As voltas que o Pavilhão Universal dá em Manaus

Em: 1 de julho de 2019
Patrimônio histórico secular, Pavilhão Universal ocupará mais uma praça, pela quinta vez
https://www.jcam.com.br/Upload/images/Noticias/2019/1Sem/06Jun/32/pavilhao.jpg
Patrimônio histórico secular, Pavilhão Universal ocupará mais uma praça, pela quinta vez

Você sabia que existe uma edificação centenária que passeia, isto mesmo, anda de um lado para outro pelo centro de Manaus e praticamente ninguém percebe?

Trata-se do Pavilhão Universal, que em 12 de outubro completará 107 anos, e a maioria das pessoas o olham, mas não o vêem, e sequer sabem o seu nome. Há pelo menos uns 20 anos o Pavilhão está abandonado na Praça Tenreiro Aranha. Quer dizer, estava.

O mais interessante do Pavilhão Universal é que ele já esteve em quatro lugares diferentes de Manaus e está sendo preparado para ocupar um quinto.

A história da edificação começa ainda em 1909 quando o então prefeito Agnello Bittencourt (1909/1910) autorizou a ocupação de uma área na Praça XV de Novembro (que ficava em frente ao atual Banco do Brasil no terminal de ônibus do centro) para que fosse construído um chalé de ferro fundido e desmontável, medindo 8mx8m, por José Avelino Menezes Cardoso, podendo este explorar comercialmente o estabelecimento por 20 anos. A inauguração aconteceu somente em 1912.

“No início de seu funcionamento, o Pavilhão Universal possuía três áreas distintas: enquanto que no térreo funcionava o serviço de bar, com mesas de mármore e cadeiras de palhinha, o subsolo e o andar de cima eram reservados à prática de jogos de salão”, escreveu Durango Duarte em seu livro ‘Manaus, entre o passado e o presente’.

“Em frente e ao lado do Banco do Brasil estava o Pavilhão Universal, feito de ferro fundido, onde funcionava um bar, com mesas de pés de ferro e tampo de mármore”, informou Antonio Loureiro em seu livro ‘Um passeio pelas praças de Manaus’.

Desmonta e monta o chalé

Por longos 63 anos o Pavilhão Universal permaneceu no mesmo local até que outro prefeito, Jorge Teixeira de Oliveira (1975/1979), o Teixeirão, famoso por acabar com praças para alargar ruas, achou que tinha um Pavilhão no meio do caminho, no meio do caminho tinha um Pavilhão.

“Em 1975, Teixeirão acabou com o que ainda restava da Praça XV de Novembro e junto mandou retirar o Pavilhão para que a rua ficasse mais larga”, contou o Ed Lincon Barros, pesquisador da história de Manaus.

Começou ali a primeira andança do Pavilhão, transferido para a Praça Ribeiro da Cunha, junto à rua Silva Ramos. Mas a estrutura de ferro não permaneceu por muito tempo na nova moradia.

“Em 1980 quando José Fernandes (1979/1982) era o prefeito de Manaus, ele mandou retirar o Pavilhão Universal da Praça Ribeiro da Cunha para, no local, construir a sede da escola de samba Sem Compromisso, o que nunca aconteceu. O Pavilhão, então, foi novamente desmontado e levado para uma terceira praça, a minúscula Adalberto Vale, no começo da rua Marquês de Santa Cruz”, falou Ed.

Mas quem disse que ali seria o lugar definitivo do Pavilhão? Eis que, em 1995, quando Eduardo Braga (1994/1997) era o prefeito da capital amazonense, surge nova ordem para que o chalé fosse desmontado e remontado na praça logo em frente, a Tenreiro Aranha, em local proeminente e de destaque, entre as ruas Teodoreto Souto e Floriano Peixoto.

No começo o Pavilhão Universal reviveu seus tempos de glória, nos idos de 1912, sendo transformado num espaço de comércio, uma loja de artesanatos indígenas da Funai (Fundação Nacional do Índio). Por alguns anos foi ponto de convergência de turistas nacionais e estrangeiros até ser desocupado, cercado por uma feira que, no começo era destinada a venda de artesanatos indígenas, acabando, depois, engolido pelo esquecimento e abandono.

Em frente ao Bar Jangadeiro

Já na administração de Arthur Neto (2013/2017 e 2017/2020), em fevereiro deste ano, como parte do PAC (Programa de Aceleração de Crescimento) Cidades Históricas, a prefeitura lançou o edital para a revitalização do espaço, organizado pela Comissão de Licitação do Implurb (Instituto Municipal de Planejamento Urbano) e, no mês seguinte o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) Amazonas, aprovou o projeto de revitalização, incluída aí nova mudança de endereço do Pavilhão, que retornará para a Praça Adalberto Vale, recentemente restaurada, devendo ficar bem em frente ao Bar Jangadeiro e ao histórico, e abandonado, prédio do Edifício Tartaruga. O valor estimado do restauro é de R$ 1.088.463,10.

“O Pavilhão Universal foi o primeiro patrimônio histórico a ser licitado (os outros são a Biblioteca Pública Municipal João Bosco Pantoja Evangelista, ao lado da praça do Congresso, e o prédio da antiga Câmara Municipal de Manaus, na avenida Sete de Setembro) e deve ficar pronto até o final deste ano. Um dos belos exemplares da arquitetura neoclássica, o Pavilhão irá compor um importante contexto no projeto de ressignificação do Centro Histórico de Manaus”, explicou Almir de Oliveira, coordenador dos projetos do ‘Manaus Histórica’, do Implurb (Instituto Municipal de Planejamento Urbano).

Concluído e pronto, o espaço funcionará como CAT (Centro de Atendimento ao Turista). Depois é esperar alguns anos, quem sabe décadas, para saber se finalmente o Pavilhão Universal encontrou seu lugar definitivo e que tenha sua importância reconhecida pelos manauaras, enquanto patrimônio da cidade.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar