Bancada defende Eduardo Cunha

Em: 28 de fevereiro de 2014
Estratégia de isolar deputado rebelde esbarra no corporativismo dos peemedebistas da Câmara
Estratégia de isolar deputado rebelde esbarra no corporativismo dos peemedebistas da Câmara

Em reposta à estratégia do Palácio do Planalto, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves

(PMDB-RN), saiu em defesa do colega Eduardo Cunha (RJ) e classificou de “impossível” o

isolamento do líder do PMDB, que representa uma bancada de 76 deputados. Alves afirmou ainda

que “isso não passa pela cabeça do PMDB”.
A fala ocorreu minutos antes da bancada do PMDB aprovar ontem uma moção de apoio a Cunha

afirmando que os ataques ao líder representam “ataques ao PMDB” e que extrapolaram “o patamar

da civilidade em quaisquer relações”.
O Planalto tem trabalhado para isolar Cunha depois que ele protagonizou uma guerra verbal com

petistas ao manifestar as insatisfações com o Planalto por conta das negociações da reforma

ministerial e com a composição dos palanques regionais. O governo avalia que Cunha extrapolou

ao tornar público as críticas ao governo e também ao liderar a formação de um “blocão” de

insatisfeitos com sete partidos da base aliada e um oposicionista para dificultar a vida do

Planalto em votações.
“Impossível se isolar o líder da bancada de 76 deputados federais. Pode haver dificuldades,

estremecimentos, mas faz parte do jeito político, mas isolar o líder do PMDB isso não passa

pela cabeça do PMDB”, disse o presidente da Câmara.
A bancada do PMDB começou a discutir a crise com o Planalto no início da tarde. A primeira

decisão foi a defesa de Cunha.
Questionado sobre os problemas com o Planalto e a frase da presidente Dilma Rousseff de que só

há alegrias na relação com o PMDB, ele alfinetou o PT. “É só alegria mesmo. Lógico que num

governo deste tamanho, numa relação entre dois partidos tão grandes tem problemas entre os

partidos. Mas a relação com ela, eu acredito ser estável e muito boa”, disse.
O presidente da Câmara esteve reunido com o vice-presidente Michel Temer ao longo da manhã no

Palácio do Jaburu e depois encontrou com a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais).

Segundo Alves, não houve avanços sobre a reforma ministerial.

Votações incômodas
Henrique Alves disse ainda que vai colocar em votação, na noite de hoje, pautas incômodas ao

Palácio do Planalto. Uma é a convocação de uma comissão externa para investigar a suspeita de

propina de empresa holandesa para a Petrobras. A outra é o Marco Civil da Internet, projeto

que Dilma deseja que seja aprovado, mas que aliados ameaçam rejeitar. O governo defende a

aprovação do texto do deputado Alessandro Molon (PT-RJ) sobre o Marco Civil, espécie de

Constituição da Internet, mas não diante da instabilidade com sua base na Câmara.

‘Blocão’ ignora Planalto
Apesar das investidas do Planalto para esvaziar o “blocão” da Câmara, líderes dos sete

partidos governistas e um oposicionista que formam o grupo definiram hoje aprovar a convocação

do ministro Arthur Chioro (Saúde) para prestar esclarecimentos na Comissão de Finanças.
O grupo também manteve o acerto para aprovar uma comissão externa para apurar a suspeita de

pagamento de propina de uma empresa holandesa para a Petrobras. O entendimento foi fechado

durante um almoço que reuniu líderes do PMDB, PTB, PR, PSC e SDD. PP, PROS e PDT enviaram

vice-líderes.
Ao todo, as comissões da Câmara precisam analisar 21 pedidos de convocação de ministros. Do

total, sete pedem esclarecimentos de Chioro sobre o programa Mais Médicos, vitrine eleitoral

da presidente Dilma Rousseff.
Segundo o líder do PTB, Jovair Arantes (GO), a maioria do “blocão” quer a convocação do

ministro da Saúde que está prevista para ser votada amanhã. Ele afirmou que os casos dos

outros ministros serão analisadas individualmente por cada bancada, já que há tentativas de

convocar ministros de partidos que fazem parte do grupo, como Edison Lobão (Minas e Energia)

para falar de apagão e Petrobras.

Desagravo
Durante a reunião do “blocão”, o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), foi alvo de um ato de

desagravo. Segundo o líder do PTB, ele tem sido agredido pelo Planalto de uma forma

desrespeitosa. Cunha foi isolado pelo governo nas negociações do partido depois que se tornou

porta-voz da ala insatisfeita da legenda com a reforma ministerial e com as alianças estaduais

o que acabou levando a protagonizar embates com líderes do PT.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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