Argentina vai investigar morte

Em: 21 de fevereiro de 2014
A pedido do Ministério Público argentino, a Justiça do país vai incluir numa grande ação em curso sobre a Operação Condor os nomes de Jango e de outros brasileiros
A pedido do Ministério Público argentino, a Justiça do país vai incluir numa grande ação em curso sobre a Operação Condor os nomes de Jango e de outros brasileiros

A pedido do Ministério Público argentino, a Justiça do país vai incluir numa grande ação em curso sobre a Operação Condor os nomes de Jango e de outros brasileiros desaparecidos ou que foram monitorados enquanto estavam na Argentina.
A decisão, inédita, foi tomada após o procurador federal argentino Miguel Angel Osorio, que atua no caso, receber do Brasil documentos militares com informações encaminhadas às autoridades argentinas da época, solicitando o monitoramento de Jango e de outros brasileiros que vivam na Argentina.
Os documentos foram apresentados à Procuradoria argentina pelo brasileiro Jair Krischke, do Movimento de Justiça e de Direitos Humanos.
Jango morreu em dezembro de 1976 na cidade de Mercedes, na província de Corrientes. O ex-presidente, doente cardíaco, sofreu um infarto em casa. Suspeita-se, contudo, que ele tenha sido envenenado.
Após o golpe de Estado que depôs João Goulart da Presidência, em abril de 1964, o político partiu para o exílio. Primeiro, no Uruguai. Depois, Argentina, onde viveu até a morte. Dos demais brasileiros arrolados na ação, cinco deles desapareceram na Argentina durante a última ditadura, entre 1976 e 1983.
O país vizinho, que teve uma das mais brutais ditaduras do continente, é exemplo na punição de agentes do Estado envolvidos em crimes de lesa humanidade. Centenas de militares, ex-policiais e até médicos envolvidos com os crimes do período foram julgados e presos -no Brasil, a Lei da Anistia em vigor impede qualquer responsabilização.
A causa sobre a Operação Condor é uma das maiores em curso na Justiça argentina, em trâmite desde 2011. A Operação Condor foi uma aliança entre as ditaduras latino-americanas da época (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia) para prender e eliminar no exterior opositores dos regimes militares.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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