Argentina mantém barreiras a importações

Em: 24 de maio de 2010
Considerando apenas a semana passada, os atacadistas cancelaram 25% das compras de alimentos e bebidas dos produtores brasileiros
Considerando apenas a semana passada, os atacadistas cancelaram 25% das compras de alimentos e bebidas dos produtores brasileiros

As barreiras argentinas contra importados devem ter desdobramentos nesta semana. A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) já preparou o documento que será entregue ao ministro do MIDC (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Miguel Jorge, pedindo a intervenção do governo para reverter os cancelamentos de pedidos de mercadorias do Brasil por parte dos supermercadistas argentinos. Considerando apenas a semana passada, os atacadistas cancelaram 25% das compras de alimentos e bebidas dos produtores brasileiros.
Mais que comercial e econômico, o assunto é político. A presidente Cristina Kirchner desmente medidas de restrição à entrada de alimentos. De fato, não existe nenhuma medida escrita que restrinja a entrada dos alimentos estrangeiros similares aos da produção local. A ausência de uma medida “orgânica” inibe os países prejudicados em suas reclamações contra a Argentina. As restrições foram transmitidas verbalmente pelo secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, aos importadores e supermercadistas nos primeiros dias de maio. Na ocasião, Moreno afirmou que ninguém poderia mais comprar de outros países alimentos que são produzidos pela indústria local. Moreno ameaçou com inspeções da Receita Federal nas empresas que desobedecerem a suas “sugestões”.
As mercadorias que haviam sido despachadas antes da ordem de Moreno ainda fazem filas nos portos e nas fronteiras da Argentina com o Brasil, Paraguai, Uruguai e Chile. A Agência Estado apurou entre as associações empresariais uruguaias que os exportadores do país vizinho não recebem pedidos de compras da Argentina há mais de 10 dias. O presidente José “Pepe” Mujica pediu explicações ao governo de Cristina Kirchner e vai discutir o assunto pessoalmente com a colega em um encontro marcado para o dia 4.
No Chile, a situação é similar. Tanto que a pressão dos empresários chilenos sobre o presidente Sebastián Piñera levou o governo a desarquivar o único problema pendente de seu país com a Argentina na Cordilheira: Piñera retomou disputa territorial com a Argentina. O presidente do México, Felipe Calderón, enviou uma carta ao seu embaixador em Buenos Aires pedindo detalhes a respeito das barreiras sobre as quais os empresários mexicanos se queixam ao governo. As restrições contra os alimentos também despertou a fúria da União Europeia e da China.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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