Aprosoja diz que governo pode prorrogar

Em: 3 de junho de 2010
As parcelas das operações de financiamento agrícola que vencem esse ano, podem ser prorrogadas pelo Ministério da Agricultura, segundo o presidente da Aprosoja
As parcelas das operações de financiamento agrícola que vencem esse ano, podem ser prorrogadas pelo Ministério da Agricultura, segundo o presidente da Aprosoja

O presidente da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso), Glauber Silveira, disse que o Ministério da Agricultura sinalizou com a possibilidade de prorrogação das parcelas das operações de financiamento agrícola que vencem neste ano.
Silveira participou ontem de reunião com o ministro Wagner Rossi e o secretário-executivo do ministério, Gerardo Fontelles, juntamente com representantes da OCB (Organização das Cooperativas Brasileira), Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) e da Federação dos Produtores de Arroz, além dos deputados federais Luiz Calos Heinze (PP/RS), Homero Pereira (PR/MT) e Moreira Mendes (PPS/RO)
Segundo Silveira, Rossi e Fontelles disseram na reunião que os técnicos dos ministérios da Agricultura e da Fazenda irão avaliar, na próxima semana, as reivindicações apresentadas pelas entidades e parlamentares.
O setor pede o adiamento do pagamento das parcelas que vencem neste ano, independente do tipo de operação (custeio, investimento, por exemplo), com a possibilidade de o governo equalizar parte ou integralmente os juros. No ano passado, a União equalizou 40% dos encargos. As medidas poderão ser estabelecidas via CMN (Conselho Monetário Nacional) para todo o Brasil.
Silveira lembrou que em abril a Aprosoja entregou ao governo um documento contendo informações sobre as dificuldades enfrentadas pelos produtores de Mato Grosso para pagamento das dívidas.
O documento se baseou num estudo elaborado pelo Imea (Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária), mostrando que nesta safra são poucas as chances de o agricultor ter rentabilidade para pagamento das dívidas.

Análise de rentabilidade

O Imea analisou nove cenários de rentabilidade da soja, dividindo o universo de produtores analisados em três grupos: com parcelas a vencer correspondentes a até R$ 100 por hectare; até R$ 200 por hectare; e até R$ 350 por hectare.
O resultado obtido foi que dos nove cenários avaliados em seis variáveis os produtores não têm condição de pagamento da parcela mínima, sendo que quatro destas apresentaram rentabilidade operacional negativa.
Nos três cenários em que os produtores apresentam condição de pagamento da parcela mínima, em dois deles a rentabilidade permite pagar até R$ 200 por hectare e em apenas um seria possível quitar valor superior a R$ 200 por hectare. Em nenhuma das variáveis o agricultor teria condição de pagar parcela superior a R$ 350 por hectare.
Glauber Silveira observa que a colheita de uma safra recorde de soja não significa rentabilidade para os produtores. “Preço, câmbio e logística continuaram a penalizar os produtores e precisamos de medidas consistentes para que o agricultor brasileiro possa honrar com seus compromissos e comemorar junto o crescimento da produção”, pondera Glauber, que também preside a Aprosoja Brasil.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar