O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que o país tende a ter ciclos de aumento de juros menores do que no passado para segurar o aumento da inflação.
Em abril, o BC aumentou os juros de 11,25% para 11,75% ao ano. A expectativa do mercado, segundo pesquisa do próprio BC, é de que a Selic termine o ano em 13,25%. Ele citou uma série de indicadores sobre a melhora na economia brasileira para justificar uma maior estabilidade na política monetária (política de mudança nos juros para controlar a inflação).
“Tudo isso faz com que economia tenha um comportamento que seja diferente do que foi no passado. Isso não elimina o ciclo de política monetária, mas os torna de outra magnitude. Nós já estamos começando a atingir, vamos dizer, uma certa normalidade monetária’’, disse Meirelles durante audiência na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado.
“No médio e longo prazo temos uma tendência de queda da taxa de juros. Mas isso não quer dizer que seja uma queda linear’’, disse Meirelles, sobre as altas e baixas da Selic. O presidente do BC disse também que o aumento dos juros no mercado financeiro é sempre puxado pelas expectativas de inflação e não apenas pelas decisões do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a taxa básica de juros. Segundo ele, no passado, as taxas subiram antes da ação do BC e se estabilizaram após o aumento dos juros básicos.
“A taxa de juros do mercado reage à expectativa de inflação. E se o BC não mostra disposição de combater o aumento de preços, a expectativa de inflação sobe e as taxas de mercado sobem ainda mais’’, disse Meirelles.
Superávit primário positivo
Ao contrário do que ocorreu em outras audiências, o presidente do BC foi elogiado pelos senadores do governo e da oposição, mesmo depois da alta dos juros.
O senador Jefferson Peres (PDT-AM) disse que Meirelles foi “bombardeado’’ pelas suas decisões sobre aumento dos juros no passado, mas que os fatos hoje mostram que a instituição estava correta. Ele se disse “avaro’’ em elogiar autoridades, mas afirmou que a obtenção do grau de investimento, mostra que o BC estava certo.
“Parabéns por ter elevado em 0,50 (os juros)’’, afirmou. “Depois de ser tão espingardeado, vossa excelência vê a inflação bem ou mal sob controle, PIB (Produto Interno Bruto) com crescimento de 5% ao ano e distribuição de renda. Vossa excelência e sua equipe praticaram uma política social no Brasil. O BC hoje no Brasil é hoje uma ilha de racionalidade.’’
Pagamento
de juros
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que o aumento do chamado superávit primário (economia do governo para pagar os juros da dívida pública) seria positivo, mas que ele prefere não sugerir essa opção ao governo, já que não se trata de um assunto de competência do BC. A meta de superávit primário hoje é de 3,8% do PIB.
Durante audiência na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, Meirelles foi questionado pelo presidente da comissão, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), sobre o assunto.
Mercadante questiona presidente do Banco Central
“Em que medida a taxa Selic é suficiente para responder ao choque internacional de preços? Ela tem limites para amortecer um choque dessa natureza. Para não sobrecarregar a política monetária, nós temos de avançar no superávit primário”, afirmou Mercadante.
O presidente do Banco Central disse que poderia opinar sobre o assunto, mas sem defender a proposta, já que a decisão caberia a outros órgãos do governo.
“Não há dúvida de que um aumento de superávit primário tem componentes extremamente positivos na captação de recursos pelo Tesouro e no mercado de taxas de juros”, afirmou.
Crescimento
da inflação
Meirelles disse ainda que existe uma tendência de crescimento da inflação no Brasil, mas que o BC está agindo a tempo para evitar uma disparada dos preços.
“Existe uma tendência subjacente de crescimento da inflação no Brasil. Isso mostrou que o Banco Central deveria tomar







