Com 88 votos a favor e apenas uma abstenção, os auditores fiscais do Amazonas optaram pela continuidade da greve por tempo indeterminado durante a assembléia extraordinária, na qual foi votada a rejeição da contraproposta salarial do governo no último fim de semana.
Segundo o presidente da Unafisco-AM (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal no Amazonas), Paulo Sérgio Sousa, apesar de ter sido deflagrada há mais de um mês e ter afetado praticamente toda a produção industrial do PIM (Pólo Industrial de Manaus), a greve da categoria não pode ser entendida como instrumento prejudicial à economia do Estado. O dirigente assegurou que o movimento paredista foi o último recurso encontrado pelos auditores para provocar o governo federal a uma retomada de negociação por melhores salários e condições dignas de trabalho. “Quem administra mais de 65% de toda a receita do país, merece mais consideração e respeito por parte do Executivo. Essa é a nossa maior bandeira de luta”, afirmou Sousa.
Os auditores fiscais da Receita reivindicam equiparação salarial com os delegados da Polícia Federal, o maior salário do Poder Executivo. Com isso, os servidores querem aumento do teto de R$ 13,4 mil para R$ 19 mil. O piso da categoria subiria de R$ 10 mil para R$ 14 mil. “Nossa proposta seria ganhar R$ 23 mil, mas como o governo prometeu igualar os salários dos auditores com dos delegados de polícia, no ano passado, a proposta foi bem recebida, embora o governo não tenha cumprido sua parte”, assinalou Sousa.
Eletros apresenta perdas ao ministro
O presidente da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), Lourival Kiçula, apresentou ao ministro Miguel Jorge do Mdic (Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e ao secretário de Comércio Exterior, Welber de Oliveira Barral, dados sobre perdas com a greve e sugestão de medida para retomada de operações em caráter emergencial.
No relatório da Eletros, Kiçula avaliou que o montante de componentes, matéria-prima e insumos indispensáveis ao processo de fabricação parados em portos e aeroportos brasileiros atinge mais de US$ 350 milhões. Segundo o dirigente, o impacto é maior junto às empresas instaladas na ZFM (Zona Franca de Manaus), que importam componentes, e cujas linhas de produção estão sofrendo paradas pontuais, e encontram-se em via de paralisação, devido ao fato das empresas estarem hoje com estoques mínimos de matéria-prima.
“A situação fica mais grave a cada dia, ampliando os prejuízos com a falta de componentes para a produção e o custo altíssimo de armazenagem”, assegurou Kiçula.
Projeção
prejudicada
A indústria eletroeletrônica de consumo, segundo o dirigente, previa um crescimento em torno de 10% no Dia das Mães em relação ao ano passado, resultado que deverá diminuir em função do atraso na liberação das importações. Em relação às exportações, as indústrias estão sofrendo com as multas contratuais por não cumprirem os prazos de entrega acordados.
“A interrupção na produção pode ocorrer a qualquer momento, agravando-se na próxima semana, se as mercadorias retidas nos portos e aeroportos não forem liberadas”, afirmou Lourival Kiçula.







