Nos últimos meses, com o surgimento de uma nova pandemia, as pessoas vêm criando um hábito maior de limpeza frequente. Não somente por isso, a produção artesanal de produtos químicos – especialmente de limpeza – se mostra uma opção mais barata, porém não muito recomendada. Isso porque tais materiais não passam pelo rigoroso processo de aprovação dos órgãos de saúde competentes e muitos desses produtores trabalham sem as mínimas condições adequadas.
A situação preocupa fabricantes regionais e representantes de marcas nacionais, principalmente pelo fato de o consumidor muitas vezes optar pelo mais barato, esquecendo a qualidade. “Ficamos bastante preocupados e principalmente indignados com a situação promíscua neste segmento, vendo lado a lado produtos concorrentes sem a menor cerimônia de falsificação ideológica para enganar a população, que em sua grande maioria é leiga no assunto”, declarou, indignado, o diretor técnico do laboratório de controle de qualidade da Alva da Amazônia (Modalva), Cícero Azarias.
“A maioria vende pelo odor e cores agradáveis, características estas que não somam nada em valor para com o que se destina. O pior de tudo isto é ver a letargia e a conveniência por parte das autoridades que deveriam fiscalizar e não o fazem. Visto que os atuantes oficialmente com legalidade são ‘perseguidos’ pelos órgãos fiscalizadores”, complementou Azarias.
Ele avaliou o mercado atual Amazonas como promissor, visto que cada vez mais os consumidores estão preocupados com a assepsia pessoal e ambiental. No entanto, vê a produção artesanal de materiais de limpeza como uma ameaça. “Ficamos estarrecidos frente a este modelo de corrupção, pois além de burlar todo e qualquer tipo de lei, ilude a população com informações e afirmativas por muitas vezes enganosas. E devido à falta de conhecimento por parte da mesma, esta acaba sendo a mais prejudicada, além do próprio país ou Estado sair perdendo impostos que lhes seriam atribuídos”, declarou o diretor.
Segundo Azarias, a corrupção por parte de alguns torna o meio vulnerável e ao mesmo tempo oneroso para o Estado e município. O técnico falou sobre os perigos do uso desses produtos. “Todos esses químicos de produção artesanal são prejudiciais por não terem nenhum tipo de fiscalização. Os mesmos não têm o compromisso com qualquer que seja o órgão fiscalizador e por isso não apresentam análises físico-químicas de seus conteúdos, além de não se saber o que realmente existe nas formulações, não se sabe qual a dosagem a ser utilizada, pois tudo o que indicam é mera ficção para apreciação de leitura”, disse.
Uma das sócias da empresa GD Comércio de Limpeza, Leonor Aguiar, que distribui exclusivamente os produtos Newdrop, do Grupo Bertin, em Manaus, colocou como desigual a concorrência de fabricantes de produtos artesanais com as fábricas regulares. “Todos os produtos desse segmento precisam de registro no Ministério da Saúde, e isso demanda tempo e dinheiro. Um laudo de um laboratório custa em média R$ 20 mil”, informou Leonor. A empresária disse disponibilizar toda uma equipe especializada para fazer demonstrações dos produtos aos seus clientes, visto que o material da Newdrop é voltado à manutenção e limpeza de empresas, necessitando de um manuseio especial, por ser um composto mais concentrado do que os de uso doméstico.
O coordenador da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no Amazonas, Jéferson Caldas, informou que não é competência do órgão fiscalizar esse tipo de atividade e sim da Dvisa (Diretoria de Vigilância Sanitária), ligado à Semsa (Secretaria Municipal de Saúde). A assessoria de imprensa da Semsa informou que a Dvisa programou ações de fiscalização para produtos químicos, como os saneantes, a partir de outubro de 2009. A chefe de fiscalização da Dvisa, Ariane Pacheco, justifica que as ações de vigilância sanitária somente foram municipalizadas no início desse ano. Segundo a assessoria, por conta da alta demanda recebida, as fiscalização foram concentradas prioritariamente nas áreas de alimentos e farmacêuticas, o que não significa que a área de produtos químicos não receberá atenção merecida. “Estamos nos programando para, já a partir do próximo mês, iniciarmos uma operação voltada para fiscalizar estes produtos”, disse Ariane Pacheco.
Artesanais preocupam empresários
Em: 16 de setembro de 2009
Nos últimos meses, com o surgimento de uma nova pandemia, as pessoas vêm criando um hábito maior de limpeza frequente
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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