Construtoras e incorporadoras do Amazonas apostam que as vendas e lançamento de imóveis devem seguir mais aquecidas no segundo semestre. Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria de Construção Civil do Amazonas) e Ademi-AM (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas) mantêm as projeções de 50% a 55% para a alta do setor neste ano.
O setor faturou R$ 486 milhões no primeiro semestre de 2019, ou mais de 80% de rendimentos obtidos em todo o ano de 2018 (R$ 603 milhões). No período, foram lançados quatro empreendimentos residenciais, o que representa 2.140 unidades, todas do padrão econômico.
Baseada nos levantamentos anteriores, a expectativa da Ademi-AM é que a oferta de imóveis de Manaus se concentre principalmente nos bairros Ponta Negra, Tarumã, Lagoa Azul (próximo à Avenida das Torres) e nas imediações da Torquato Tapajós.
“Todo o cenário macroeconômico e local indicam que esse número vai se consolidar. Houve um empresário que nos disse que fez um lançamento há pouco tempo e que vendeu muito bem. Pode até ser que supere as expectativas. Já superamos 2013 e 2014”, declarou o presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza.
“As vendas de julho foram muito boas para um mês tipicamente ruim. Em agosto já indicamos um lançamento de um produto do Minha Casa Minha Vida e o mercado está estimando de dois a três lançamentos em setembro. E isso ajuda a alancar as vendas”, emendou o diretor da comissão da indústria Imobiliária da Ademi-AM, Henrique Medina.
Cenário melhor
Ao justificar seu otimismo, o presidente do Sinduscon-AM salienta que é preciso entender a melhora do cenário macroeconômico do país, que apresenta maior confiança do empresário e atividade econômica, além da evolução dos empregos é a melhor desde 2014.
“Temos taxas baixas de juros e de inflação, geram um crédito mais barato. Tivemos a aprovação da Reforma da Previdência na Câmara, que certamente será aprovada no Senado, e isso se traduz em mais confiança do empresário, o que já é constatado. Temos uma evolução de empregos para o Amazonas, apesar de a região Norte ter tido saldo negativo até julho”, listou.
Frank Souza cita também mudanças no âmbito setorial que sinalizam melhores negócios, a exemplo da aprovação dos novos marcos regulatórios da atividade, pela MP 881, “que vai dar um gás para o microempresário” e a alteração nas regras de financiamentos de imóveis na Caixa Econômica Federal.
“Isso tende a reduzir o valor do financiamento. A variação da TR vinha com zero e os bancos não gostavam de investir. A nova modalidade, apesar de trazer a redução do prazo para 30 anos, coloca o IPCA e o cadastro do comprador como diretrizes, o que facilita a vida de quem tem dinheiro guardado ou uma vida econômica mais estável”, comparou.
Henrique Medina concorda e diz que, embora ainda não seja possível mensurar a evolução do nível de investimentos, já dá para avaliar que a confiança do empresário e do consumidor melhoraram. “As ações do governo no mercado imobiliário ajudam, como o lançamento do plano com correção pelo IPCA, que deve começar a operar no próximo mês e gerar efeitos no final deste ano”, exemplificou.
Contingenciamento e FGTS
Um complicador para o crescimento do setor está nos entrave do Minha Casa Minha Vida. O presidente do Sinduscon-AM salienta que o problema é nacional, com mais de 500 empresas e mais de 900 empreendimentos em todo o país aguardando o recurso do programa habitacional na faixa 1, em virtude do contingenciamento. “Mas, no faixa 2 em diante, a situação está regular”, amenizou, sem citar números.
O diretor da comissão da indústria Imobiliária da Ademi-AM endossa que o gargalo está na faixa 1 e diz que os empreendimentos do Minha Casa Minha Vida continuam com as vendas aquecidas na região, a despeito de outras faixas terem passado por complicações em julho e agosto.
“Tivemos um complicador que acabou atrapalhando as vendas, mas já está sendo solucionado, até o fim desta semana. O governo federal assumia uma parte do subsídio do programa. Com o contingenciamento, essa contrapartida vai ser feita pelo Fundo Curador, pelo FGTS. A solução demorou para sair e travou os financiamentos da faixa 1,5 e 2”, comentou.
Outro possível entrave pode surgir dos saques do FGTS, uma das principais fontes de financiamento do setor. Frank Souza diz que, no geral, isso ruim para o setor, pois tira foco da construção civil e da moradia. “Mas, ainda temos recursos atrelados à poupança. E a nova modalidade aberta pela Caixa, que varia de acordo com a inflação, atrai interesse dos bancos em entrarem nesse mercado criando fundos de investimento”, ponderou.
Henrique Medina diz que não tem dúvida que a medida ajuda a oxigenar o mercado, mas preocupa, dado que o FGTS é a “grande fonte” de financiamento do Minha Casa Minha Vida. “A CBIC acabou reduzindo o volume de liberações, mas a quantidade de recursos ainda é relevante para prejudicar o setor no médio e longo prazo”, concluiu.






