Bancos privados perdem­ ­espaço ao dificultar crédito

Em: 7 de maio de 2009
Em comum, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander demonstraram nos primeiros três meses de 2009 menor fôlego no crescimento da carteira de crédito
Em comum, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander demonstraram nos primeiros três meses de 2009 menor fôlego no crescimento da carteira de crédito

O cuidado acima do normal com novas concessões de empréstimos e o aumento da inadimplência farão com que os grandes bancos privados continuem com o pé no freio nos próximos meses e, como consequência, essas instituições tendem a perder espaço para seus pares públicos na área de crédito, segundo analistas consultados pela Agência Estado.
“A redução da carteira é um sintoma da crise. Já os bancos públicos estão com a agenda voltada para o crédito, impulsionados pelo governo federal”, lembrou Luis Miguel Santacreu, analista da Austin Rating.
Em comum, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander demonstraram nos primeiros três meses de 2009 menor fôlego no crescimento da carteira de crédito. A variação do estoque de empréstimos dessas instituições ficou abaixo da média do sistema financeiro, que apresentou um crescimento de 1,1% em relação aos dados de dezembro.
No caso de Bradesco e Santander, as carteiras de crédito apresentaram recuo. Outro fator comum é a continuidade da elevação das provisões para perdas com crédito.
Já a tendência dos bancos públicos é de avanço. A carteira de crédito da CEF (Caixa Econômica Federal) subiu 11,4% no período, para R$ 89,2 bilhões. O Banco do Brasil só divulgará os resultados do primeiro trimestre na próxima semana, mas a expectativa de analistas do setor é de que o desempenho seja superior à média do mercado, como já indicado pelo Banco Central.
Dados do Banco Central mostram que as instituições públicas foram responsáveis em março por 37,7% do total de crédito no País, acima da participação que detinham há 12 meses, que era de, aproximadamente, 34%.
Já as instituições privadas, incluindo as de pequeno e médio porte, tiveram sua fatia reduzida de quase 66% para 62,3%. “Os grandes bancos privados estão com maior seletividade na hora de conceder crédito”, diz Jayme Alves, analista da Spinelli Corretora.
Para ele, essas grandes instituições não estão preocupadas com uma possível perda de market share neste momento, e sim em evitar uma elevação da inadimplência acima das expectativas.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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