Assembléia vai pagar despesas dos convocados a depor

Em: 14 de agosto de 2008
A CPI quer o relatório da Operação Vorax, realizada no dia 22 de maio, com a prisão de várias pessoas ligadas ao prefeito de Coari, para saber de qual “ponto” pode partir.
A CPI quer o relatório da Operação Vorax, realizada no dia 22 de maio, com a prisão de várias pessoas ligadas ao prefeito de Coari, para saber de qual “ponto” pode partir.

Até o final desta semana, o juiz federal Márcio Luiz Coelho de Freitas, da 2ª Vara Vara do Tribunal Regional da 1ª Região, dará resposta sobre o pedido do relatório da Operação Vorax, feito pela Comissão Parlamentar de Inquérito que investigará denúncias contra a prefeitura de Coari (a 363 quilômetros de Manaus). A informação foi prestada pelo presidente da Comissão, Marco Antônio Chico Preto (PMDB).
Na semana passada, deputados que integram a comissão reuniram com o juiz, para falar sobre o pedido que está nas mãos da Justiça Federal.
“O juiz prometeu que só durante esta semana despacharia. Mas não é um compromisso de despachar favorável ou negativamente. Estamos aguardando”, afirmou Chico Preto.
Caso o despacho seja favorável, o relatório vai nortear os trabalhos da CPI, investigará denúncias sobre violências cometidas pela milícia mantida pela prefeitura, além de prostituição que envolvia diretamente o prefeito Adail Pinheiro, conforme gravações feitas pela Polícia Federal e divulgadas pela imprensa. Chico Preto também reafirmou que a CPI não se deslocará até Coari, por uma questão de economia, e a Assembléia Legislativa pagará todas as despesas para trazer as pessoas convocadas para prestar depoimento em Manaus: passagem, estada, alimentação. Segundo ele, sai muito mais barato e, afinal, está em questão o dinheiro público. Garantiu não ser outro o motivo para a CPI não sair de Manaus. “Temos de fazer as coisas de maneira racional. E para que as pessoas entendam: não é medo de ir a Coari, mas uma questão de economia. Temos de fazer o trabalho, mas se possível, mais barato, até em respeito ao dinheiro público”, disse Chico Preto.
A CPI quer o relatório da Operação Vorax, realizada no dia 22 de maio, com a prisão de várias pessoas ligadas ao prefeito de Coari, para saber de qual “ponto” pode partir. “Vamos ter um documento que foi produzido ao longo de três anos e meio de investigação da Polícia Federal, e que vai nos dar a certeza daquilo que falta fazer em relação a esses assuntos. Porque nós, com apenas 120 dias, o prazo máximo de uma CPI, não conseguiremos fazer igual, mais, ou melhor do que a Polícia Federal fez em três anos e meio. Seria tolice acreditar que a CPI da Assembléia vai fazer mais e melhor do que a Polícia Federal fez em três anos e meio. Mas é possível se avançar de onde a Polícia Federal parou, até onde se pode chegar, diante do tempo. A gente não tem todo o tempo do mundo”, declarou.
Todos os nomes já sugeridos para ser ouvidos na CPI terão de ser aprovados pelos cinco integrantes e Chico Preto garante que convocará as pessoas indicadas, se estiver de acordo com o “foco da CPI”, que é a milícia e prostituição. “Essas pessoas serão trazidas a Manaus. E aí eu, como presidente, garanto que tomarei todas as medidas legais, necessárias, para que essas pessoas venham depor, trazer informações para que os membros da CPI possam ir formatando o seu entendimento e, ao final, concluir o relatório”, afirmou. O assunto CPI de Coari foi comentado por outros deputados, como Luiz Castro (PPS), Liberman Moreno (PHS) e Wallace Souza (PP). Wallace, autor da CPI, insistiu em que o prefeito Adail precisa ser ouvido.
Assim como o então chefe da milícia, sargento Aguiar, além dos agenciadores de garotas de programa que, conforme a escuta telefônica da PF, se encontravam com o pessoal da quadrilha de Adail até no motel Afrodite.
Wallace também disse que Chico Preto não se preocupasse com os gastos de dinheiro, porque a Assembléia Legislativa tem dinheiro para isso. Lembrou que na CPI do Sistema Prisional (na legislatura passada), deputados da Comissão foram até Curitiba, para ver a situação de lá.
Luiz Castro declarou preo-cupação com a demora em começar os trabalhos da CPI. Lembrou que as transcrições da Operação Vorax foram publicadas em um jornal local, todos os envolvidos no processo são conhecidos e que Chico Preto, na condição de “magistrado”, tem poder para requerer a quebra de sigilo bancário e telefônico.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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