Bioplástico pode ser a nova fonte de riqueza do agronegócio em 20 anos

Em: 8 de setembro de 2015
Os bioplásticos, feitos a partir de mandioca, cana-de-açúcar, milho e batata, podem substituir os plásticos à base de petróleo nos próximos 20 anos
Os bioplásticos, feitos a partir de mandioca, cana-de-açúcar, milho e batata, podem substituir os plásticos à base de petróleo nos próximos 20 anos

Os bioplásticos, feitos a partir de mandioca, cana-de-açúcar, milho e batata, podem substituir os plásticos à base de petróleo nos próximos 20 anos. A produção desses materiais também deve fortalecer a atividade de agricultores do país com a criação de mais um nicho de mercado.
“Da mesma forma que hoje temos usinas de biodiesel, teríamos agroindústrias de bioplástico. É importante destacar que não se trata de uma indústria que irá competir com os alimentos. Por exemplo, a mandioca usada para novos materiais é a brava, que não serve para o consumo. Além disso, haveria aumento de produtividade e ganhos para o agricultor”, explicou o empresário João Carlos de Godoy Moreira, da Biomater Eco-materiais, empresa incubada no Cedin (Centro de Desenvolvimento de Indústria Nascentes) em São Carlos (SP), que já produz bioplástico.
A substituição do plástico sintético por biodegradáveis é lucrativa também para o meio ambiente. Para cada quilo de plástico produzido com petróleo, há a emissão de dois a quatro quilos de carbono. Ao contrário, na produção de bioplástico, cada quilo do produto seqüestra de quatro a seis quilos de carbono da atmosfera.
As vantangens continuam: enquanto o plástico sintético demora de 200 a 400 anos para se degradar, os materiais e embalagens biodegradáveis e compostáveis se decompõem em até 18 semanas. Os biodegradáveis também se transformam em adubo juntamente com o lixo orgânico.

Embalagens e artigos

Com os biomateriais, é possível confeccionar embalagens e artigos para diversos segmentos da economia, como alimentos, cosméticos, médico-farmacêutico, automobilístico, eletroeletrônicos, agricultura, têxtil.
“Um uso interessante é como embalagem de produtos orgânicos. Uma forma de completar o conceito de produto benéfico ao meio ambiente”, disse.
Segundo João Carlos, esse é um mercado que deve ser considerado por agricultores e indústrias. Trata-se de uma indústria que ainda está na fase da infância. Há 300 empresas no mundo, e a produção chega a 500 mil toneladas ao ano.
“É um mercado ainda pequeno quando comparado com as 200 milhões de toneladas ao ano de plástico sintético produzidos no mundo por ano”, destacou. Só o Brasil produz 8 milhões de toneladas de plástico derivados do petróleo no ano.
“O mercado dos biodegradáveis é um negócio que vai crescer muito e a transição deve ocorrer nos próximos 20 anos. É uma indústria que já cresce, no mundo, à taxa de 20% ao ano”, disse o empresário João Carlos.
No Brasil há cinco empresas que já produzem biodegradáveis, e está em processo de formação­ a Abicom (Asso­ciação Bra­sileira da Indús­tria de Polímeros Biodegradáveis Compostáveis).
“A idéia da associação é trabalhar em políticas públicas para que sejam criadas legislação, políticas governamentais para apoio à pesquisa e o desenvolvimento desse mercado”, completou.

Palestra do tema

O assunto será tema de palestra durante um evento interno do Sebrae: o 2º Seminário de Inovação no Agronegócio, que será realizado em Brasília nos dias 18 a 20 de março.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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