Arthur denuncia compra de votos, mas Braga e Vanessa apresentam documentos

Em: 11 de outubro de 2010
Adversários históricos, Arthur Neto e Eduardo Braga, declararam guerra, mesmo passadas as eleições. Suposto crime eleitoral envolvendo cartões será investigado
Adversários históricos, Arthur Neto e Eduardo Braga, declararam guerra, mesmo passadas as eleições. Suposto crime eleitoral envolvendo cartões será investigado

O senador Arthur Virgílio Neto (PSDB), destinou ao MPF (Ministério Público Federal) e à Polícia Federal, denúncia de suposta compra de votos e abuso do poder econômico no período que antecedeu o último pleito eleitoral. O crime é associado aos senadores eleitos, Eduardo Braga (PMDB) e Vanessa Grazziotin (PCdoB).
Arthur apresentou à impressa um envelope em nome de Vanessa Grazziotin, contendo três documentos e sete cartões bancários nos nomes de Erick Brunei Pessoa, Antônio Carlos Rodrigues, Evandro Tavares, Enoly Gonçalves, Nainy Picanço Nomy, Ellen Camile de Souza e Amanda da Silva Castro.
Para o senador, os nomes das pessoas envolvidas podem ter sido tirados do cadastro de programas como Bolsa Floresta e SOS enchente. Ainda segundo Arthur, as pessoas teriam declarado que não teriam prestado nenhum tipo de trabalho para Braga e Vanessa.
A assessoria jurídica de Artur pediu ao MPF, que efetue a quebra do sigilo bancário da empresa A.C. Nadaf Neto Assessoria em Comércio Exterior, que é apontada como executora do crime; a investigação de seu vínculo legal com as campanhas dos candidatos envolvidos; a investigação da origem do dinheiro e a existência ou não de contratos de prestação de serviços com os beneficiários dos cartões.
Os cartões foram expedidos pelo banco Bradesco através da agência localizada na sede da Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda), no bairro Aleixo, zona centro-sul de Manaus, para A.C. Nadaf Neto, que pertence a Abraim C. Nadaf Neto, funcionário da Prefeitura Municipal, lotado na Semef (Secretaria Municipal de Economia e Finanças), que conforme publicação do dia 28 de setembro de 2010 do Diário Oficial de Manaus foi cedido para o Governo do Estado, a seis dias do pleito.
“Não sei quantos cartões foram expedidos, o que sei é que são milhares e estão espalhados por todo o Amazonas”, ressaltou.
Conforme texto divulgado por Arthur, os beneficiários recebiam valores de R$ 600,00 a R$ 1.200,00 para votar e efetuar a compra de votos para Braga e Vanessa. Cada beneficiário seria encarregado de comprar entre dez e vinte votos pelo valor de R$ 50,00, dependendo do valor creditado em seu cartão. O que significaria dez votos, por R$ 500,00 ou vinte por R$ 1.000,00. A diferença seria o pagamento do suposto coordenador de campanha responsável por distribuir os cartões no município de Parintins. Este cargo seria de Erick Brunei de Pessoa.
Questionado sobre como obteve conhecimento do possível crime eleitoral, Arthur disse que pessoas que receberam os cartões se arrependeram e denunciaram o esquema. “As denúncias começaram a aparecer pela internet, um exemplo foi o blog do Durango, posteriormente as pessoas nos procuraram de forma espontânea”, salientou.
“Existem outras denúncias, contudo resolvemos efetuar esta primeira parte porque percebemos a movimentação dos envolvidos na tentativa de legalizar os repasses a partir da elaboração de contratos de trabalho junto aos beneficiários dos cartões”, frisou.
Artur Neto disse não ter dúvidas de quem elaborou o esquema. “Foi sem dúvida operado pelo ex-governador Eduardo Braga, motivado pela obsessão de eleger Vanessa. A deputada não teria cabeça para tanto”, concluiu.

Direito de Resposta

Em nota a deputada federal e futura senadora, Vanessa Grazziotin (PCdoB), lamentou o fato e disse que o senador Arthur Virgílio Neto (PSDB) ainda não assimilou sua derrota. “É totalmente infundada a acusação dele de que a campanha teria usado cartões do Bradesco para comprar votos”, rebateu.
Vanessa explicou que todos os seus cabos eleitorais foram contratados -assinaram contratos- e receberam seus vencimentos através de cartões do Bradesco visando facilitar o pagamento, sendo os cartões individuais e intransferíveis. “Se alguém recebeu e repassou dinheiro foi de inteira responsabilidade do contratado”, disse.
Já Eduardo Braga, pronunciou-se por meio de seus assessores jurídicos Delcio Luiz dos Santos, Daniel Nogueira e por seu coordenador financeiro Raul Zaidam, que reconheceram a existência dos cartões denunciados por Arthur, contudo afirmaram categoricamente, que os mesmos foram usados com uma só finalidade, efetuar o pagamento pelos trabalhos prestados durante o período eleitoral. “Não é de hoje que utilizamos este sistema de pagamento, ele dá mais segurança tanto para a coligação quanto para o prestador de serviços”, esclareceu Raul Zaidam.
Segundo Zaidam, os cartões não passaram a ser utilizados dias antes do pleito, como disse Arthur, e sim há pelo menos três meses. “Os cartões começaram a ser distribuídos desde o dia 27 e 28 de julho, o restante foi distribuído dia 30 de agosto e o último lote que compreende aquelas pessoas que começaram a trabalhar no decorrer da campanha nos dias 28 e 30 de setembro”, lembrou.
Zaidam também falou da polêmica levantada entorno da empresa A.C. Nadaf Neto Assessoria em Comércio Exterior, de seu amigo pessoal Abraim C. Nadaf Neto. “Estou profundamente irritado com a forma com que a A. C. Nadaf Neto está sendo incluída nessa história, eu pessoalmente escolhi a empresa, por ser de posse de um grande amigo, uma pessoa digna, que prestou seu serviço de forma lícita”, desabafou.
“Essa denúncia não é real, não existe uma forma mais transparente de pagar uma prestação de serviço, do que através de cartões. Nosso método de trabalho foi previamente informado para os órgãos competentes: MPE (Ministério Público Estadual), TRE (Tribunal Regional Eleitoral) e Polícia Federal”, esclareceu Zaidam.
Os assessores de Eduardo e Vanessa disseram estar prontos para esclarecer qualquer dúvida sobre o assunto para o Ministério Público e desafiaram Artur Neto a expor suas contas de campanha. “Desafiamos o senador a divulgar suas contas, pois das nossas não temos dúvidas”, concluiram.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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