Após as mortes de quase 500 pessoas no Quênia devido à controvérsia em torno do resultado das eleições de dezembro último, o líder da oposição, Raila Odinga, anunciou a suspensão do protesto marcado para hoje e mostrou-se aberto para realizar negociações.
“Nós temos certeza de que um processo de mediação está prestes a ter início”, disse Odinga aos repórteres após reunir-se com o enviado dos EUA Jendayi Frazer. “Por isso, informamos nossos partidários em todo o país que não haverá manifestações nesta terça-feira”.
O número de mortos nos violentos confrontos no país subiram para 486, além dos cerca de 255 mil desalojados, em uma das piores crises no país desde sua independência, em 1963.
A crise teve início depois que Odinga acusou o presidente queniano, Mwai Kibaki, de fraudar as eleições de 27 de dezembro. O líder oposicionista sofre pressão da comunidade internacional, que rejeita qualquer medida que ocasione ainda mais violência no país.
“Ninguém quer derramar sangue, mas existem atalhos para chegar à democracia”, disse Tony Gachoka, assessor de Odinga, à agência de notícias Reuters. O governo de Kibaki acusa Odinga de insuflar e perpetuar a violência no país.
O presidente da UA (União Africana), John Kufuor, que é presidente de Gana, deve visitar o Quênia nesta semana para mediar o diálogo entre o governo e a oposição.
Kibaki já afirmou que está pronto para formar um “governo de união nacional”. Odinga, no entanto, exige que ele renuncie à Presidência, que um mediador internacional participe do diálogo, e que haja um “acordo de transição” antes de uma nova votação.
Desabastecimento, aumento de preços e falta de combustíveis foram sintomas imediatos da onda de violência que tomou conta do Quênia na última semana.
Mas a crise iniciada com a contestação dos resultados que deram a reeleição ao presidente Mwai Kibaki trouxe sérios danos de longo prazo à imagem externa do país e à sua economia, uma das mais estáveis da África.






