Arte com magia parintinense

Em: 11 de março de 2026
Imagens fortes, vibrantes, cheias de cores, alegria e energia. Assim são os trabalhos de Renner Cruz, que bebeu na fonte da arte da Ilha Tupinambarana.
“Costumo usar cores neons em minhas obras, acho que é uma marca minha"
“Costumo usar cores neons em minhas obras, acho que é uma marca minha"

Não precisa nascer em Parintins para se tornar artista. Basta viver na ilha. É o caso do artista plástico Renner Cruz, que nasceu em Maués, mas foi criado em Parintins.

“Gostava muito de desenhar super-heróis, desenho animado, personagens de filmes, a fauna amazônica, barcos da região, os bois de Parintins, a vaqueirada, e principalmente camisas de futebol. Tenho alguns desenhos até hoje numa pasta. Aproveitei muito a minha infância no interior, brincava, jogava futebol, desenhava e fazia, com irmãos, boizinhos. Aquilo foi o início da minha relação com a arte”, recordou.

O trabalho de Renner é uma mistura de referências. Vai da arte urbana à pop arte, passando pela arte contemporânea e chegando aos grafismos indígenas. São imagens fortes, vibrantes, cheias de cores, alegria e energia.

“Costumo usar cores neons em minhas obras, acho que é uma marca minha, é uma das formas de levar a força visual da Amazônia para uma linguagem contemporânea”, disse.

Assim como as centenas, talvez milhares de artistas parintinenses, Renner nunca fez cursos formais de arte. Tudo o que aprendeu foi através da prática, da observação e da vontade constante de evoluir.

“Sempre fui muito curioso em relação ao processo artístico, então fui aprendendo sozinho, testando técnicas, errando, acertando e construindo meu próprio caminho. Mas hoje olho para trás e vejo que deveria, sim, ter feito cursos de artes, na verdade nunca é tarde. Indico para pais que detectarem a vontade artística nos filhos, seja a arte que for, que os incentivem a fazer cursos artísticos”, ensinou.

 

Arte como profissão

 "Quanto mais valorizarmos nossa própria arte, mais oportunidades surgirão”
“Quanto mais valorizarmos nossa própria arte, mais oportunidades surgirão”

Além de artista plástico, Renner é advogado, com carteirinha da OAB e tudo. Chegou a advogar, mas as cores falaram mais alto do que as leis e hoje o jovem se dedica 100% às tintas, pinceis, telas e desenhos.

“Passei a me considerar profissional há cerca de dois anos, quando as encomendas começaram a surgir com mais frequência. Percebi que as pessoas estavam confiando na minha arte para representar momentos importantes das suas vidas. Esse reconhecimento fez com que eu entendesse que minha arte também poderia ser minha profissão”, contou.

A arte de Renner é expressada de duas formas: na pintura em telas ou em desenhos para estampas, geralmente, de roupas.

No primeiro caso ele utiliza carvão vegetal para os rascunhos iniciais feitos diretamente sobre a tela, observando uma foto ou referência visual. Além do carvão vegetal, também pode utilizar tinta acrílica, spray, aerógrafo, espátulas e o que achar mais conveniente no momento.

“É um processo onde praticamente não existe espaço para erro. Cada pincelada precisa ser pensada e definitiva”, revelou.

Quanto ao desenho, utiliza lápis e borracha e depois o digitaliza.

“Com a arte no computador, surge a criação artística, então faço a finalização e preparo para a estampa. É um processo que mistura o artesanal com o digital”, falou.

A arte de Renner surge em imagens que transmitem felicidade, retratando famílias, momentos de união ou elementos da cultura e natureza amazônica.

“Retratar famílias geralmente representa mostrar momentos felizes das pessoas: famílias reunidas e histórias de amor. Quando eu começo a conversar com os clientes sobre a ideia da arte, vem a inspiração e imagino tudo, cores, sintonias, elementos, composição e, em 90% das encomendas, os clientes deixam para minha livre criação”, informou.

 

A primeira exposição

Muitos dos trabalhos do quase parintinense, tem a ver com a Ilha Tupinambarana e seus bumbás.

“Essa relação é muito forte na minha vida. Fui criado em Parintins. Cresci vivendo de perto essa cultura e convivendo com grandes artistas ligados aos bois-bumbás. Artistas incríveis da ilha sempre me serviram de inspiração como Juarez Lima, Jair Mendes e tantos outros. Em Parintins, a arte está no cotidiano das pessoas. Quem nasce ou cresce ali, aprende naturalmente a amar essa cultura. É uma terra abençoada pelo talento artístico, e isso influencia muito o meu trabalho e a minha forma de enxergar a arte”, afirmou.

“Retratar famílias geralmente representa mostrar momentos felizes das pessoas"
“Retratar famílias geralmente representa mostrar momentos felizes das pessoas”

Apesar do sucesso, com seus trabalhos, Renner nunca participou de uma exposição, mas avisa que chegou a hora.

“Realizar exposições é um projeto muito importante para mim e que já está em andamento. No momento estou na fase de produção e organização das artes. Quero que essa primeira exposição represente bem minha identidade artística, por isso estou construindo esse processo com muito cuidado e dedicação. Adianto que essa exposição irá retratar a Amazônia como eu a via na infância, com muitas cores, intensidade e vibração”, avisou.

Renner deixa um ensinamento para quem deseja iniciar no universo das artes.

“Viver da arte exige dedicação, disciplina, muitas horas de trabalho e, principalmente, acreditar no que se faz. Assim como em qualquer empreendimento, é preciso persistência. Precisamos valorizar cada vez mais a arte local. O Amazonas tem artistas incríveis e uma riqueza cultural muito grande. Quanto mais valorizarmos nossa própria arte, mais oportunidades surgirão”, finalizou.

Informações: telefone, 9 8486-6639 – Instagram, @rennercruz – site, www.rennercruz.com.br

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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