Não bastasse ganhar prêmios no Amazonas (Expoagro, Feira de Agronegócios da Nilton Lins, e nas Exposições Agropecuárias de Autazes e Parintins) e em Minas Gerais (ExpoQueijo 2025 – Araxá International Chesse Awards), agora a queijaria Tradição D’Lourdes, de Autazes, resolveu fazer graça na França conquistando a medalha de ouro de melhor queijo numa competição que reuniu 26 países e mais de 300 jurados provando quase dois mil produtos
O evento é o ‘Mondial Du Fromage Tours 2025’, concurso internacional dedicado aos profissionais do setor de queijos e laticínios, realizado na cidade de Tours. A competição iniciou na sexta-feira (12) e encerrou no domingo (14). Além da Tradição D’Lourdes, a Original, também de Autazes, esteve na competição. Outra ganhadora frequente de prêmios, a leiteria Macurany, de Parintins, conquistou a medalha de bronze.
Em julho passado, Arleane Figueiredo, uma das proprietárias da D’Lourdes; e Willace Paiva, um dos donos da Original, foram matéria no Jornal do Commercio após conquistarem premiações em Minas, e avisaram que estariam na França.
As conquistas mais recentes das duas empresas aconteceram na ExpoQueijo 2025 – Araxá International Cheese Awards, o maior concurso das Américas, realizado em Minas Gerais, no final de junho, quando a Tradição D’Lourdes ganhou quatro medalhas de ouro; e a Original, uma de bronze. Ano passado as mesmas queijarias já haviam feito bonito com a Original ganhando medalha de prata (com o queijo coalho de búfala) e D’Lourdes ganhando bronze (com a ricota de búfala) no mesmo concurso. Em julho deste ano, a D’Lourdes também trouxe uma medalha de ouro ao participar do Prêmio Queijo Brasil, realizado em Blumenau/SC, apresentando uma novidade, o queijo com cumaru e cachaça.
Café amazônico
“Levei três tipos de queijo para a França: queijo coalho de búfala, ricota de búfala e maturado com café. O maturado com café foi o que caiu no gosto dos jurados”, comemorou Arleane.
Maturar significa amadurecer. São famosos os queijos maturados franceses. A maturação é um processo de envelhecimento em que o queijo é repousado em ambiente controlado, desenvolvendo sabor, aroma e textura característicos. Alguns exemplos famosos incluem o Comté, com pelo menos 120 dias de maturação e um sabor que varia de amanteigado a frutado, e o Brie, que tem um mês de maturação e uma textura cremosa com casca florida.
“O meu queijo resulta de uma mistura de leites bovino e bubalino. Eu o deixo numa solução de café por alguns dias e depois o coloco para maturar por 30, 60, 90 e até 120 dias. Em cada período de tempo destes, o queijo adquire características próprias”, revelou.
O café utilizado por Arleane é um café exclusivo da Amazônia, o robusta amazônico. Trata-se de um café de alta qualidade, cultivado principalmente em Rondônia (97% da produção regional) e Amazonas (3%), que se destaca pela sua genética única e características sensoriais distintas, como notas de chocolate e amêndoas, originado do cruzamento de cafés conilon e robusta. As cultivares foram selecionadas para se adaptarem ao solo e clima amazônicos, resultando em um café robusta de características únicas.

Entre 26 países
Arleane contou que não esperava a conquista da medalha de ouro, pois os queijos precisam de condições adequadas para manterem a qualidade. Devido à distância entre Autazes e Tours, seria difícil fazer isso.
“Os queijos foram enviados dia 2, mas a logística prejudicou muito a qualidade de nossos queijos frescos. O prazo para a entrega era dia 10, e nós só iríamos chegar no dia 11, não tinha como preparar os queijos lá”, explicou.
“Quando os organizadores colocaram nas mesas os queijos de todos os participantes e os jurados começaram a provar, eu não tinha esperanças. Eram cinco, seis jurados em cada mesa e as reações deles não diziam nada. Quando anunciaram que a D’Lourdes havia ganho a medalha de ouro com o maturado de café, por segundos não acreditei no que ouvia”, lembrou.
O Brasil conquistou um feito histórico no concurso, conhecido como a Copa do Mundo do Queijo, pois além da D’Lourdes, nove outras queijarias também ganharam medalhas de ouro. A competição reuniu mais de 1.900 produtos de 26 países. Além do ouro, o Brasil voltou para casa com mais 48 medalhas entre prata e bronze, não só premiando queijos, mas também um iogurte natural e até um requeijão cremoso.
Quem desejar conhecer o sabor do queijo maturado com café da D’Lourdes, Arleane avisa que, em outubro, a queijaria já terá algumas peças prontas.
“Estamos levando ouro para o Brasil, para o Amazonas, e para o município de Autazes, sempre inovando com os nossos queijos, apresentando produtos de qualidade, cada vez mais, reconhecidos nacional e internacionalmente”, concluiu.







