Arrecadação compensa desonerações no Brasil

Em: 17 de setembro de 2012
Ives Gandra avalia que governo terá vantagens reais com medidas de estímulo ao setor produtivo, apesar dos benefícios para as folhas de pagamento
Ives Gandra avalia que governo terá vantagens reais com medidas de estímulo ao setor produtivo, apesar dos benefícios para as folhas de pagamento

O faturamento dos setores beneficiados pelas medidas de desoneração anunciadas pelo governo irá crescer, o que deve compensar a perda inicial de receitas do governo, na avaliação do jurista Ives Gandra, especialista em direito tributário. “O governo não perderá. Será compensado porque, com o aumento do faturamento, vai ganhar com arrecadação neste período de quatro anos”, disse.
Na quinta-feira (13), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que 25 setores da economia serão beneficiados com a desoneração da folha de pagamento, além dos 20 para os quais o incentivo foi concedido este ano. O benefício levará à renúncia fiscal de R$ 60 bilhões na arrecadação, nos próximos quatro anos. Para 2013, a previsão é R$ 12,83 bilhões.
Para o jurista, as medidas vão começar a surtir efeito na economia a partir do segundo trimestre de 2012.
Já para o economista Newton Marques, professor da UnB (Universidade de Brasília) e membro do Corecon-DF (Conselho Regional de Economia do Distrito Federal), é difícil antecipar a reação de empresários e do investimento às medidas de desoneração e redução de custos adotadas pelo governo federal.
Na avaliação dele, o comportamento do setor produtivo, responsável pela oferta, tende a ser mais imprevisível do que o dos consumidores, responsáveis pela demanda. “Abrir mão da arrecadação não significa que os empresários vão agir da forma que o governo quer. Você, como empresário, só investe se tiver retorno”, avalia.
Para Marques, as políticas de incentivo ainda deixam a desejar no sentido de não serem estruturantes, nem estratégicas. “[O governo] tem tomado medidas tímidas e pontuais. São tentativas de apagar incêndio”, diz. Para ele, a redução das tarifas de energia -medida permanente- enquanto outras, como a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), que têm caráter temporário, são ações isoladas.
O economista destaca ainda que há questões como a reforma tributária e a infraestrutura de transportes do país, que, a ser ver, ainda não receberam a atenção devida.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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