Mesmo com a alta de juros que refreou em seis pontos percentuais o crescimento das vendas, o comércio do Amazonas alcançou a média de crescimento de 1,29% ao mês no primeiro semestre do ano sem o ajuste sazonal de junho.
A taxa de expansão do varejo pode alcançar 12,52% nos primeiros seis meses quando comparada a do mesmo período no ano passado.
Os dados ainda não totalmente fechados fornecidos pela Fecomercio (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), chamam atenção para o fortalecimento das vendas de cine-foto-som (133,84%), lojas de departamento (62,36%), concessionárias de veículos (54,61%), artigos desportivos (45,62%) e materiais de construção (38,61%). Embora sejam números parciais, tudo leva a crer que, em junho, os negócios no varejo cresceram perto de 3,31% em comparação ao mesmo período do ano passado.
Diante desses números, o presidente da Fecomercio, José Roberto Tadros, afirmou que o varejo vem contabilizando taxas positivas há alguns anos, mas é historicamente ancorado no desempenho de alguns segmentos, como revendedoras de veículos, lojas de departamentos e materiais de construção. “A maior oferta de crédito, com prazos mais longos, e o corte da taxa de juros, aliados ao aumento da massa salarial real, têm sustentado a confiança do consumidor nas compras, alavancando a demanda interna”, explicou.
De fato, a alta nas vendas no semestre fez disparar o termômetro das prospecções do setor para este ano.
Segundo o diretor do Sincadam (Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Estado do Amazonas), Enoch Lunière Alves, apesar de o segmento industrial ser o mais pujante na economia do Estado, o comércio do Amazonas pode faturar US$ 10 bilhões neste ano, isto é, praticamente 40% do faturamento esperado pelas indústrias do PIM (Pólo Industrial de Manaus).
Lunière não deu estimativas para o faturamento do setor atacadista, mas disse que o acesso facilitado ao crédito levou o consumidor a uma alta recorde nas compras durante o semestre, que elevaram a mais de 13,4 % o cenário de faturamento do varejo local ainda em maio. “O comércio dá mostras definitivas do bom momento pelo qual passa. Com cerca de 360 mil empregos formais observados neste ano, o setor é o que mais emprega no Estado. Essa é outra razão para se comemorar, além do crescimento nas vendas”, ressaltou.
O cenário da abundante oferta de crédito bancário no país também foi a explicação reforçada pelo empresário Altamiro Souza para a alta nas vendas de veículos no Estado, ancorada pelos negócios com seminovos e motocicletas. O executivo afirmou que o crédito destinado para o financiamento de veículos, que tem sido o mais expressivo dentro do total geral de empréstimos (com os juros mais baixos, dado o baixo risco dessas operações), também colaborou com a alta do setor.
Souza assegurou que a valorização do câmbio não prejudicou o setor, como vem ocorrendo na indústria, por exemplo, fator essencial para estimar um faturamento recorde para este ano. Segundo o empresário, além da estabilidade de preços, a queda do dólar deixou os importados mais baratos e facilitou às camadas populares obterem carteiras de crédito maiores juntos às instituições financeiras. “Além das facilidades de cada loja, com uma taxa de juros de 1% ao mês, é fácil perceber que teria uma explosão na venda de seminovos durante o período”, explicou. Para o diretor de operações do Grupo Transby, Daniel Serruya, o comércio local de fato está aquecido devido principalmente à expansão do poder de compras da classe C, o que se refletiu no setor de vestuário. “O aumento na taxa básica de juros não refletiu para o consumidor final, que continou comprando. Por isso mantemos a meta de expandir nosso faturamento, este ano, em cerca de 25%”, explicou.
Riscos são menores
A elevação da renda do trabalhador amazonense e a perspectiva de crescimento econômico do Estado levaram a economista Maria de Jesus Cruz a afirmar que há certo consenso no mercado de que o varejo será benefici






