Banco amarga prejuízo de R$ 133,6 mi no semestre

Em: 17 de fevereiro de 2011
A instituição financeira também confirmou que o rombo total das contas atingiu R$ 4,3 bilhões
A instituição financeira também confirmou que o rombo total das contas atingiu R$ 4,3 bilhões

Protagonista do mais recente escândalo financeiro do país, o banco PanAmericano anunciou ontem um prejuízo líquido de R$ 133,6 milhões para o último trimestre do ano passado. A instituição financeira também confirmou que o rombo total das contas atingiu R$ 4,3 bilhões.
O balanço divulgado não apresenta uma estimativa total para todo o ano de 2010. E em outra anomalia do banco, os resultados do terceiro trimestre também foram apresentados, apontando para um prejuízo de R$ 81,76 milhões neste período.
A administração do banco justifica esses procedimentos ao afirmar, explicitamente, que “a complexidade dos mecanismos contábeis impediu a definição do momento exato em que começaram a ocorrer as irregularidades contábeis”.
Em 2009, o banco já havia apresentado um prejuízo de R$ 7,88 milhões. O balanço de 2008 foi o último em que os resultados do banco ficaram no “azul”, com um ganho de R$ 73,5 milhões.
A administração do banco confirmou um rombo total nas contas da entidade chegam à cifra de R$ 4,3 bilhões. Inicialmente apuradas na ordem de R$ 2,5 bilhões, as perdas do banco foram revistas pela nova administração -com o auxílio de consultores externos- que identificou irregularidades adicionais nas contas no valor de R$ 1,8 bilhão.
Segundo o balanço, o rombo total anunciado é a soma de: R$ 1,6 bilhão referente a carteira de crédito insubsistente; R$ 1,7 bilhão referente a passivos não registrados de operações de cessão liquidados/referenciados; R$ 500 milhões referentes a irregularidades na constituição de provisões para perdas de crédito; R$ 300 milhões referentes a ajustes de marcação a mercado; R$ 200 milhões referentes a outros ajustes.

Funcionários trocados

Somente uma minoria dos executivos do Banco Panamericano sabia das fraudes contábeis que geraram um rombo de R$ 4,3 bilhões, diz o diretor superintendente do banco, Celso Antunes da Costa. Dos dois mil funcionários da instituição, cerca de 40 precisaram ser trocados por estarem envolvidos diretamente ou saberem da existência das operações irregulares. A principal mudança foi na diretoria, com a troca de todos os executivos.
Costa diz que o Panamericano agora é um novo banco, que passou por mudanças radicais desde o dia 9 de novembro de 2010, quando foi anunciado o rombo, que na época era calculado em R$ 2,5 bilhões. Segundo o diretor, houve melhora da governança, revisão de políticas e corte de custos. Por isso, o banco optou por publicar apenas as informações financeiras de dezembro de 2010 porque, de acordo com Costa, eram as únicas que “espelhavam fielmente” o que o banco é atualmente. Os resultados anteriores devem ser descartados, pois não são comparáveis, afirma o diretor.
O executivo conta que em dezembro começaram a surgir indícios de que o rombo total era maior do que o anunciado em novembro. Foi contratada a PricewaterhouseCoopers, que passou a analisar os números. Em paralelo, a Deloitte e o próprio banco também analisaram o balanço e todos chegaram aos mesmos valores sobre o rombo.
Do rombo total, de R$ 4,3 bilhões, o registro de cessão de carteiras de créditos inexistentes foi responsável por R$ 1,3 bilhão. Nesse tipo de operação, o banco vendia a mesma carteira de empréstimo para mais de um banco, inflando seus ativos de crédito.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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