Atraso nas obras públicas tira vigor da construção civil

Em: 31 de maio de 2011
Depois do desaquecimento registrado em abril, apontado em pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria), a atividade de construção civil registrou um mês de maio com preços mais altos, segundo aponta a FGV
Depois do desaquecimento registrado em abril, apontado em pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria), a atividade de construção civil registrou um mês de maio com preços mais altos, segundo aponta a FGV

Depois do desaquecimento registrado em abril, apontado em pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria), a atividade de construção civil registrou um mês de maio com preços mais altos, segundo aponta a FGV (Fundação Getúlio Vargas). No Amazonas, a situação não é muito diferente, segundo representantes do setor ouvidos pelo Jornal do Commercio.
O vice-presidente do Sinduscon/AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas), Frank do Carmo, informou que no caso do Estado, a retração foi maior no que se refere às obras públicas. “Esse ano estamos com atraso nas obras do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] e na segunda edição do ‘Projeto Minha Casa, Minha Vida’, que nesse mesmo período do ano passado, já estava em pleno andamento. Além do mais, as obras para a Copa de 2014 ainda estão praticamente paradas”, detalhou.
Segundo Frank do Carmo, essa situação só irá se reverter a partir do próximo mês, quando as obras terão início. O dirigente informa que as atividades na construção de empreendimentos comerciais e privados seguem estáveis.
Em concordância com o Sinduscon/AM está o diretor da Cristal Engenharia, Jorge Roldão, que não acredita numa desaceleração no setor de imóveis residenciais e comerciais. “O que houve foi um superaquecimento no último semestre de 2010. Depois de um fenômeno como esse, a tendência do semestre seguinte é se apresentar mais ‘morno’, e a impressão é de que as atividades estão retraídas. Mas, não se trata de desaquecimento, e sim de uma volta para a normalidade”, amenizou.

Juros e custos

Já o diretor da Engeco, Mauri Guerreiro, afirma que a situação do Amazonas não inspira preocupação no momento, mas lembra que é preciso estar alerta para o aumento da taxa básica de juros. “Não vejo com bons olhos o crescimento da Selic. Ela sim, pode causar um freio nas atividades do setor em geral”, ressaltou. Para ele, é preciso acompanhar as medidas do governo de restrição de crédito e andamento da inflação, para só então, observar o comportamento do mercado.
Assim como no cenário nacional, o Amazonas também apresentou alta nos custos com a mão de obra. Embora os dispêndios com materiais e serviços estejam altos, o fator que continua alavancando os números, de acordo com empresários e lideranças do setor, é a mão de obra. “No semestre passado, as empresas de capital aberto aceleraram as atividades de construção e os projetos de financiamento. Porém, agora, no momento de se iniciar efetivamente as obras, falta mão de obra qualificada”, queixou-se Mauri Guerreiro.
Em março, quando foi realizada a última pesquisa do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), o Amazonas aparecia como o terceiro Estado com metro quadrado mais caro para se construir na região Norte com custo médio de R$ 809,51 e acúmulo de crescimento de 5,69% nos últimos 12 meses. Na ocasião, o Sinduscon/AM e empresários do setor já apontavam o custo com a mão de obra como principal responsável pelo cenário negativo.
Para o diretor da Cristal Engenharia, Jorge Roldão, a falta de mão de obra especializada é que encarece os custos. “Enquanto não resolvermos esse problema, é impossível prever uma mudança de situação para o Amazonas”, completou.
A sondagem da CNI revelou uma queda no nível das atividades na indústria brasileira de construção civil. A pesquisa registrou 48,3 pontos no mês de abril. O indicador utiliza valores acima de 50 para detectar crescimento da atividade em questão.
Já os números do INCC – M (Índice Nacional de Custo da Construção M) divulgados pela FGV apontaram um crescimento de 2,03% em maio, nos custos. O quesito mão de obra apresentou a maior alta nacional (3,70%). A variação para materiais, equipamentos e serviços foi de 0,45%.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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