Em reposta à estratégia do Palácio do Planalto, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves
(PMDB-RN), saiu em defesa do colega Eduardo Cunha (RJ) e classificou de “impossível” o
isolamento do líder do PMDB, que representa uma bancada de 76 deputados. Alves afirmou ainda
que “isso não passa pela cabeça do PMDB”.
A fala ocorreu minutos antes da bancada do PMDB aprovar ontem uma moção de apoio a Cunha
afirmando que os ataques ao líder representam “ataques ao PMDB” e que extrapolaram “o patamar
da civilidade em quaisquer relações”.
O Planalto tem trabalhado para isolar Cunha depois que ele protagonizou uma guerra verbal com
petistas ao manifestar as insatisfações com o Planalto por conta das negociações da reforma
ministerial e com a composição dos palanques regionais. O governo avalia que Cunha extrapolou
ao tornar público as críticas ao governo e também ao liderar a formação de um “blocão” de
insatisfeitos com sete partidos da base aliada e um oposicionista para dificultar a vida do
Planalto em votações.
“Impossível se isolar o líder da bancada de 76 deputados federais. Pode haver dificuldades,
estremecimentos, mas faz parte do jeito político, mas isolar o líder do PMDB isso não passa
pela cabeça do PMDB”, disse o presidente da Câmara.
A bancada do PMDB começou a discutir a crise com o Planalto no início da tarde. A primeira
decisão foi a defesa de Cunha.
Questionado sobre os problemas com o Planalto e a frase da presidente Dilma Rousseff de que só
há alegrias na relação com o PMDB, ele alfinetou o PT. “É só alegria mesmo. Lógico que num
governo deste tamanho, numa relação entre dois partidos tão grandes tem problemas entre os
partidos. Mas a relação com ela, eu acredito ser estável e muito boa”, disse.
O presidente da Câmara esteve reunido com o vice-presidente Michel Temer ao longo da manhã no
Palácio do Jaburu e depois encontrou com a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais).
Segundo Alves, não houve avanços sobre a reforma ministerial.
Votações incômodas
Henrique Alves disse ainda que vai colocar em votação, na noite de hoje, pautas incômodas ao
Palácio do Planalto. Uma é a convocação de uma comissão externa para investigar a suspeita de
propina de empresa holandesa para a Petrobras. A outra é o Marco Civil da Internet, projeto
que Dilma deseja que seja aprovado, mas que aliados ameaçam rejeitar. O governo defende a
aprovação do texto do deputado Alessandro Molon (PT-RJ) sobre o Marco Civil, espécie de
Constituição da Internet, mas não diante da instabilidade com sua base na Câmara.
‘Blocão’ ignora Planalto
Apesar das investidas do Planalto para esvaziar o “blocão” da Câmara, líderes dos sete
partidos governistas e um oposicionista que formam o grupo definiram hoje aprovar a convocação
do ministro Arthur Chioro (Saúde) para prestar esclarecimentos na Comissão de Finanças.
O grupo também manteve o acerto para aprovar uma comissão externa para apurar a suspeita de
pagamento de propina de uma empresa holandesa para a Petrobras. O entendimento foi fechado
durante um almoço que reuniu líderes do PMDB, PTB, PR, PSC e SDD. PP, PROS e PDT enviaram
vice-líderes.
Ao todo, as comissões da Câmara precisam analisar 21 pedidos de convocação de ministros. Do
total, sete pedem esclarecimentos de Chioro sobre o programa Mais Médicos, vitrine eleitoral
da presidente Dilma Rousseff.
Segundo o líder do PTB, Jovair Arantes (GO), a maioria do “blocão” quer a convocação do
ministro da Saúde que está prevista para ser votada amanhã. Ele afirmou que os casos dos
outros ministros serão analisadas individualmente por cada bancada, já que há tentativas de
convocar ministros de partidos que fazem parte do grupo, como Edison Lobão (Minas e Energia)
para falar de apagão e Petrobras.
Desagravo
Durante a reunião do “blocão”, o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), foi alvo de um ato de
desagravo. Segundo o líder do PTB, ele tem sido agredido pelo Planalto de uma forma
desrespeitosa. Cunha foi isolado pelo governo nas negociações do partido depois que se tornou
porta-voz da ala insatisfeita da legenda com a reforma ministerial e com as alianças estaduais
o que acabou levando a protagonizar embates com líderes do PT.







