Após marca histórica de vazante, rios voltam a subir em novembro

Em: 26 de outubro de 2010
Após o rio Negro bater o recorde de vazante de 13,63 m, no último domingo, 24. A seca nos rios da Amazônia deve ser revertida até o próximo mês, seguindo o ciclo hidrológico da região
Após o rio Negro bater o recorde de vazante de 13,63 m, no último domingo, 24. A seca nos rios da Amazônia deve ser revertida até o próximo mês, seguindo o ciclo hidrológico da região

Após o rio Negro bater o recorde de vazante de 13,63 m, no último domingo, 24. A seca nos rios da Amazônia deve ser revertida até o próximo mês, seguindo o ciclo hidrológico da região. Segundo o superintendente de Usos Múltiplos da ANA (Agência Nacional de Águas), Joaquim Gondim, nos pontos de observação em Tabatinga e São Gabriel da Cachoeira já é possível perceber aumento no volume dos rios Solimões e Negro. Os dois rios, que sofreram este ano a maior seca desde 1902, formam o rio Amazonas, o maior em volume de água do planeta.
Segundo o superintendente, a seca nos rios foi causada pela diminuição das chuvas nas áreas de nascente na Colômbia e na Venezuela (Rio Negro) e na Cordilheira dos Andes no Equador e no Peru -o que diminuiu o degelo na região onde surge o rio Solimões.
Na opinião de um dos coordenadores do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), Marcos Ximenes Pontes, “episódios extremos [grandes secas e grandes cheias do rio] estão ficando cada vez mais frequentes e mais agudos”. Para ele, esses fenômenos confirmam as hipóteses de que as mudanças climáticas estão ocorrendo. Entretanto, ele acredita que é preciso fazer “estudos mais aprofundados para avaliar se é um momento de exceção ou tem a ver com a mudança”.
Joaquim Gondim afirma que a vazante dos rios “faz parte da variação natural do clima” e corresponde à ‘janela hidrológica anual’. Para ele, só um estudo de longo prazo que confirmasse a repetição das secas poderia alimentar alguma hipótese relacionada à mudança climática.
Os dois especialistas salientaram que a seca dos igarapés dos rios que formam o Amazonas tem isolado as populações que não podem circular de barco. Segundo eles, os ribeirinhos sofrem com a falta de abastecimento de alimentos e água potável e muitas crianças param de ir a escola por causa da falta de transporte.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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