Aumento no preço da gasolina impacta motoristas de apps

Em: 6 de março de 2021
Os recentes aumentos no preço da gasolina trouxe impactos ainda maiores para os motoristas de apps

Os recentes aumentos no preço da gasolina trouxe impactos ainda maiores para os motoristas de apps. A queda no lucro devido ao reajuste do combustível fez aumentar o número de devoluções dos veículos de 30% para mais de 45%. Entre janeiro e fevereiro deste ano, os rendimentos registraram quedas no rendimento semanal de até 38%. 

Segundo o representante da Ameap-AM (Associação de Motoristas por Aplicativo de Manaus), Alexandre Matias, os motoristas precisaram dobrar as horas trabalhadas, de 12 a 16 horas por dia, para terem o mesmo rendimento de antes com 6 horas de trabalho. “Estamos mais horas na rua. O que recomendamos é que ao invés de ficar rondando pela cidade sem passageiros, ele pare e aguarde outra viagem. E já existe reclamação de usuários sobre a falta de motoristas. Mas é impossível se deslocar para lugares de maior demanda com a alta em mais de 40% no preço da gasolina”. 

Para completar, ainda existem as despesas mensais com aluguel e manutenção do veículo como troca de óleo, pneu que fura, lavagem do veículo,  alimentação, porque  muitas das vezes eles não têm tempo para ir em casa e ainda as taxas que precisam ser repassadas para as empresas que giram entre de 9,5% a 45% e variam de acordo com a corrida. “Tem todo um custo operacional que os aplicativos não levam em consideração, mas os motoristas colocam na ponta do lápis”.

Fato é que a atividade considerada rentável, com rotina flexível, retorno sobre o desempenho e era vista como saída para muitos que perderam o emprego e como opção para incremento na renda, agora é vista por  alguns motoristas como um pesadelo. “Eu tenho amigos que não conseguem dormir porque precisam faturar para pagar os compromissos. A  atividade não está mais valendo a pena. Estamos pagando para trabalhar, essa é a verdade”, declara o motorista Josué Costa. 

De acordo com a Ameap-AM, 60% dos motoristas de aplicativo no Amazonas rodam com veículos alugados e o preço do aluguel não baixou, hoje, a  diária custa em média R$60. O valor da viagem mínima pelo app 99 é R$4,50 para rodar 5 km com um passageiro fora do deslocamento para ir até ele de 2 km. “O que o motorista está fazendo é desperdiçar tempo fazendo essas corridas de curta duração. Fazendo esse cálculo simples e básico a categoria está no prejuízo”, acrescenta Alexandre Matias.

Para o representante, no momento, a única saída da categoria é o GNV (Gás Natural Veicular), mas para que isso aconteça é necessário que o governo estadual libere o gás para outras empresas explorarem e assim o setor deixa de ser refém dos combustíveis como a gasolina. 

Empresas

Em resposta sobre os valores das taxas praticadas pelos apps, a 99 esclarece que está aberta ao diálogo e prioriza a melhoria contínua dos ganhos dos motoristas parceiros. Nesse sentido, a empresa viabiliza parcerias e condições especiais nos preços dos combustíveis, manutenção de carros e aluguel com agências para reduzir os gastos dos parceiros. Um exemplo disso é o desconto de 5% em postos Shell. “Estamos acompanhando de perto o movimento de alta dos combustíveis e abertos ao diálogo com motoristas e governo para construir uma solução que seja benéfica para todos. Entendemos que nossa contribuição deve ser reduzindo o custo que os parceiros e parceiras têm e trazendo mais eficiência para suas rotinas”, diz a nota.

Por sua vez, a Uber respondeu que no passado, a taxa da Uber era fixa em 25%. Em 2018, ela se tornou variável e passou a fazer parte da estratégia da Uber em oferecer descontos para os usuários de modo a incentivar que eles façam viagens. O valor da taxa de serviço da Uber fica sempre entre 1% e 40%. 

Há confusão entre os motoristas parceiros sobre o valor da taxa porque em algumas viagens ele pode aumentar enquanto, em outras, pode diminuir. É por isso que todos os motoristas parceiros ativos recebem toda semana, por email, um compilado sobre os seus ganhos. Nesse e-mail, é possível conferir quanto ele pagou de taxa Uber naquela semana. 

Foto/Destaque: Divulgação

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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