Arthur e Braga trocam acusações

Em: 16 de agosto de 2013
A greve dos funcionários da empresa de transporte Global Green, deflagrada na manhã desta quinta-feira (15), além de prejudicar mais de 200 mil usuários do transporte público municipal também motivou trocas de acusações
A greve dos funcionários da empresa de transporte Global Green, deflagrada na manhã desta quinta-feira (15), além de prejudicar mais de 200 mil usuários do transporte público municipal também motivou trocas de acusações

A greve dos funcionários da empresa de transporte Global Green, deflagrada na manhã desta quinta-feira (15), além de prejudicar mais de 200 mil usuários do transporte público municipal também motivou trocas de acusações entre duas das principais lideranças políticas do Amazonas. Após tomar conhecimento do ato, o prefeito de Manaus Arthur Neto (PSDB), utilizou os meios de comunicação para levantar suspeitas sobre a participação do senador Eduardo Braga (PMDB) na articulação do movimento grevista, juntamente com a diretoria do Sindicato dos Rodoviários.
Em entrevista à Rádio CBN Manaus, Arthur classificou a greve como ilegal e deu a entender que o senador Eduardo Braga estaria por trás do ato. Para o prefeito, Braga teria agido com o objetivo de desestabilizar a administração municipal visando a disputa eleitoral de 2014. Apesar das acusações, em outra entrevista, dessa vez na rádio Difusora, Arthur disse não querer acreditar que Braga esteja por trás da paralisação e pediu que o senador se pronunciasse sobre o assunto.
Ao tomar conhecimento das sugestões dadas pelo prefeito de Manaus, o senador Eduardo Braga rebateu de forma veemente as afirmações de que estaria incentivando a greve de rodoviários, conforme afirmou o prefeito da cidade de Manaus em entrevista a emissoras de rádio.
“A acusação não é verdadeira, não tenho mantido contato com o sindicato dos rodoviários e me recuso a fazer política dessa forma. Estou em Brasília trabalhando para liberar recursos para a cidade de Manaus. Ontem, inclusive, junto com a bancada do Amazonas, discutimos ações perante ao governo federal para garantir o repasse de recursos para a construção de escolas de tempo integral na capital”.
O senador acredita que o impasse trabalhista tem que ser resolvido com equilíbrio e com diálogo. Para ele, o prefeito deveria estar participando das negociações para resolver as reivindicações legítimas dos trabalhadores.
Ainda segundo o senador, acusações levianas não trazem nenhuma contribuição para o debate democrático e, muito menos, soluções para resolver os problemas que resultaram na greve e que prejudicam a população de Manaus.
O vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, Josildo Oliveira, em discurso no pátio da empresa, também rechaçou as acusações de que a paralisação teria motivações políticas. Na opinião do presidente, nem a Global, nem o executivo municipal estão dispostos a resolver a questão.
“O prefeito vai falar o que ele quiser. É papel dele mentir para a sociedade. Se ele tem problemas com o senador, isso é um problema dele. Eu não sentei, não conversei com o senador Eduardo Braga. Se estivesse tudo certinho jamais teríamos a cara de pau de vir aqui fazer greve. Nós estamos aqui porque tem erro”, justificou o sindicalista.

Sobre a Greve

A paralisação na quinta-feira foi motivada após declaração do presidente do Sindicato dos Rodoviários, Gilvanci Oliveira, e de membros da comissão de funcionários, de que o acordo firmado após a greve do dia 1.º de julho, e que previa o pagamento de todo FGTS e INSS em atraso em 14 parcelas seria descumprido. Segundo Gilvanci, um documento da Caixa Econômica Federal mostra que as empresas de ônibus de Manaus parcelaram a dívida do FGTS em 180 meses (15 anos) e não 14 meses, conforme acordado.
Por esse motivo, o Sindicato dos Rodoviários decidiu suspender os trabalhos até que o acordo de pagamento do FGTS em 14 parcelas seja cumprido. Cerca de 200 mil usuários do transporte coletivo na zona Leste de Manaus foram prejudicados pela greve.

Negociações

Em reunião com uma comissão formada por trabalhadores da empresa de transportes Global Green, ainda na manhã de ontem no Palácio Rio Branco, o prefeito Arthur Neto determinou o fim imediato da greve. Ele exigiu também mais transparência da empresa, no recebimento dos repasses efetuados pela Prefeitura de Manaus, para quitação de débitos do FGTS dos funcionários. Arthur Neto se disse indignado com a paralisação dos ônibus, que levou grande prejuízo à população da zona Leste e afirmou que vai agir com firmeza para normalizar a situação do transporte coletivo.
“Essa é uma atitude irresponsável que vai gerar multas pesadas para o sindicato. Foram comunidades inteiras prejudicadas por razões fúteis de um sindicato que, a cada momento, perde sua legitimidade e a capacidade de dialogar conosco. Tomaremos todas as providencias jurídicas para normalizar o sistema e pôr um fim a essa ação abusiva, politiqueira, desonesta e criminosa que esse sindicato está fazendo através desse presidente”, finalizou.
Sobre o acordo do subsídio repassado pela prefeitura para quitação do FGTS em atraso, Arthur exigiu que a empresa abra uma conta no Banco do Brasil, exclusivamente para recebimento dos repasses, para que haja transparência.
Segundo a prefeitura de Manaus, está previsto para o dia 20 deste mês o pagamento da 1a parcela do FGTS em atraso.

Mais pressão

Logo após o término da reunião, os dirigentes do Sindicato dos Rodoviários foram avisados sobre o resultado da reunião com o prefeito de Manaus, mas não o acataram. Ainda na garagem da Global Green, eles pressionaram e tentaram intimidar os trabalhadores, exigindo que assinassem uma lista.
“Quem for a favor desse acordo, que assine uma lista com os nomes e se conforme com a situação. Não venha mais reclamar pra gente”, declarou Josildo Oliveira, membro do sindicato.
Os dirigentes também deixaram claro que vão insistir na greve e ameaçaram parar novamente amanhã.
“Vamos paralisar o Centro e todas as linhas vão ter que parar junto”, incitou Josildo.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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