BC diz que baixa da economia ainda deixa de fora corte na Selic

Em: 19 de dezembro de 2008
O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) avalia que a economia brasileira já apresenta sinais de desaceleração nesse último trimestre do ano, mas considera que ainda há riscos para o cumprimento da meta de inflação de 4,5% no próximo ano
O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) avalia que a economia brasileira já apresenta sinais de desaceleração nesse último trimestre do ano, mas considera que ainda há riscos para o cumprimento da meta de inflação de 4,5% no próximo ano

O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) avalia que a economia brasileira já apresenta sinais de desaceleração nesse último trimestre do ano, mas considera que ainda há riscos para o cumprimento da meta de inflação de 4,5% no próximo ano.
“Ainda não se consolidou o processo de reversão da tendência de afastamento da inflação em relação à trajetória de metas, que vem se verificando desde o final de 2007, embora o risco de uma deterioração ainda maior da dinâmica inflacionária venha se reduzindo”, diz o Copom na ata da última reunião.
Na semana passada, o BC decidiu manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano, mas afirmou que os diretores da instituição chegaram a discutir a possibilidade de um corte de 0,25 ponto percentual. “Entretanto, prevaleceu no Comitê o entendimento de que a trajetória prospectiva central da inflação ainda justificaria a manutenção da taxa básica em seu patamar atual”, diz o Copom.
Para o Banco Central, a falta de crédito na economia pode ampliar os efeitos da taxa de juros mais alta sobre o consumo e, conseqüentemente, sobre a inflação.
Mesmo assim, a instituição avalia que a influência do cenário externo sobre a trajetória de inflação “continua sujeita a efeitos contraditórios, que podem atuar com intensidade distinta ao longo do tempo, e envolta em considerável ar de incerteza”.
De acordo com o Banco Central, as projeções de inflação para 2009 feitas pela instituição caíram em relação à reunião do Copom de outubro, mas ainda se encontram acima do valor de 4,5%. O Copom, do Bacen volta a se reunir agora somente no dia 20 de janeiro para discutir um possível corte dos juros já no início de 2009.

BC não está “errando a mão’’

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse na quinta-feira que o crescimento da economia brasileira nos últimos anos mostra que a autoridade monetária não pode ser acusada de estar errando na administração da taxa básica de juros da economia, que hoje está em 13,75% ao ano.
Segundo Henrique Meirelles, embora os juros estejam em um patamar acima da média mundial, o crescimento da demanda doméstica e o consumo das famílias segue em alta, acima do registrado em outros países.
“Que nominalmente está acima da taxa mundial, não há dúvida. Que há um desejo que isso caia, não há dúvida. A questão é saber se foi adequada, se ela se refletiu em estabilização e maior crescimento da economia’’, disse Meirelles durante audiência pública na CAE do Senado.
Meirelles afirmou que os indicadores da economia mostram que não se pode dizer que o Brasil não está crescendo por causa dos juros. Além disso, se a taxa fosse “exageradamente alta’’, a inflação não estaria sempre próxima da meta de 4,5% do governo, argumenta, mas já estaria abaixo disso. “Isso não é um país que não está crescendo. Poucos países tiveram crescimento da demanda doméstica acima de 9%. Dificilmente poderia se argumentar que é um país que tem um BC errando a mão’’, afirmou.
O presidente do BC afirmou que boa parte do problema gerado pela crise internacional está ligada a questões de liquidez (falta de dinheiro para crédito) e não à taxa básica de juros. Com isso, o problema fica concentrado no spread bancário, diferença entre os juros básicos e valor cobrado nos bancos.
“Há uma separação entre a questão da liquidez e a política monetária. O que está se fazendo nesse momento é para que o spread bancário e a oferta de crédito retornem à normalidade. Isso é o que está afetando a economia brasileira nesse momento’’.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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