Artistas amazonenses Anna Suav e Rafa Militão estreiam em Portugal

Em: 23 de setembro de 2025
Rapper Anna Suav e DJ Rafa Militão (Foto: Arthur Charles)
Rapper Anna Suav e DJ Rafa Militão (Foto: Arthur Charles)

A música que nasceu nas periferias de Manaus atravessou o Atlântico e ecoou na segunda maior cidade de Portugal. A rapper amazonense Anna Suav e a DJ Rafa Militão desembarcaram no Porto para sua primeira apresentação em solo português, no último fim de semana — também marcado pelos últimos dias do verão. Mais do que beats e rimas, elas trouxeram consigo a força de uma cena musical que resiste, se reinventa e conquista espaços além das fronteiras brasileiras.

Anna Suav, MC, poeta e cantora, é uma das vozes mais potentes da cena hip hop amazônica desde 2017. Conectando Belém (PA) e Manaus (AM) como territórios de criação e ativismo, sua obra aborda temas como racismo, machismo, vivências e espiritualidade a partir de sua perspectiva enquanto mulher negra, amazônida e LGBTQIA+. Recentemente, foi destacada pela Academia de Gravação dos Estados Unidos (GRAMMY) como uma das rappers brasileiras mais promissoras da nova geração. É nesse fluxo artístico que Anna apresentou sua turnê de cinco shows pela Europa, passando por Paris, Marselha e Porto — prova de que o continente está cada vez mais conectado às vozes vindas da Amazônia.

Ao lado de Anna, veio Rafa Militão, sua parceira de turnê e responsável pelo DJ set. Publicitária de formação e hoje artista independente, Rafa vive exclusivamente da música há sete anos. Sua trajetória, como ela mesma define, é marcada por “garra, coragem e força”, impulsionada principalmente pelas pessoas que acreditaram em seu trabalho. “A música é minha ferramenta de vida em todas as formas. É onde consigo transformar minhas vivências e também me conectar com marcas e projetos. Ela atravessa tudo na minha vida”, afirma Rafa.

Para quem vive no Porto, como este que vos escreve, ou acompanha de perto a cena cultural brasileira em Portugal, ver talentos nortistas subirem ao palco do Maus Hábitos — uma das casas de show mais influentes da cidade — é também testemunhar um ato de resistência. Apesar da proximidade cultural entre Brasil e Portugal, o consumo musical segue dominado por expressões vindas do Sudeste brasileiro. Sonoridades fortes no Norte, como o tecnobrega, o boi-bumbá e o brega, ainda são pouco difundidas por aqui.

Nada disso, porém, faltou no set de Rafa, que transitou de “Eu vou tomar um tacacá”, clássico de Joelma, ao rap autoral nascido na periferia manauara. A passagem da dupla pelo Porto, como parte da turnê europeia, mostra que há espaço e, sobretudo, sede por uma Amazônia pop, plural e contemporânea. “A gente não faz música regional, a gente faz música pro mundo”, resume Rafa.

Após apresentações na França, onde encontrou uma comunidade engajada com a música brasileira, Rafa agora vive a experiência da troca com o público português. A expectativa, segundo ela, é de conexão e reafirmação. Valorizar a diversidade cultural entre países de língua portuguesa significa também expandir o alcance dessa imersão artística em um mercado europeu que consome em larga escala o português — especialmente em sua variante brasileira.

 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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