Atlas, o rei leão extinto

Em: 29 de agosto de 2025
Décimo primeiro livro de Armando Jr. é uma obra de ficção dramática que mistura realismo, reflexão e poesia narrativa.
Um livro indicado para leitores que apreciam histórias densas, reflexivas e emocionais, com forte carga simbólica e estética. Assim é ‘Atlas – quando o silêncio rugiu’, do escritor Armando Jr., o Dracônios, que será lançado no sábado, 30, às 10h, no Espaço Cultural Millennium, no Millennium Shopping, pelo projeto Canoa da Cultura. Na mesma ocasião acontecerá a manhã de autógrafos dos livros ‘Escola, drogas e violência’, do professor Sebastião Xavier; e ‘Amazônia’, do pedagogo Jorge Klein.
“O início da produção de ‘Atlas – quando o silêncio rugiu’ ocorreu no dia 5 de junho, após uma conversa no café da manhã sobre extinção de espécies. O objetivo inicial era produzir um livro focado em dinossauros, mas as ideias não estavam se alinhando. Durante a conversa, falamos sobre animais que foram extintos pelo homem, e sem nenhuma pretensão falei da fotografia de 1925 do que poderia ter sido o avistamento do último leão-do-atlas vivo em seu habitat natural”, contou.
“Através daquela fotografia, desenvolvi a narrativa do que poderiam ter sido os últimos anos de vida daquela majestosa criatura, extinta pela caça desenfreada do homem”, disse.
O leão-do-atlas, também conhecido por leão-da-barbária ou leão-berbere, foi uma variação da espécie extinta na natureza no início do século 20. Seu habitat era a cordilheira do Atlas, no norte da África, do Egito ao Marrocos.

Um mergulho no silêncio

 

Décimo primeiro livro de Armando Jr., ‘Atlas – quando o silêncio rugiu’ é uma obra de ficção dramática que mistura realismo, reflexão e poesia narrativa. O livro acompanha a jornada solitária do último leão-do-atlas, chamado Atlas, em meio a um mundo que já não lhe pertence. Entre paisagens áridas, tempestades e memórias de sua linhagem perdida, a história revela não apenas a luta física pela sobrevivência, mas também uma profunda metáfora sobre extinção, resistência e o impacto da humanidade sobre a natureza. É um mergulho no silêncio de uma espécie extinta, transformado em voz literária.
“O título ‘Atlas’ foi escolhido por duas razões: a primeira, na intenção de engrandecer o próprio território geográfico que é a cadeia de montanhas do Atlas, e a segunda pelo fato de que Atlas foi um titã da mitologia Grega, que liderou os outros titãs na guerra contra os deuses do Olimpo, e isso mostra sua coragem e confiança, que é refletida no personagem da história, o leão chamado Atlas. Já o subtítulo ‘Quando o silêncio rugiu’, é uma metáfora, que busca fazer com que o leitor mergulhe fundo nas palavras e entenda que às vezes, o silêncio pode ser ensurdecedor como um rugido”, explicou.
Desde 2012, quando escreveu seu primeiro livro, ‘World of dragons’, Armando Jr. dedica-se à criação de universos fantásticos, sempre buscando traduzir em palavras a intensidade de sua mente criativa. Publicou diversos livros ao longo desses 13 anos: ‘O pequeno gato curioso’ (11/04/2021), ‘O uivo dos lobos – em busca de Simurgh’ (24/07/2021), ‘Os segredos de Simurgh’ (25/07/2022), ‘Dinotopia – uma aventura no Velho Oeste’ (17/07/2022), e a saga ‘Reino dos dragões’ (seis livros – 2023).
Atualmente ocupa a cadeira nº 58 da Alaca (Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia). Em dezembro de 2023, fundou a Editora Dragun’s, que publica livros artesanais.
Com inspirações que vão de J.R.R Tolkien e Michael Crichton a George R.R Martin e Victor Milan, Armando continua a expandir seus mundos literários, levando seus leitores a viagens épicas e inesquecíveis. “Este novo livro é para todos os reis que tiveram seus rugidos silenciados pelo homem, mas cuja fúria ainda ressoa entre rochas, ventos e ossos”, finalizou.
Atlas, o rei leão extinto - 013

Trecho do livro

‘O primeiro homem morreu com uma pata esmagando seu peito. O segundo tentou gritar, mas Atlas mordeu sua mandíbula antes que ela se abrisse completamente. O grito morreu na garganta, e o sangue jorrou em silêncio.

Atlas arrastou os corpos por trás da fogueira e os empilhou junto aos cães. A montanha estava absorvendo seus filhos de volta.

O último homem, naquela noite, estava urinando atrás de uma rocha.

Ele escutou um som — como o de algo úmido se arrastando — e se virou, confuso.

— Jean…? — sussurrou.

Os olhos de Atlas brilharam como carvões acesos.

O homem tentou correr, mas o leão foi mais rápido. Um salto. Um impacto. Os dentes em seu calcanhar.
Ele gritou, mas não alto o suficiente.
Atlas o puxou para dentro de uma fenda na rocha, que ele conhecia como uma toca antiga. Lá dentro, o som dos ossos sendo esmagados ecoou abafado.
Quando terminou, Atlas saiu da fenda com o focinho ensanguentado. Não rugiu e nem triunfou. Apenas desapareceu.
Subiu pelas mesmas pedras que descera, agora iluminadas pela pálida luz da lua. O vento acariciava sua juba escura como se o saudasse. Cada passo dele era o próprio pulsar da montanha. A neve que começava a cair não deixaria rastros’.

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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