Banco Central indica que ainda há espaço para cortar juros

Em: 8 de maio de 2009
O Comitê de Política Monetária do Banco Central avalia que houve alguma melhora na economia brasileira e mundial entre março e abril, mas ainda vê espaço para continuar reduzindo a taxa básica de juros
O Comitê de Política Monetária do Banco Central avalia que houve alguma melhora na economia brasileira e mundial entre março e abril, mas ainda vê espaço para continuar reduzindo a taxa básica de juros

O Comitê de Política Monetária do Banco Central avalia que houve alguma melhora na economia brasileira e mundial entre março e abril, mas ainda vê espaço para continuar reduzindo a taxa básica de juros.
A avaliação faz parte da ata da última reunião do Copom. Na semana passada, o BC cortou a taxa básica de juros de 11,25% para o menor patamar da história, 10,25% ao ano.
“As perspectivas para a evolução da atividade econômica mostraram melhora desde a última reunião do Copom’’, diz o BC na ata. “A severidade da crise internacional exerceu influência negativa sobre a confiança dos consumidores e dos empresários, mas também nesse caso há sinais de recuperação’’.
Segundo o BC, a crise econômica criou uma “importante margem de ociosidade’’ na produção, “que não deve ser eliminada rapidamente em um cenário de recuperação gradual da atividade econômica’’. Para a instituição, esse cenário deve contribuir para conter as pressões inflacionárias, o que vai continuar abrindo espaço para a queda dos juros.
“Nesse ambiente, a política monetária pode ser flexibilizada sem colocar em risco a convergência da inflação para a trajetória de metas’’. Na ata da reunião da semana passada, o Copom diz que a ação dos governos das grandes economias ajudou a melhorar “a percepção de risco sistêmico’’ na economia. Mesmo assim, o BC avalia que o “retorno da confiança permanece frágil’’. Durante evento com empresários Henrique Meirelles, afirmou que ainda é cedo para dizer que o pior da crise já passou e pediu um otimismo mais moderado.
O Copom destaca também a melhora nos fluxos de dólares, o que ajudou na recuperação de várias moedas de economias emergentes em relação ao dólar americano. No Brasil, por exemplo, o BC já tem atuado no mercado de câmbio para evitar uma queda repentina do dólar. Somente em contratos de câmbio, Meirelles disse ontem já ter utilizado cerca de US$ 10 bilhões nas últimas semanas para estabilizar as cotações.
Na ata, o BC destaca ainda que a continuidade na queda dos juros vai exigir mudanças na economia brasileira, acostumada com um ambiente de taxas e inflação em alta.

Flexibilização monetária

“Adicionalmente, o Comitê entende que a continuidade do processo de flexibilização monetária torna premente a atualização de aspectos, resultantes do longo período de inflação elevada, que subsistem no arcabouço institucional do sistema financeiro nacional’’. Em seu discurso, Meirelles disse que a queda dos juros já trazia “problemas’’, como a questão da caderneta de poupança e dos fundos de pensão, cujas regras podem ser revistas.
O Copom reduziu a maioria das suas previsões para o reajuste de tarifas e preços administrados em 2009. A projeção de reajuste para o conjunto de preços administrados para o acumulado de 2009 caiu de 5,5% para 5,0%. Para a telefonia fixa, a previsão caiu de 7,6% para 6,3%.
Para a energia, foi mantida em 5%. As projeções para os reajustes nos preços da gasolina e do gás de bujão também foram mantidas, em 0% para 2009. Para 2010, a projeção de reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados foi mantida em 4,8%.
Informou ainda que a sua projeção para o IPCA que serve como meta, caiu entre as reuniões do Copom de março para abril e está ‘sensivelmente’ abaixo da meta de 4,5%. A instituição não divulga o número exato. Para 2010, as projeções de inflação mostraram estabilidade em relação aos valores considerados na última reunião do Copom.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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