Antes apenas artesãos, agora futuros empreendedores. Este é o objetivo do projeto ‘Manaus feito à mão’, desenvolvido pela Semtepi (Secretaria Municipal de Trabalho, Empreendedorismo e Inovação), e que no mês passado completou um ano apresentando resultados satisfatórios.
“Atualmente temos mais de 400 artesãos cadastrados na Semtepi. Desses, 200 são ativos, participando de todas as nossas reuniões e em praticamente de todas as feiras organizadas pela prefeitura, através da Semtepi”, falou Virgílio Mello, diretor do Departamento de Economia Solidária e Criativa da Semtepi.
Desses 200, 30 foram selecionados para fazer parte do projeto cujo foco principal era o artesão desenvolver uma marca para o seu produto. Para tanto eles receberam assessoria do Sebrae que lhes ensinou a trabalhar seus artesanatos de forma mais elaborada e sofisticada, deu-lhes sugestões de logomarcas e embalagens, mostrou como devem fotografar cada um dos seus produtos e divulgá-los nas redes sociais e qual a importância deles se tornarem empreendedores.
“Dos 200 artesãos ativos, diria que 50% são aposentados que têm o artesanato como um complemento de renda e os restantes 50% vivem exclusivamente desse trabalho. O que lhes mostramos, através do projeto, é que eles podem ganhar um bom dinheiro com seus produtos, mas para isso precisam se profissionalizar e deixar de pensar que o artesanato é algo que apenas lhes rende um ‘dinheirinho’ extra”, disse.
“A política da prefeitura é tornar o artesanato um segmento forte da economia amazonense. Já recebi aqui na secretaria artesãos desiludidos que disseram produzir seus trabalhos, mas não ter onde ou para quem vender, e por isso haviam parado de produzi-los”, revelou.
Parceria nas vendas
Ao menos uma vez por mês a Semtepi realiza uma feira itinerante de artesanato, em algum local da cidade. A mais recente acabou no domingo, 12, tendo começado no dia 3, na Ponta Negra.
“Nós convocamos os artesãos para uma reunião na qual decidimos onde será a feira e quem deseja participar. Como as barracas são grandes, colocamos duas a três pessoas numa mesma barraca. Então eles se combinam quem e quando vai ficar fazendo as vendas. Um vende para o outro”, informou.
“Eles também podem ser encontrados, aos domingos, na feira da Eduardo Ribeiro, e mais recentemente passaram a ocupar o Shopping do Artesanato, na Djalma Batista, ou seja, cada vez mais estão ganhando visibilidade graças a este trabalho que estamos realizando com eles”, enfatizou.
“Entre esses 30 artesãos que estão participando do ‘Manaus feita à mão’ há as mais variadas tendências de materiais e tipos de peças. Além da matéria prima da região, também são usados materiais industrializados e eu destaco aqui as peças do José Denizal de Melo Filho”, lembrou.
“Esse rapaz trabalha com resíduos eletrônicos e na mais recente Fenearte, a maior feira de artesanato da América Latina, realizada em julho do ano passado, em Recife, ele teve um destaque impressionante. Todo mundo ficava maravilhado com os trabalhos dele, que vendeu bastante”, afirmou.
“Este ano acontecerá a 20ª edição da Fenearte e vamos levar outros artesãos para que, cada vez mais o artesanato amazonense faça sucesso no Brasil e no mundo como propagador de nossa arte e nossa cultura”, enfatizou.
Os artesãos interessados em se cadastrar na Semtepi podem solicitar informações através do 3631-2595, e quem quiser adquirir os produtos de quem já está cadastrado, pode acessar o portaldoartesanato.manaus.am.gov.br
Robôs que falam
Denizal de Melo trabalhava como técnico em eletrônica e cada vez que desmontava um aparelho, ficava pensando em como remontá-lo de outra forma, até que um dia, aproveitando os resíduos que se acumulavam na oficina, montou sua primeira peça: uma moto. E não parou mais.
“Das motos e bikes, passei para os carros, helicópteros, aviões, jipes, cavalos, tudo feito a partir de peças descartadas de aparelhos eletrônicos”, contou.
E como a imaginação não tem limites, agora Denizal faz robôs, alguns, sob encomenda, no tamanho de uma pessoa.
“Eles falam, acendem luzes e giram a cabeça. São uma diversão para crianças e adultos. Eu pego os resíduos de aparelhos eletrônicos e, de imediato, começo a montar alguma peça artesanal. Nem preciso rabiscar. Vem da minha imaginação”, revelou.
Ano Passado Denizal foi um dos seis artesãos levados à Fenearte pela Semtepi e fez bonito. Ele se inscreveu num concurso que premia a melhor peça na categoria de reciclados e, competindo com 22 artesãos de todo o país, ficou em oitavo com um robô.
“Este ano já me inscrevi, minha peça já foi classificada para a competição e eu quero o título de melhor”, riu.
Mas o melhor mesmo foi Denizal ter levado 40 peças para a capital pernambucana e vender todas. Seus negócios estão tão bem que o artesão abriu até uma loja no Shopping Sumaúma.







