A corrente de comércio exterior do Amazonas totalizou US$ 7.34 bilhões no acumulado dos primeiros cinco meses do ano, constituindo uma escalada de 19,35% sobre o mesmo período do ano passado (US$ 6.15 bilhões). A soma das exportações e importações perdeu força na passagem de abril (US$ 1.45 bilhão) para maio (US$ 1.43 bilhão) e bem distante do pico de janeiro (US$ 1.63 bilhões). Também ficou 10,13% aquém do patamar de 12 meses atrás (US$ 1.48 bilhão). Os números são do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e estão no site do Comex Stat.
As exportações somaram US$ 90.67 milhões, descendo 16,30% da marca vitaminada de abril (US$ 108.33 milhões), mas ainda ficando 21,25% acima do mesmo mês de 2023 (US$ 74.78 milhões). As importações (US$ 1.34 bilhão), que são predominantes no comércio exterior amazonense, estagnaram na virada mensal, mas expandiram 7,20% no confronto com o dado de 12 meses atrás (US$ 1.25 bilhão). O acumulado do ano rendeu altas de 21,88%, para as vendas externas (US$ 486.81 milhões), e de 19,13%, para as aquisições no estrangeiro (US$ 6.85 bilhões).
A análise trimestral, que é usada para captar tendências, indica que o movimento ainda é de recuperação para as importações e exportações amazonenses, e de formação de estoques para o que se espera ser uma nova vazante histórica. As compras dos agentes econômicos do Estado no mercado estrangeiro somaram US$ 3.95 bilhões no trimestre encerrado em maio de 2024, 30,36% a mais do que no acumulado de dezembro de 2023 a fevereiro deste ano (US$ 3.03 bilhões). A mesma comparação confirmou expansão de 15,55% nas vendas externas do Estado, com US$ 297.71 milhões contra (US$ 257.65 bilhões).
Insumos e manufaturados
Dominado por insumos para o PIM, o ranking de importações também teve altas nas compras de combustíveis e manufaturados prontos. Foi encabeçado por circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 248.08 milhões); discos, fitas e outros suportes para gravação (US$ 111.62 milhões); e óleos de petróleo” (US$ 105.34 milhões). Com itens 566 itens listados, a pauta incluiu ainda polímeros de etileno (US$ 72.73 milhões); “grupos electrogéneos e conversores rotativos, elétricos” (US$ 63.95 milhões); caldeiras de vapor (US$ 56.61 milhões); celulares (US$ 49;42 milhões); partes e acessórios para veículos de duas rodas (US$ 46.69 milhões), entre outros.
Em abril, a China (US$ 464.52 milhões) renovou sua liderança entre os maiores fornecedores para o PIM, praticamente repetindo o resultado de um ano atrás (US$ 464.53 milhões). As demais colocações foram ocupadas por Estados Unidos (US$ 170.49 milhões), Vietnã (US$ 115.05 milhões), Rússia (US$ 82.39 milhões), Coreia do Sul (US$ 81.07 milhões), Taiwan/Formosa (US$ 64.69 milhões), Suíça (US$ 56.87 milhões), Japão (US$ 41.13 milhões), Hong Kong (US$ 35.77 milhões) e Índia (US$ 32.52 milhões), entre as 91 nações que venderam produtos ao Estado, no mês passado.
Do lado das exportações, o pódio voltou a ser liderado por óleos de petróleo (US$ 23.26 milhões), superando novamente preparações alimentícias/concentrados (US$ 18.53 milhões) e motocicletas (US$ 10.69 milhões), em um rol de 349 itens. ouro (US$ 8.90 milhões) e ferro-ligas/nióbio (US$ 3.36 milhões) também foram destaques. Os próximos manufaturados do PIM aparecem na sétima, 11ª, 12ª e 13ª colocações em diante: máquinas e aparelhos para escritórios” (US$ 1.36 milhão), barbeadores (US$ 1.29 milhão) e televisores (US$ 1.11 milhão) e celulares (US$ 825.835), entre outros.
Porto Rico (US$ 20.01 milhões) tomou de forma atípica a liderança da pauta de exportações, graças exclusivamente à compra de óleos de petróleo. Ultrapassou EUA (US$ 10.46 milhões), Alemanha (US$ 8.93 milhões) – cujas transações praticamente se resumiram a ouro –, Bolívia (US$ 6.91 milhões), Colômbia (US$ 6.26 milhões) e China (US$ 4.83 milhões) – que comprou basicamente ferro-ligas/nióbio. Entre os 69 destinos, destacam-se também Venezuela (US$ 4.83 milhões) e Argentina (US$ 4.72 milhões), entre outros, que também compraram manufaturados do Polo Industrial de Manaus.
“Expansão até setembro”
De acordo com o diretor adjunto de Infraestrutura, Transporte e Logística da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), coordenador da Comissão de Logística do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), e professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Augusto Cesar Barreto Rocha, os números da balança comercial do Amazonas indicam um cenário favorável ao PIM, a despeito da apreciação do dólar no mercado internacional, a aproximação do período de estiagem e “o desafio das altas taxas de juros”.
“Sigo acreditando na expansão até setembro. O fim da vazante limpará potenciais efeitos da sazonalidade e este período também levará a um câmbio médio que poderá ter voltado ao patamar histórico, ou mesmo definir novo patamar. A recente alta do dólar e a baixa da inflação tem correlação com positividade no Polo. E os movimentos do banco central norte-americano e as eleições deles influenciarão no cenário cambial. Em relação aos números de fluxo decrescente, tenho a sensação de que estão mais associados com a sazonalidade contratual de casos particulares”, explanou.
Confrontado com o detalhamento dos dados das exportações, Augusto Cesar Barreto Rocha, considerou que a presença preponderante do combustível e “afins” é “estranha” ao fluxo, e “deve ser avaliada de maneira isolada”. “O fluxo do segmento de duas rodas, por outro lado, me parece ser muito vinculado com os países da Ásia de sua seleção, como Vietnã. Já o mercado de semicondutores ainda elevado demonstra que as preocupações com os terremotos na Ásia não geraram efetivamente mudança de posicionamento”, avaliou.
Em entrevistas recentes à reportagem do Jornal do Commercio, o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam, Marcelo Lima, ressaltou que os dados de importações seguem “dentro do esperado”. Na análise do especialista, os números indicam aumento na quantidade de vendas de componentes do PIM, oriundas da China e demais fornecedores asiáticos.
“Nas exportações, há uma ascendência do ouro, em volume que tem surpreendido. É um produto que tem se tornado muito atrativo para o mercado internacional, principalmente a Europa. Com relação, aos manufaturados do PIM, há a pulverização dos concentrados para os demais países da América Latina. Ainda não temos motivos para preocupações. Acredito que o comércio exterior tende a crescer em 2024, por conta da abertura de novos mercados”, arrematou.







