A aposentadoria chegou e com ela o medo de ficar estagnado em casa sem nenhuma perspectiva de novas oportunidades de trabalho, é visível na maioria dos idosos brasileiros.
Mas quem está gozando de plena saúde, nem pensa em parar de trabalhar, e assim que pega a sua aposentadoria, imediatamente envia o seu currículo para as empresas e vai concorrer com muitos outros que ainda nem sonham em se aposentar.
Na mão dessa teoria, os aposentados Douglas Nascimento, 67, Maurisio de Moura, 73, e Eliana Oliveira, de 60 , decidiram que trabalhar é a melhor forma de envelhecer com saúde.
Há 15 anos aposentado por tempo de serviço como professor de Matemática, o – hoje – vendedor de Planos de Saúde Médico Odontológico, Douglas Nascimento, explica que, após a aposentadoria, ele ainda pensou em voltar para o município de Autazes, onde tem família e amigos que moram por lá. Porém, “minha mulher, que também se aposentou em Letras junto comigo, disse não, pois do interior já tínhamos vindo. Dessa forma, para não ficar parado, tive que correr atrás de um emprego”, lembra o aposentado.
Douglas trabalhou 32 anos em sala de aula no município de Autazes como professor de Matemática. “Lá, trabalhei 30 anos, ai viemos transferidos para Manaus. Aqui, mais dois, na Escola Estadual Pedro Silvestre, no bairro do São Raimundo”.
A virada
“Lembro que o meu primeiro emprego, após me aposentar, foi com 58 anos na empresa Real Vida, onde entrei como vendedor. Ai, o dono desta empresa, analisou o meu currículo e me chamou para que eu fosse o gerente de vendas, posteriormente, gerente do Re-cursos Humanos RH e, por último, gerente do telemarketing. Nisso fiquei cinco anos na empresa. E foi lá, que conheci o meu atual chefe”, recorda Douglas.
Após sair da empresa, o aposentado também foi chamado pela prefeitura de Autazes para ser representante do município em Manaus, onde trabalhou mais 5 anos no cargo.
“Depois da representação, fiquei uns tempos parado. Foi quando, através do meu chefe, que trabalhou comigo na Real Vida, me trouxe para a empresa TMT Corretora de Saúde, que faz representação comercial para a HapVida. E nela já estou na área de vendas de planos de saúde há dois anos”, ressalta ele.
Sobre a venda
Para Douglas, o setor de vendas é instável, porém desafiador para ele conquistar cada cliente. “Vendas é o seguinte, hoje dá, amanhã, não. Mas a gente não tem que desistir. É só manter contatos com bons clientes e empresas. Além de ter uma boa parceira com os amigos que te indicam bons clientes. Pois o meu lema é o seguinte: se eu me aposentei, mas ainda tenho idade e força para ter uma outra atividade, eu corro atrás”, enfatiza ele.
Filho do interior de Autaz Mirim, distante 110 km da Capital, Douglas viveu uma boa parte da sua juventude no município de Autazes. Ele disse que começou a estudar com 20 anos de idade e se formou no ensino Médio com 26 anos. E, posteriormente, formou-se em Matemática.
Após cumprir trajetoria de trabalho – a guinada
Outro aposentado que continua no mercado de trabalho, é o vendedor Maurisio de Moura, 73. Ex-funcionário dos correios, entre os anos de 1957 a 1972, Moura foi transferido para São Paulo, e ao não se adaptar retornou a Manaus.
“E quando voltei para cá, logo fui aposentado aos 65 anos. E como nunca fiquei parado, abri um mercadinho, onde trabalhei por 10 anos. E após um enfarte, eu vendi o comércio. Mas, mesmo assim, ainda trabalhei em duas empresas de venda de materiais médico e odontológico, até abrir a minha própria empresa, também no mesmo ramo, direcionada a vendas de equipamentos médicos e odontológicos”, lembra Moura.
Para o aposentado, vender é um tipo de “brincadeira. Para mim é uma satisfação. Eu me acho muito capaz. Gosto de trabalhar. Acordo às 4h, todo santo dia. E antes de vir para a empresa, ajudo a arrumar as coisas na minha casa. Me sinto em plena forma. Até dia de domingo eu trabalho. E a minha esposa acha isso bacana”, disse seu Maurisio, que é casado há 43 anos e possui dois filhos.
Assim como Douglas, Maurisio também trabalhou na empresa Real Vida, onde conheceu o seu atual chefe, proprietário da empresa TMT Corretora de Saúde, Hudenilson Oliveira, 42, onde trabalha há 9 anos.
Na visão do chefe
Para o chefe da empresa TMT Corretora de Saúde, onde os aposentados trabalham, Hudenilson Oliveira, 42 anos, a vasta experiência e a força de vontade de continuar trabalhando seja o maior incentivo para mantê-los na empresa.
“Acredito que esses que trabalham comigo já têm uma vasta experiência no mercado, trazidas de outras atividades que executaram. Eles agregam valores conosco. E trazendo essa experiência, comprovam que são capazes, mesmo com a idade, que as pessoas consideram avançada, mas para mim, não empecilho, é ganho”
Em relação à rentabilidade da empresa ao empregar um idoso, Oliveira afirma que a contratação é mais viável. “Isso porque não preciso mais recolher o FGTS e INSS, uma vez que eles trabalham de uma forma comissionado. E muitos deles que chegam a tirar de R$8 mil a R$ 12 mil por mês”.
Oliveira enaltece a determinação dos seus vendedores, principalmente os idosos, pois conseguem tirar um valor alto, mesmo sem ou pouca ajuda de custo. “E ainda tem que enfrentar sol, chuva e o dia a dia na rua. Não é fácil, pois muitos deles não têm carro”.
A empresa tem 12 a 15 vendedores de Plano de Saúde Médico Odontológico. E somentoe os aposentados Douglas e Maurisio trabalham na empresa. “Eles fazem a diferença aqui dentro. Dão exemplos para os demais”, afirma Oliveira.
Um outro exemplo de trabalho
Eliana Oliveira, 60, está aposentada há 12 anos por tempo de serviço como profissional de Serviço Social, e há 10, ela voltou a trabalhar como gerente do Restaurante Kilo Mania.
“Tive a iniciativa de voltar a trabalhar, porque estava muito ociosa. O que eu fazia mais era malhar e andar em shoppings. E nessa época minha renda diminuiu e, por esses motivos, voltei a trabalhar”.
Elaina trabalha como gerente do restaurante e disse que, após voltar a ativa, ela pode ter uma renda adicional ao da aposentadoria. “Ai minha vida mudou. Percebi a volta me fez ter uma qualidade de vida. Eu penso em continuar trabalhando pelo menos mais uns dois ou três anos, porque também preciso curtir a minha aposentadoria. E, mesmo com a minha idade, não tenho problema nenhum de saúde, quase sou uma adolescente”, enfatiza Eliana.






