Praticamente dobrou a área plantada com soja no bioma Amazônia dos Estados do Mato Grosso, Pará e Rondônia no último ano agrícola, segundo representantes da Moratória da Soja. O programa foi instituído em julho de 2006. Da safra passada para o ciclo 2010/2011, a área com soja na região passou de 6.295 hectares para 11.698 hec–tares. No período, a área monitorada se ampliou de 302.149 hectares para 375.500 hectares.
O GTS (Grupo de Trabalho da Soja) é formado por empresas associadas da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) e da Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais), Ministério do Meio Ambiente, Banco do Brasil e organizações da sociedade civil, como Conservação Internacional, Greenpeace, IPAM, TNC e WWWF-Brasil.
O principal destino da soja que é plantada fora do acordo é a China, segundo o coordenador de susten–tabilidade e meio ambiente da Abiove, Bernardo Pires. “A China é um país que não faz exigências, mas também não concede garantias”, disse.
Pires salientou que a venda do produto para a China obtém menor retorno financeiro para o produtor. Quem está fora do programa, de acordo com Pires, não pode vender soja para as empresas participantes e também não recebe financiamento para o cultivo da oleaginosa. O coordenador disse que a Abiove e a Anec congregam 90% da indústria brasileira. Das grandes companhias, uma que não faz parte da Moratória da Soja é a Caramuru.
“Nos últimos três anos, de 300 casos analisados, apenas dois ou três não cumpriram o trato, conforme foi constatado após auditoria, e a soja acabou sendo devolvida”, explicou.
Os 11.698 hectares desflorestados no bioma Amazônia dos Estados de Mato Grosso, Pará e Rondônia no último ano agrícola representam, de acordo com Pires, 130 produtores e 0,3% do desmatamento total da Amazônia.
Código é impasse para produtores de soja
O impasse da votação do Código Florestal no Congresso está sendo usado como alegação para que novos produtores de soja não se cadastrem no programa Moratória da Soja, disse o coordenador da campanha de Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário. “Eles preferem aguardar a votação do Código”, afirmou.
Na avaliação de Adário, o debate no Congresso é fundamental, pois pode levar a um retrocesso na legislação brasileira. “Isso vai tornar a moratória mais do que nunca importante”. Conforme o coordenador, não é difícil identificar as áreas desmatadas. “Difícil é saber quem desmatou. A cara de quem fez isso não está impressa nas fotos de satélites”, disse.
As entidades que representam a indústria de soja brasileira querem promover o CAR (Cadastro Ambiental Rural) entre os produtores. O CAR é um instrumento público de regularização ambiental com informações básicas das propriedades rurais, como perímetro das fazendas e quantidade de vegetação remanescente. As informações são públicas.







