As Clarissas e suas comidas saudáveis

Em: 15 de julho de 2016
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Fabíola Nazaré Borges é carioca e economista. Cíntia da Cunha Mendes é amazonense, e também é economista. Mas um algo mais, além de investimentos, finanças, cotações de Bolsas, índices econômicos e moedas fez as duas seguirem por um mesmo caminho: a gastronomia.
Amigas, as duas ainda dividiam um mesmo sonho. Nada de empregos, horário para isso, reunião para aquilo. “Sempre pensamos muito nas nossas famílias, eu nos meus filhos e a Cíntia, nos pais dela. Queríamos ter tempo de sobra para eles, então pensamos em montar um negócio aí, em 2012, depois de pesquisarmos, veio a ideia: montar uma confeitaria, em casa mesmo”, lembrou Fabíola.
Durante mais de um ano a ideia da confeitaria foi gestada por Fabíola e Cíntia até que, em dezembro de 2013, As Clarissas começaram a, literalmente pôr a mão na massa, e produzir seus bolos e doces. Não. Fabíola e Cíntia nunca desejaram pertencer a essa ordem católica de irmãs franciscanas. Na realidade, quiseram homenagear as Clarissas, irmãs da Ordem de Santa Clara, do mosteiro de Santa Clara de Évora, em Portugal, consideradas excelentes confeiteiras.
“Abrimos a confeitaria em nossas próprias residências, com delivery, mas era aquela confeitaria tradicional, com doces à vontade”, contou Cíntia.
Somente no final de 2014, as duas sócias verificaram que podiam enveredar por um outro segmento gastronômico, nos dias atuais, cada vez mais em alta: o das comidas saudáveis. “Eu tinha exemplos em casa, de parentes com diabetes e hipertensão então, pensei, por que não fazer somente comidas saudáveis, já que muitas das doenças que adquirimos resultam de alimentos não saudáveis? Pesquisamos e logo lançamos os novos produtos”, falou Fabíola.

Só ingredientes saudáveis

Foi assim que, desde junho de 2015, substituindo ingredientes, os doces preparados por Fabíola e Cíntia mantiveram o sabor, mas agora podiam ser degustados sem peso na consciência. “Mas veja bem, não são alimentos light ou diet. São doces e salgados preparados com ingredientes que não fazem mal à saúde”, explicou Fabíola.
O açúcar branco e refinado foi substituído pelo demerara, cujos valores nutricionais são muito parecidos com os do mascavo. Esse açúcar pode até substituir os adoçantes químicos; a farinha de trigo perdeu o lugar para as farinhas sem glúten (de arroz, de coco, além de polvilho doce e goma, dessas que o amazonense adora comer em forma de tapioca; a manteiga, tão admirada pelas doceiras, para deixar os bolos mais macios e saborosos, também foi substituída, mas sem causar perdas aos produtos. Entraram em seu lugar os óleos de girassol, excelente oxidante, e de coco, ótimo para queimar gordura. E nos lugares da massa de pão e do trigo, ganhou espaço a biomassa de banana, nada mais do que polpa de banana verde, também muito boa para reduzir o risco de câncer de intestino, controlar os níveis de colesterol, prevenir o diabetes e evitar o acúmulo de gordura abdominal; para completar, outro ingrediente que ficou para trás foi o leite comum, gorduroso, substituído pelos leites vegetal e sem lactose.
“Só com essas mudanças conseguimos fazer com que nossos doces, e agora salgados, tivessem um direcionamento para melhor, no quesito saúde, no resultado final, e os clientes nem sentiram, porque todos os produtos continuaram saborosos, e é isso, agora aliado à saúde, que interessa”, falou Fabíola.

Itens para os veganos

E buscando atingir um público novo, ainda pequeno em Manaus, mas que já começa a aparecer, As Clarissas passou a ter em seu cardápio, itens para os veganos. Para quem não sabe, os veganos, além de não comerem carnes de animais, também execram seus derivados como laticínios, ovos e mel. “Para eles criamos os bolos de maçã e de abacaxi, e a muqueca de tubérculos. Até quem não é vegano está gostando dessas novas criações”, comemorou Cíntia.
Até há poucos dias, o cardápio d’As Clarissas se resumia aos bolos de milho, chocolate, banana, maçã com especiarias e abacaxi com coco, mas as duas amigas colocaram a cabeça para pensar e sua produção foi acrescida do doce de leite, da bola, do brigadeiro e da canjica, todos com as mesmas características dos produtos anteriores, a mono porção. “Chamamos nossos produtos de refeições intermediárias, por isso eles têm esse mini tamanho. Queremos que as pessoas os levem na bolsa, na mochila, para degustá-los num momento de fome, entre as refeições. Mas também podem ser apreciados como sobremesas. Essa é a ideia”, completou Fabíola.
Os pratos quentes também entram no cardápio: vatapá, estrogonofe, muqueca, quiche, mas só através de pedidos. “Começamos trabalhando só atendendo a encomendas, mas já estamos abrindo pontos de vendas por toda a cidade, em lojas que desejem vender nossos produtos, ou seja, aquela tranquilidade que queríamos no nosso trabalho, está ficando para trás porque temos que atender aos inúmeros pedidos que nos chegam, mas trabalhamos satisfeitas porque entregamos um produto saudável para os nossos clientes”, finalizou Fabíola.

O QUÊ? As Clarissas
ONDE? Rua Rio Javari esquina com Rio Branco, no Vieiralves (em breve)
INFORMAÇÕES: (92) 9 9984-9354 e 9 9981-4900

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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