A fórmula da Dafra Motos para enfrentar os efeitos da crise internacional no segmento de motocicletas em 2009 inclui contenção de custos, aumento de produtividade, aposta em novos mercados e ações e marketing mais agressivo no lançamento de seus produtos. A montadora espera comercializar 90 mil motos e crescer 23% sobre 2008, embora antecipe meses difíceis para o varejo, por conta da escassez de crédito.
Dados da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) apontam para crescimento de 259,03%, de 1.594 (2008) para unidades 5.723 (2009) nas vendas dos cinco modelos da marca. Já a produção teve alta de 167,91%, com 6.312 (2009) contra 2.356 (2008) motos. Embora os números contrariem a tendência de queda do segmento, vale ressaltar que a base de comparação de janeiro do ano passado, quando a fábrica começou suas atividades, é pequena.
Os resultados alcançados pela firma em 2008 superaram as expectativas, apesar da desaceleração do mercado no quarto trimestre. A Dafra esperava vender 60 mil motos, mas conseguiu atingir a marca de 73 mil veículos, 21 % acima do projetado. Já o faturamento bruto ficou em R$ 387 milhões.
De acordo com o diretor de engenharia da Dafra, Rodrigo Della Torre, as mudanças prometidas para 2009 devem provocar alterações no processo produtivo da fábrica, incluindo a implantação de novos equipamentos de medição para o controle da qualidade do produto. Por questões estratégicas, o dirigente prefere não antecipar em quais nichos a empresa deve entrar nos próximos meses.
Uma das principais medidas previstas pelo planejamento da Dafra para 2009 é o incremento de produtividade, já que não há previsão de investimentos para aumentar produção. A empresa está com uma de suas linhas de produção parada e pretende manter seu quadro funcional de 897 funcionários inalterado nos próximos meses. Em outubro, quando a crise chegou ao PIM (Pólo Industrial de Manaus), a fabricante de motocicletas teve de rever seus planos e mandar para casa 437 empregados temporários.
Insumos
A redução da oferta de crédito ao consumidor causou a mudança de rota da Dafra, mas a volatilidade do câmbio pode gerar novos desdobramentos na fábrica. Caso a escalada do dólar prossiga no curto prazo, a única alternativa da organização para fugir do incremento do custo dos insumos será nacionalizar seus produtos, aproveitando o parque plástico e de estamparia instalado na capital amazonense e comprando de outros fornecedores nacionais.
“A crise tornou necessário que se fizessem ajustes na unidade, principalmente em gastos correntes de fabricação. Fomos impactados, por exemplo, pelo aumento de custo de parte de nossa matéria-prima importada. Mas, já estamos trabalhando para minimizar-los”, comentou.
Rodrigo Della Torre acrescenta que, se os projetos de ampliação da manufatura foram adiados pela crise, o mesmo não pode ser dito dos investimentos em laboratórios. A firma espera, por exemplo, inaugurar neste mês seu laboratório de análise de emissões de gases veiculares, onde foram investidos R$ 7,5 milhões.
Fábrica trabalha com 170 distribuidores
A Dafra Motos é uma empresa de capital 100% nacional, e faz parte do Grupo Itavema, o maior distribuidor de veículos do mercado nacional. Hoje, a montadora conta com 170 concessionárias distribuídas pelo território nacional.
Tendo completado um ano de operações no PIM, a firma ainda não está envolvida em nenhum projeto socioambiental, mas estuda parcerias com entidades filantrópicas. Suas dependências, por outro lado, seguem o padrão do pólo e contam com tratamento de água e coleta seletiva, reciclagem de papel, plástico e metais.
“Em 2008, recolhemos aproximadamente R$ 85 milhões em impostos diretos, entre municipais, estaduais e federais. Além disso, realizamos ações junto a nossos funcionários e familiares. No caso de agravamento da crise, estaremos revendo a estratégia. Neste momento, estamos confiantes, porém realistas”, concluiu.







