares do partido.“Passamos o tempo como office-boys do Poder Executivo”,diz Édio Lopes (RR), puxando o coro dos peemedebistas contra a “traição” sofrida na eleição de Henrique Eduardo Alves.
“Queremos que o governo nos trate como trata o PT. Não somos tratados como governo. Só somos lembrados quando vamos colocar nosso voto nas comissões e no plenário. Aí somos lembrados como governo”, reclama Antônio Andrade (MG).
Cunha ouviu as reclamações e, ao final da reunião, adotou um tom mais crítico contra o Planalto. “O PMDB não é base, é governo. E isso não significa ser um cordeirinho. O partido vai ser parceiro, mas vai se permitir discordar”, afirmou.
Ministério
A primeira cobrança a tomar corpo é a ampliação do espaço ocupado na Esplanada dos Ministérios. Na reunião de ontem, os peemedebistas reclamaram de ter deixado de disputar as eleições municipais de Belo Horizonte em apoio a Patrus Ananias (PT-MG), derrotado por Márcio Lacerda (PSB) –em troca de mais uma pasta na administração federal.“Dilma tirou o candidato do PMDB para apoiarmos o Ananias, mas cadê o ministério?”, questiona Darcísio Perondi (RS).
A expectativa é pela nomeação de Gabriel Chalita (SP) para o MCTi (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) até a primeira quinzena de março. A negociação está sendo tratada com a presidente Dilma Rousseff diretamente pelo vice-presidente Michel Temer. Chalita tem sido muito elogiado por Dilma a portas fechadas com Temer, mas há uma ala peemedebista estranhando a demora na nomeação. “O governo não consulta o Michel”, diz Perondi.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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