Blocos de isopor aliados à construção civil

Em: 22 de fevereiro de 2011
Faz mais de 170 anos que o farmacêutico conhecido como Eduard Simon inventou algo que revolucionaria o mundo, o poliestireno
Faz mais de 170 anos que o farmacêutico conhecido como Eduard Simon inventou algo que revolucionaria o mundo, o poliestireno

Faz mais de 170 anos que o farmacêutico conhecido como Eduard Simon inventou algo que revolucionaria o mundo, o poliestireno. Você pode até nunca ter ouvido falar neste nome, mas sabe muito bem o que é. No Brasil, é conhecido muito mais pelo seu título comercial: o isopor. Ele que já possui inúmeras aplicações e está ganhando uma nova utilidade no Amazonas. Construtoras locais já podem construir empreendimentos feitos de isopor, ou EPS.
A tecnologia, apesar de ser novidade por estas bandas, é usada há muito tempo em alguns países da América do Sul, como Chile e Peru, e na Ásia. No Amazonas, a Termotécnica, empresa localizada no PIM (Polo Industrial de Manaus) lançou no final do ano passado os primeiros blocos feitos a partir de isopor, os quais já estão sendo utilizados na construção do primeiro residencial feito com o material.
Para efeito de comparação, estes blocos são parecidos com aqueles que as crianças utilizam para montar casas. A ideia é a mesma. São grandes peças, que medem um pouco mais de um metro de comprimento, nas quais uma parte encaixa na outra. É possível montar uma estrutura de até quatro andares com o uso desta técnica.
“Muita gente que olha pa­ra casas feitas assim não acredita que é possível. Tem pessoas que perguntam se o teto pode cair. Se é tão resistente quanto o concreto ou se der um soco vai rachar a parede. É tudo seguro e con­fiável”, afirmou o gerente industrial da empresa, Everaldo Santos.
Além de casas, é possível fazer galpões e apartamentos a partir destes blocos. A indústria da construção civil já enfatiza o conceito de “obra limpa” para empreendimentos que aplicam o EPS, isto por­que construções deste tipo reduzem o uso de cimento, o desperdício do ti­jolo e gastam um volume menor de ferro que uma o­bra convencional usaria.
“De perto você não vê diferença entre uma construção normal e uma de EPS. Há muitos benefícios ao se usar este tipo de material como tempo de obra, limpeza e diminuição o risco de lesões para quem está trabalhando”, disse o coordenador de vendas da Termotécnica, Marcelo Marambio.

Diminuição do material

A empresa garante que o prazo de entrega da cons–trução cai em até dois terços quando se usa o bloco de isopor. Outra vantagem, para o empresariado, é que dispensa um grande número de mão de obra e conhecimento técnico específico para se lidar com este tipo de material.
Porém, o principal crédito para as construções de isopor é a principal característica do poliestireno – ser um ótimo isolante térmico. Ou seja, as paredes feitas com este material dificultam a troca de temperatura entre o lado externo e interno do ambiente.
Outra vantagem ao trocar o tijolo pelo EPS é eliminar a umidade que as paredes retém e também reduzir a quantidade de som que entra e sai do ambiente. Marambio explica que este conjunto de benefícios do EPS é muito usado para a construção de galpões industriais. “Com é um isolante térmico você consegue reduzir o uso de ar-condicionado, há um conforto térmico para quem trabalha em áreas com EPS”, enfatizou.
Em maio, a Termotécnica pretende lançar um painel feito em isopor. É como se fosse uma grande parede pronta, na qual o pedreiro faz apenas o encaixe na base. A diferença para o bloco, é que ele apresenta uma espessura menor e isto permite pensar em projetos com um ganho maior de área já que a parede é mais fina. Por enquanto, só a filial da cidade de Itaiatuba, no Pará, irá fabricar o painel, mas a previsão é que ainda neste ano Manaus também conte com este produto na linha de produção.
Apesar das vantagens propiciadas pelo isopor, construir uma casa com EPS sai mais caro que a forma tradicional com tijolo. O metro quadrado do bloco, por exemplo, custa entre R$ 45 e R$ 50, já o painel tem estimativa de ser colocado no mercado com um valor de 5% a 10% mais barato que o bloco.
A Termotécnica optou por inserir esta nova tecnologia nas construtoras para que o conhecimento de manipulação e de uso se espa­lhe aos poucos pela cidade e em breve, provavelmente, todos os produtos fabricados pela empresa poderão ser comprados pelo consumidor residencial.
Além do bloco e do painel, a empresa produz em Manaus forro, laje moldada e cobertura para telhas, todos feitos de isopor. A Termotécnica disponibiliza estes produtos apenas por encomenda e o orçamento da quantidade de materiais de EPS utilizados na construção irá depender do cálculo feito com base no projeto apresentado pela construtora.
Com o crescimento do foco no setor da construção civil, a Termotécnica amplia seu interesse e seu portfólio e passa de 10% a 30% a participação do EPS dentro dos negócios da empresa. A Termotécnica existe há 50 anos e está implantada no PIM há mais de 30. Atualmente, ela também consegue reciclar mais de 30 toneladas de isopor com as doações que são feitas deste material vindo de outras fábricas do Polo.

Outra aplicação

Como se não bastasse o uso do EPS na construção de casas e apartamentos, o isopor também pode ser reaproveitado para a construção de estradas e rodovias (veja quadro). Na cidade de Goiana, em Pernambuco, o Exército está construindo uma estrada a qual toda a base é de EPS feito pela Termotécnica.
A lâmina é a mesma que se compra nas lojas de papelaria, com a diferença que possui espessura e comprimento bem maiores. A lâmina acaba virando um grande bloco de isopor que evita que as vibrações provocadas pela passagem de veículos pesados atinjam galerias e tubulações que estão debaixo da terra.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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