Com mais de 80% dos 64 votos, a assembléia geral dos auditores fiscais, na última quarta-feira, aprovou a continuidade da greve no Amazonas. O resultado, segundo o Unafisco-AM (Sindicato Nacional de Auditores Fiscais da Receita Federal no Amazonas), será agregado ao resultado dos 85 foros sindicais do país, que decidirão pela continuidade ou não do movimento nesta sexta-feira.
Entretanto, até o fechamento desta edição, os resultados parciais obtidos em 31 delegacias sindicais do país, aos quais o JC teve acesso exclusivo, apontavam o indicativo para a suspensão da greve por 21 dias, prazo apontado pelos auditores como suficiente para o governo assinar a contraproposta salarial e aprovar o plano de carreira.
O presidente do Unafisco-AM, Paulo Sérgio Souza, disse que a decisão em Manaus foi precedida de grande debate sobre a validade do movimento, onde foram consideradas as perdas salariais acumuladas nos últimos seis anos. “Somos um sindicato de elite, não há como contestar esse fato, mas não queríamos que nossas reivindicações descambassem para a paralisação das atividades. Foram as promessas não cumpridas pelo governo que nos levou a isso”, ressaltou.
Categoria reivindica equiparação salarial igual a dos delegados
Paulo Sérgio Souza afirmou que os auditores fiscais da Receita reivindicam equiparação aos vencimentos dos delegados da Polícia Federal, cujos ganhos mensais são pretensamente os maiores salários do Poder Executivo. Segundo o dirigente, o reajuste elevaria em quase 42% o teto salarial dos servidores, fazendo saltar dos atuais R$ 13,4 mil para R$ 19 mil. O piso salarial, nos cálculos do sindicalista, acompanharia a parábola de crescimento vertical, consolidando-se em R$ 14 mil ante os cerca de R$ 10 mil incorporados pelos auditores há seis anos.
“A proposição das delegacias sindicais seria efetivarmos ganhos de R$ 23 mil para cobrir as perdas salariais dos últimos anos, mas como o governo prometeu igualar os salários dos auditores com dos delegados de polícia, no ano passado, a proposta foi bem recebida, mas não foi cumprida”, assinalou Souza.
Embora tenha negado que o fim da greve pode estar próximo, Souza deixou transparecer durante um de seus pronunciamentos na assembléia geral um posicionamento a favor da suspensão temporária do movimento. Entretanto, o cronograma de incremento dos reajustes salariais, estendido pelo governo até 2010, o que incidirá nos vencimentos dos auditores com 15 meses de atraso, foi apontado por vários auditores presentes na reunião da última quarta-feira como um entrave para a suspensão da greve em Manaus.







