ARTIGO: Acorda Brasil!!!

Em: 23 de outubro de 2012
Preocupante a lucratividade das empresas. A queda na BOVESPA não é apenas um reflexo da crise nos mercados, mas também em função dos resultados anunciados
Preocupante a lucratividade das empresas. A queda na BOVESPA não é apenas um reflexo da crise nos mercados, mas também em função dos resultados anunciados

Preocupante a lucratividade das empresas. A queda na BOVESPA não é apenas um reflexo da crise nos mercados, mas também em função dos resultados anunciados. Setores que estavam indo muito bem, como telecomunicações, energia e siderurgia, amargam queda nos lucros e nas cotações. É claro que esta situação se refletirá na arrecadação da União e dos estados, já que estes setores lideram impostos vitais, como o IPI e o ICMS.
Os próprios bancos, recordistas de lucros, devem fechar o ano com resultados inferiores ao exercício anterior. No caso de empresas estatais, o corte de despesas não passa pela folha –como ocorre na Europa e no setor privado –pela força dos sindicatos, prontos para estimular protestos. A Petrobras não vem performando bem, como é sabido.
O curioso é que essa situação é conhecida, publicada, mas cercada de certo silêncio. Algumas seguradoras, segundo consta, têm problemas e a criação da estatal para o setor, também curiosamente, não sofreu as restrições naturais do setor privado. Afinal, empresário, além de suas responsabilidades com seus negócios, têm a obrigação ética e moral de defender o sistema da livre iniciativa, a começar por prestigiar as entidades independentes, que sustentam a luta contra a burocracia, a gula fiscal e a falta de infraestrutura. E, principalmente, o avanço estatal na economia.
No agronegócio, no qual estávamos tão bem, os lucros seriam muito mais justos e atrativos, se tivéssemos melhores portos e ferrovias, mesmo rodovias. Nossa soja do centro-oeste depende da cotação internacional para ser escoada, por causa das irresponsáveis restrições ao asfaltamento do trecho paraense da Cuiabá-Santarém, cujas obras estão a cargo do Exército. E as grandes empresas, com presença internacional, enfrentam problemas em função de um alto endividamento. A própria VALE nunca deveu tanto!
Claro que tudo pode ser revertido com vontade política. O mercado é atraente, tem espaços a serem ocupados, mas precisamos mesmo é de mais investimento, mais tecnologia, maior competitividade.
As classes produtoras parecem perplexas. Precisamos acordar o Brasil, pois, mesmo com crise internacional, nunca foi tão fácil crescer! E o único caminho é pela via do setor privado, da poupança, da vocação empreendedora de nossa gente.

Aristóteles Drummond

É jornalista e presidente da Associação Comercial do Estado do Rio de Janeiro
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