O Banco Central reduziu o ritmo do aperto na economia. Esta semana, a instituição anunciou o aumento do juro básico da economia, a Selic, em 0,50 ponto porcentual, para 10,75% ao ano. Nas duas decisões anteriores, as altas haviam sido de 0,75 ponto. Com o entendimento de que o cenário inflacionário evoluiu positivamente desde junho, o Copom (Comitê de Política Monetária) viu espaço para diminuir a magnitude do aumento de juro. Nas últimas semanas, diversos indicadores de inflação e atividade econômica mostraram desaceleração.
Em comunicado divulgado após o encontro, os diretores do BC afirmam que a decisão levou em conta “o processo de redução de riscos para o cenário inflacionário que se configura desde a última reunião do Copom”. Essa melhora, segundo o texto, “se deve à evolução recente de fatores domésticos e externos”. “O Comitê entende que a decisão irá contribuir para intensificar esse processo (de redução de riscos)”, completa o texto distribuído após a decisão tomada por unanimidade.
Os argumentos para a redução de ritmo no aperto monetário vieram à tona nas últimas semanas e especialmente no cenário doméstico. Indicadores como a inflação mais baixa que o esperado e a atividade econômica em desaceleração surpreenderam positivamente o mercado financeiro. Para analistas, o quadro diminui o risco de descontrole da inflação e abre espaço para um BC mais moderado.
O próprio presidente Henrique Meirelles deu sinais de que o ritmo dos juros poderia mudar.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que o Copom não precisa mais aumentar os juros, porque as pressões inflacionárias estão sob controle. “A grande preocupação do Copom é a inflação,mas em junho ela ficou em zero e na primeira prévia de julho já está negativa. A inflação voltou ao controle”, disse o ministro.
Ao comentar o crescimento do crédito imobiliário no País, no primeiro semestre, Bernardo rechaçou a possibilidade de formação de uma bolha, semelhante à que ocorreu nos Estados Unidos, no início da crise financeira internacional. “Os analistas que dizem isso estão falando bobagem. A carteira de crédito imobiliário no Brasil é de menos de 3% do PIB, ao contrário dos Estados Unidos, onde chega a 60%”, afirmou. “Temos espaço para crescer até 13%, sem riscos”, acrescentou. Sobre o crescimento da economia, Bernardo disse que apesar da previsão ter sido corrigida para 6,5% a expansão pode chegar a 7%.
BC diminuiu ritmo do aperto à economia
Em: 22 de julho de 2010
O Banco Central reduziu o ritmo do aperto na economia. Esta semana, a instituição anunciou o aumento do juro básico da economia, a Selic, em 0,50 ponto porcentual, para 10,75% ao ano
Redação
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