Autazes é ouro na França

Em: 23 de setembro de 2025
Um ouro histórico para o Amazonas num momento em que o Brasil se coloca entre os grandes produtores de queijos do mundo.
Orgulho para o Amazonas e para Autazes
Orgulho para o Amazonas e para Autazes

Não bastasse ganhar prêmios no Amazonas (Expoagro, Feira de Agronegócios da Nilton Lins, e nas Exposições Agropecuárias de Autazes e Parintins) e em Minas Gerais (ExpoQueijo 2025 – Araxá International Chesse Awards), agora a queijaria Tradição D’Lourdes, de Autazes, resolveu fazer graça na França conquistando a medalha de ouro de melhor queijo numa competição que reuniu 26 países e mais de 300 jurados provando quase dois mil produtos

O evento é o ‘Mondial Du Fromage Tours 2025’, concurso internacional dedicado aos profissionais do setor de queijos e laticínios, realizado na cidade de Tours. A competição iniciou na sexta-feira (12) e encerrou no domingo (14). Além da Tradição D’Lourdes, a Original, também de Autazes, esteve na competição. Outra ganhadora frequente de prêmios, a leiteria Macurany, de Parintins, conquistou a medalha de bronze.

Em julho passado, Arleane Figueiredo, uma das proprietárias da D’Lourdes; e Willace Paiva, um dos donos da Original, foram matéria no Jornal do Commercio após conquistarem premiações em Minas, e avisaram que estariam na França.

As conquistas mais recentes das duas empresas aconteceram na ExpoQueijo 2025 – Araxá International Cheese Awards, o maior concurso das Américas, realizado em Minas Gerais, no final de junho, quando a Tradição D’Lourdes ganhou quatro medalhas de ouro; e a Original, uma de bronze. Ano passado as mesmas queijarias já haviam feito bonito com a Original ganhando medalha de prata (com o queijo coalho de búfala) e D’Lourdes ganhando bronze (com a ricota de búfala) no mesmo concurso. Em julho deste ano, a D’Lourdes também trouxe uma medalha de ouro ao participar do Prêmio Queijo Brasil, realizado em Blumenau/SC, apresentando uma novidade, o queijo com cumaru e cachaça.

 

Café amazônico

“Levei três tipos de queijo para a França: queijo coalho de búfala, ricota de búfala e maturado com café. O maturado com café foi o que caiu no gosto dos jurados”, comemorou Arleane.

Maturar significa amadurecer. São famosos os queijos maturados franceses. A maturação é um processo de envelhecimento em que o queijo é repousado em ambiente controlado, desenvolvendo sabor, aroma e textura característicos. Alguns exemplos famosos incluem o Comté, com pelo menos 120 dias de maturação e um sabor que varia de amanteigado a frutado, e o Brie, que tem um mês de maturação e uma textura cremosa com casca florida.

“O meu queijo resulta de uma mistura de leites bovino e bubalino. Eu o deixo numa solução de café por alguns dias e depois o coloco para maturar por 30, 60, 90 e até 120 dias. Em cada período de tempo destes, o queijo adquire características próprias”, revelou.

O café utilizado por Arleane é um café exclusivo da Amazônia, o robusta amazônico. Trata-se de um café de alta qualidade, cultivado principalmente em Rondônia (97% da produção regional) e Amazonas (3%), que se destaca pela sua genética única e características sensoriais distintas, como notas de chocolate e amêndoas, originado do cruzamento de cafés conilon e robusta. As cultivares foram selecionadas para se adaptarem ao solo e clima amazônicos, resultando em um café robusta de características únicas.

Arleane, por segundos não acreditei no que ouvia”
Arleane, por segundos não acreditei no que ouvia”

Entre 26 países

Arleane contou que não esperava a conquista da medalha de ouro, pois os queijos precisam de condições adequadas para manterem a qualidade. Devido à distância entre Autazes e Tours, seria difícil fazer isso.

“Os queijos foram enviados dia 2, mas a logística prejudicou muito a qualidade de nossos queijos frescos. O prazo para a entrega era dia 10, e nós só iríamos chegar no dia 11, não tinha como preparar os queijos lá”, explicou.

“Quando os organizadores colocaram nas mesas os queijos de todos os participantes e os jurados começaram a provar, eu não tinha esperanças. Eram cinco, seis jurados em cada mesa e as reações deles não diziam nada. Quando anunciaram que a D’Lourdes havia ganho a medalha de ouro com o maturado de café, por segundos não acreditei no que ouvia”, lembrou.      

O Brasil conquistou um feito histórico no concurso, conhecido como a Copa do Mundo do Queijo, pois além da D’Lourdes, nove outras queijarias também ganharam medalhas de ouro. A competição reuniu mais de 1.900 produtos de 26 países. Além do ouro, o Brasil voltou para casa com mais 48 medalhas entre prata e bronze, não só premiando queijos, mas também um iogurte natural e até um requeijão cremoso.

Quem desejar conhecer o sabor do queijo maturado com café da D’Lourdes, Arleane avisa que, em outubro, a queijaria já terá algumas peças prontas.

“Estamos levando ouro para o Brasil, para o Amazonas, e para o município de Autazes, sempre inovando com os nossos queijos, apresentando produtos de qualidade, cada vez mais, reconhecidos nacional e internacionalmente”, concluiu.

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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