Ataques dão lugar à apresentação de propostas na reta final da campanha

Em: 26 de outubro de 2022

 

Os ataques deram lugar à apresentação de propostas na reta final da campanha do segundo turno das eleições, tanto no plano estadual como no nacional. A quatro dias da votação do dia 30, próximo domingo, os candidatos tentam fisgar eleitores com a promessa de gerar mais emprego, renda e maior contrapartida do poder público para as demandas da população.

Tanto o presidente Jair Bolsonaro (PL) como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), protagonistas da corrida presidencial deste ano, deixam de lado a ‘lavagem de roupa suja’ para se dedicar a estratégias que possam render mais votos nestes últimos dias em contato com o eleitorado.

As últimas pesquisas mostram Lula na frente com apenas cinco pontos porcentuais em relação a Bolsonaro. No entanto, o atual presidente vinha reduzindo a diferença, mas seu favoritismo começou a declinar após o episódio envolvendo o ex-deputado federal Roberto Jefferson que achincalhou uma ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) e recebeu a PF (Polícia Federal) a tiros e granadas que cumpria uma ordem de prisão do TSE (Tribunal (Superior Eleitoral) em sua casa, em um município do Rio de Janeiro, segundo avaliam cientistas políticos.

Bolsonaro condenou o ato extremo do antigo aliado. E disse que quem “recebe a polícia a tiros deve ser preso como bandido”. Agora, a grande expectativa é se o episódio terá impacto negativo ou não nas urnas durante a votação do dia 30.

Ao contrário, o QG de Lula decidiu ignorar o fato. E ateve-se mais à apresentação de propostas para promover o desenvolvimento e que possam ter maior ressonância junto à população brasileira, tendência que também respinga na campanha de Bolsonaro nesta reta final.

Grande aliado de Bolsonaro, o govenador do Amazonas, Wilson Lima (UB), e o vice na chapa pela reeleição, Tadeu de Souza, se revezam em visitas a municípios do interior, como as últimas tentativas para convencer os ribeirinhos a votar no presidente na corrida eleitoral pela Presidência da República.

Virada

No primeiro turno, Lula venceu com mais de 7% de diferença na apuração dos votos totais. Agora, Wilson Lima, auxiliado pelo prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), que reforçou o QG de Bolsonaro, tenta virar o jogo do tabuleiro eleitoral.

“Não há dúvida. Bolsonaro se afina com as nossas propostas para fortalecer mais ainda as empresas que gozam dos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus”, ressalta o governador do Estado durante as suas ofensivas em busca da aprovação de eleitores nas cidades ribeirinhas.

Algo que é compartilhado também com os discursos do vice Tadeu de Souza, um técnico, sem qualquer experiência política, mas que representa uma carta na manga para alavancar a economia do Estado em um possível novo mandato de Wilson Lima, segundo ressalta o prefeito David Almeida, que o indicou para compor a chapa na campanha pela reeleição.

“A política caminhará junto com a administração técnica do Estado, definindo concomitantemente medidas de interesse da população, uma parceria que só vai contribuir para fortalecer ainda mais a economia estadual”, aposta Tadeu. “O grande diferencial está na correlação e sintonia de fatores mútuos”, afirma. 

Segundo as últimas pesquisas, Wilson Lima está à frente de Eduardo Braga (MDB), seu oponente no segundo turno das eleições, com mais de 15% nas intenções de voto. E a incursão do governador pelo interior do Estado também é uma tentativa para inverter a tendência do eleitorado, onde o senador obteve o maior número de votos durante a primeira fase da corrida pelo Palácio Rio Negro.

Durante a campanha, Braga busca, porém, desacreditar as pesquisas de opinião, pondo em xeque a veracidade dos números levantados pelos institutos. “Claro, o meu adversário está à frente, mas não com a amplitude revelada por esses estudos”, questiona o senador.

Outro dado que corrobora para reeleger Wilson Lima é sua boa receptividade em pelo menos 49 prefeitos dos 62 municípios da região, restando, em tese, 13 que ainda continuariam apoiando Braga na reta final das eleições estaduais.

“Nesta altura do campeonato, é praticamente impossível Braga conseguir uma virada a pouco menos de três dias da votação no segundo turno”, avalia Celso Lantas, sociólogo e professor de ciência política na rede privada de ensino superior em Manaus. “Wilson Lima deverá ser reeleito, certamente”, acrescenta.

Por MARCELO PERES

Face: @marcelo.peres  Insta: @jcommercio

Marcelo Peres

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